Jovem ribeirinha desenvolve projeto para ajudar comunidade artesã na Amazônia

Publicado em: 23 de Janeiro de 2020

Entre as ações da estudante do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) do Instituto Mamirauá está a criação de regimento interno de grupo de artesanato de molongó

Larissa Benchimol nasceu e cresceu em uma pequena comunidade ribeirinha na região do Médio Solimões, Amazônia Central. Jovem líder comunitária, com 23 anos se mudou para o município de Tefé, no Amazonas, para estudar no Centro Vocacional Tecnológico (CVT) do Instituto Mamirauá. 

Agora, voltou a sua comunidade para implementar um plano de ação desenvolvido com a finalidade de suprimir algumas das principais dificuldades encontradas pelos ribeirinhos que têm como principal fonte de renda o artesanato de molongó, árvore amazônica de tronco largo e fino.

O projeto de Larissa inclui a revitalização do sistema abastecimento de água, melhoria do transporte dos alunos da comunidade e melhorias na organização do grupo de artesanato.

Localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, a comunidade Nova Colômbia tem cerca de dez famílias, conta com uma casa de artesanato e um centro comunitário.

O plano de ação da estudante foi elaborado a partir de um diagnóstico realizado pela jovem, onde foram levantadas, junto aos moradores, as principais demandas da comunidade.

A principal foi a necessidade de pôr em funcionamento o sistema de abastecimento de água da comunidade implementado pelo Instituto Mamirauá, mas fora de funcionamento há cerca de cinco anos. 

Na área de várzea, ecossistema alagável da Amazônia, o acesso à água é dificultado pela dinâmica dos rios. Durante a época de seca, mulheres e crianças são, em geral, responsáveis pelo árduo trabalho de buscar, com baldes, a água na beira do rio, que fica mais longe por cerca de seis meses. 

“O grupo de artesanatos precisa porque quando está muito seco, não dá para ficar indo na beira pra pegar água. Além deles usarem na casa do artesanato, ia ajudar todas as moradias”, explica Elenice Nascimento, orientadora do projeto e técnica do Programa de Manejo Florestal Comunitário do Instituto Mamirauá, organização social fomentada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). 

A estudante classifica a ação como muito importante, “porque tem pessoas lá que já são idosas, não conseguem mais ir à beira [do rio] para fazer as coisas, lavar roupa, vasilha”.

Larissa também irá buscar junto ao Poder Público soluções para melhorar o transporte das crianças até a escola onde estudam, que fica em uma comunidade próxima. Elenice afirma que uma das metas é conseguirem um transporte coberto para protegerem as crianças e adolescentes do sol intenso e das chuvas no trajeto de cerca de uma hora de rabeta, espécie de canoa motorizada.

Para o grupo de artesãos, a jovem irá discutir junto aos membros a criação de um regimento interno para melhorar a produção e escoamento dos itens de artesanato. “É uma ferramenta que atividades de geração de renda fazem, como o manejo de pesca. Também vai colocar algumas regras e repartição de tarefas”, explica a orientadora.

Para atingir os objetivos do planejamento, Larissa vai utilizar dos conhecimentos adquiridos durante o ano de 2019, quando deixou sua família na comunidade para aprender e levar de volta os resultados. 

“As aulas de contabilidade foram muito proveitosas porque, na minha comunidade, a gente mexe com dinheiro, então, tem que haver pessoas à frente para mexer com livro-caixa e outras coisas. Eu também achei bem interessante as aulas de contabilidade e português, esse último porque a gente conversa com pessoas de fora e, na minha comunidade, não tem pessoas que sabem falar um português bem falado”, diz.

O Centro Vocacional Tecnológico (CVT) do Instituto Mamirauá conta com apoio da Fundação Gordon e Betty Moore e da BrazilFoundation.

Artesanato de Molongó

A principal matéria prima dos artesanatos da comunidade Nova Colômbia é o molongó, árvore amazônica de florestas alagáveis e que dá origem a itens decorativos, jogos e utensílios únicos, com uso e reprodução de símbolos da vida na Amazônia.

Os ribeirinhos vendem nas próprias comunidades da reserva, na cidade de Tefé e para projetos que levam os produtos para ainda mais longe.  Como o projeto Movimento Molongó, parceria entre Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e o Instituto A Gente Transforma que deu origem a uma nova coleção de objetos desenvolvida por designers especialistas com auxílio do Programa Infância Ribeirinha, que atende as demandas dos agentes comunitários de saúde, mães e crianças ribeirinhas da Amazônia. 

O molongó é manejado, ou seja, de extração controlada por cotas e limites que garantem a sustentabilidade da produção.  “O manejo para mim é bem importante mesmo e quero poder explicar mais para pessoas, para entenderem melhor o que é o manejo florestal e o que não é”, explica Larissa. 

Texto: Júlia de Freitas


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