Instituto Mamirauá realiza seminário final de projeto financiado pelo Fundo Amazônia

Publicado em:  6 de junho de 2019

Evento foi realizado nos dias 4 e 5 de junho e contou com a participação de cerca de 100 pessoas


São quase seis anos de atividades, beneficiando comunidades ribeirinhas na região do Médio Solimões, no Amazonas. Por isso, comunitários, técnicos e pesquisadores reuniram-se na sede do Instituto Mamirauá, em Tefé (AM), nos dias 4 e 5 de junho, para avaliar os resultados da execução do projeto BioREC (Mamirauá: Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade em Unidades de Conservação), que tem o financiamento do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O evento também comemorou os 20 anos do Instituto Mamirauá. 

Entre as atividades do projeto BioREC, estão as capacitações para agricultores em sistemas agroflorestais, os SAFs. Essa forma de fazer agricultura gera mais abundância de alimentos e torna possível plantar grãos, hortaliças, frutas e ainda criar animais, tudo em uma mesma área. “É uma forma diferente de uso da terra, onde o solo é coberto por uma camada de folhas e galhos, que mantém a umidade para as plantas e libera nutrientes que ajudam no seu crescimento”, dizem especialistas.

Para o agricultor e morador da Comunidade Boa Esperança, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, Jezuy Tavares Munhoz, aderir ao projeto, no início, foi desafiador, porém gratificante. “Fazer parte deste conhecimento é muito importante para o agricultor. É mais um enriquecimento para mim e para a minha família. Juntamente com os técnicos, a gente vê uma nova forma de melhorar o plantio e pensar nas futuras gerações preservando o ambiente, sem o uso do fogo”, afirmou o agricultor. 

O Programa de Manejo de Agroecossistemas do Instituto Mamirauá também implementou um sistema de energia solar para apoiar o resfriamento e armazenamento de polpas de frutas. Na comunidade Boa Esperança, Reserva Amanã, preparou, montou e instalou uma Casa de Polpas de Frutas, com apoio de vários parceiros. “A meta, junto ao financiador, era fazer com que a casa atingisse a produção de 1 tonelada, a partir de sua instalação. A comunidade já produziu cerca de 4 toneladas, durante o período de monitoramento”, afirmou Fernanda Viana, coordenadora do programa. 

Bernardo Oliveira
Materiais produzidos durante o período de execução do projeto foram expostos. Bernardo Oliveira

O manejo florestal comunitário - Outra ação financiada pelo Fundo Amazônia foi o manejo florestal comunitário. “Executamos atividades de capacitação e assessoria em manejo florestal madeireiro, expandindo as ações para novas áreas e capacitando novos manejadores. Foram cinco novas comunidades assessoradas pelo programa ao longo desses anos. E um dos objetivos é assessorar pensando na transferência da gestão integralmente para as associações”, disse Elenice Assis, técnica do programa. Tarcílio da Silva Macário, do Sítio Fortaleza, uma nova comunidade assessorada, falou sobre a experiência: “Com as capacitações, a gente aprendeu a organizar os talhões. A dificuldade é receber a licença do talhão. Mas nós não vamos desistir”. Israel Anaquiri Nogueira, da comunidade do Barroso, Reserva Mamirauá, é do grupo de manejo florestal: “O manejo florestal é uma forma que a gente não destrói a floresta, aprendemos técnicas de corte, é um impacto reduzido. Quando é fora do manejo, que é de qualquer jeito. Sobre as capacitações, eu participei de algumas e é muito bom porque a gente aprende algumas coisas que a gente não sabia. É muito bom porque o grupo trabalha unido e tenta fazer tudo certo”.

As ações de gestão comunitária e educação ambiental - Além de ações de educação ambiental, como a construção de quatro viveiros educativos, o projeto também desenvolveu oficinas de planejamento participativo, capacitação de lideranças e fortalecimento de associações. Morador de uma das comunidades alcançadas pelas ações, Luiz Sérgio dos Reis resumiu seu sentimento sobre as atividades desenvolvidas: “A gente vê tanta coisa bonita aqui e uma das coisas mais bonitas que eu vi foi uma menininha, uma criança, participando dessas atividades. Parabéns!”. Ao longo dos últimos seis anos, foram realizadas 43 oficinas, atingindo aproximadamente 1200 pessoas. “As ações resultaram de um processo de construção participativa com comunitários, professores e equipes do Instituto Mamirauá”, disse Claudioney Guimarães, educador ambiental do Programa de Gestão Comunitária.

Proteger para conservar - Uma das estratégias do Instituto Mamirauá, organização social fomentada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), para apoiar a gestão de unidades de conservação, é o apoio à formação de agentes ambientais voluntários, um projeto executado pela Secretaria de Meio Ambiente do Amazonas (Sema). Na execução do projeto, financiado pelo Fundo Amazônia, o compromisso do Instituto Mamirauá foi de formar 100 agentes ambientais. “A meta, no âmbito do projeto, foi superada. Formamos 290 agentes ambientais voluntários”, comemorou Paulo Roberto e Souza, coordenador do projeto BioREC. “É necessário que os agentes ambientais acreditem na sua associação e a fortaleçam. Estrategicamente, ela é muito importante para ser a porta voz das suas demandas e de suas comunidades”, concluiu.

Texto: Eunice Venturi

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