“O CVT me deu um conhecimento que vou levar para o resto da minha vida”

Publicado em: 25 de setembro de 2019

Essa é a resposta do jovem Adriano Ribeiro Ferreira quando questionado sobre as atividades que desenvolve em sua comunidade. Ele é professor, agente ambiental, líder da pastoral da juventude, integrante de acordo de pesca. Aos 31 anos, encontrou, no Centro Vocacional Tecnológico (CVT) do Instituto Mamirauá (uma organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), a oportunidade para aprimorar seus conhecimentos em prol da conservação dos recursos naturais: “Eu comecei a ver que nós podemos tirar o recurso natural de forma controlada”. Depois de dois anos de estudo, formou-se no final de 2018; agora, segue seu rumo para atingir novos sonhos coletivos. Saiba mais sobre esse amazonense morador da comunidade Nova Tapiira, Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, na entrevista para o site do Instituto Mamirauá. 

O que despertou em você o interesse de fazer tantos trabalhos comunitários?

Na minha comunidade, tem muitas crianças, e eu sempre gostei de trabalhar com os pequenos. Isso é o que me faz atuar, hoje, como professor na minha comunidade. Já o trabalho como agente ambiental voluntário é porque eu gosto muito da natureza, é uma parte que eu amo! Eu gosto de fazer aquilo que é importante para cuidar da biodiversidade de Amazônia. Então, é o que me faz fortalecer isso na minha comunidade. 

Como foi o seu primeiro contato com o Instituto Mamirauá?

Eu tinha mais ou menos uns 14 anos, quando ouvi falar do Instituto Mamirauá pela primeira vez. Quando Oscarina Martins – técnica do Programa de Gestão Comunitária do Instituto Mamirauá – realizou uma oficina na minha comunidade sobre gestão comunitária, comecei a me interessar mais pelo trabalho do instituto. Com o acordo de pesca na comunidade, também passei a ter mais acesso ao trabalho da instituição como centro de pesquisa. A partir daí, percebi a importância do Instituto Mamirauá para as comunidades ribeirinhas.

E em que momento você ouviu falar sobre o CVT?

A gente estava fazendo o manejo do tambaqui, na Reserva Amanhã, o Ricardo Bonet – técnico do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá – me falou: ‘Adriano, eu acho que você é uma pessoa que pode concorrer a uma vaga de estudo no CVT do Instituto Mamirauá. Porque você tem experiência, gosta de trabalhar em equipe. Vai lá, se inscreve e vê o que acontece’. E foi o que eu fiz, me inscrevi, consegui passar e estudei no CVT durante um ano. No segundo ano, fui fazer a parte prática, de elaborar um projeto, e foi muito bom. Eu aprendi muito!

Como foi o primeiro ano no CVT?

Durante o período das aulas, fui vendo o quanto minha comunidade precisava de saneamento básico, que a gente não tem. Se formos pensar, atrás da nossa casa há, por exemplo, um manejo. A gente já trabalha. Tem uma área de conservação, e os dejetos ficam submersos. Joga o dejeto, a água leva, e acaba contaminando os peixes; depois, nós vamos pegar esse alimento contaminado. É uma preocupação minha a questão de saneamento básico. E foi juntamente com a equipe do Programa Qualidade de Vida que fizemos duas oficinas na comunidade. Houve um resultado muito positivo e que já está sendo implementando: a confecção de sanitários secos. Então, isso me ajudou muito porque eu ficava imaginando as comunidades com o saneamento que, infelizmente, ainda não possuem. Eu consegui pegar ferramentas e buscar informações, o que ajudou na oficina da nossa comunidade.

Como foi esse trabalho internamente com os técnicos do Instituto Mamirauá?

Eu tinha dois orientadores: Maria Cecília Gomes e Otacílio Brito. Hoje, para mim, eles são como meus padrinhos, porque eles foram pessoas que me orientaram, mostrando as ferramentas que eu poderia conquistar para a minha comunidade. As comunidades precisam dessas pessoas. A gente precisa plantar uma sementinha para que possam dar fruto futuramente. Esse é meu intuito e é o que me fortalece no meu trabalho de comunitário. Eu gosto muito da minha comunidade! 

Que mudanças você observa em sua vida após esse ciclo no CVT?

Se eu for fazer um panorama de como eu entrei no CVT após um ano, comecei a ver que nós podemos tirar o recurso natural de forma controlada. Eu não tinha essa visão antes e, hoje, eu sei e acredito que nós podemos trabalhar juntos, em parcerias. Vejo que o Instituto Mamirauá é um grande parceiro. Quando eu entrei, não tinha noção do que que era o CVT. A partir do ano, fui evoluindo, percebendo a importância dele para as comunidades ribeirinhas. Por meio desses projetos, nós podemos manejar diversos recursos naturais de forma controlada. Por exemplo, a gente pode fazer o próprio manejo florestal, que é uma geração de renda para a família. Pode ter, também, o próprio manejo de abelhas sem ferrão, uma das alternativas que eu vi. Ainda tem a questão do turismo e o acordo para o manejo de pesca. Então, o CV, me deu um conhecimento que eu vou levar para o resto da minha vida. 

Qual é o seu sonho?

O meu sonho é ser gestor do acordo de pesca da nossa comunidade. Então, se eu tiver uma possibilidade de ser o coordenador desse setor, da minha comunidade, eu estarei disposto a ajudar. Foi para isso que eu fui capacitado, para ajudar a associação. Eu vejo que eles precisam muito do meu apoio, e eu preciso muito do apoio deles. O meu sonho é estar junto da associação. Para isso, fui capacitado e representado, eu penso em voltar para lá e ajudar a associação. Esse é meu sonho: estar junto a eles. 

Que mensagem você deixa para o Instituto Mamirauá que está comemorando 20 anos?

Eu vejo o Instituto Mamirauá como um parceiro das comunidades, para somar realmente. Por isso, agradeço de coração a oportunidade e quero sempre vir ao instituto conhecer as pessoas que estavam ali comigo e dizer que estou sempre disposto a ajudar. Tem um versículo da Bíblia que diz que nós seres humanos nunca devemos desistir dos nossos sonhos; é um desafio, mas que a gente precisa ter coragem e força para seguir. 


Para apoiar projetos do Instituto Mamirauá, como o Centro Vocacional Tecnológico, adquira uma camiseta da campanha “Sonhos Amazônicos”, o endereço moko.com.br/compre. O CVT e essa campanha têm o financiamento da Fundação Gordon e Betty Moore. Vista essa causa!

Entrevista e edição de Eunice Venturi.

Confira a entrevista abaixo:



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