Instituto Mamirauá participa de seminário sobre tecnologias sociais em Brasília

Publicado em: 24 de novembro de 2019

Estrutura flutuante para pré-beneficiamento de pescado tem o objetivo de melhorar a qualidade do pirarucu processado em unidades de conservação

O Instituto Mamirauá participou, entre os dias 18 e 19 de novembro, do 1º Seminário Nacional de Tecnologias Sociais, em Brasília (DF). O evento foi organizado pelos Ministérios da Cidadania (MDS) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), em conjunto com o conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 

O Instituto Mamirauá apresentou o projeto de estrutura flutuante para pescado na Amazônia, um arranjo de equipamentos para tratamento de água e geração de energia solar fotovoltaica e procedimentos de boas práticas de manipulação do pirarucu. 

Segundo Dávila Corrêa, diretora de Manejo e Desenvolvimento do Instituto Mamirauá, o manejo de pirarucu na região do Médio Solimões resultou no crescimento populacional da espécie de 427%, em 20 anos. “Em 2017, a produção alcançou 650 toneladas e o faturamento R$ 2,7 milhões. Um dos problemas é a barreira sanitária para o pré-beneficiamento, que ocorre dentro das áreas de manejo e esses locais estão distantes das cidades e sem acesso à energia e ao saneamento”, analisou Dávila. 

É a segunda estrutura flutuante implementada pelo Instituto Mamirauá. Desta vez, a estrutura deve beneficiar os integrantes do Acordo de Pesca do Jutaí-Cleto, na Reserva Mamirauá. São 4 comunidades, 64 famílias e mais de 100 pescadores e pescadoras, que manejam o pirarucu desde 2012. Em 2018, o faturamento bruto por pescador foi de cerca de 5 mil reais. 

Parte da estrutura está em construção pelos pescadores e pescadoras e até abril de 2020 ocorrerão as instalações dos sistemas de água e energia solar. Em seguida, a equipe coordenadora do projeto deve realizar uma oficina de boas práticas de manipulação, uso e gestão da unidade. A partir do segundo semestre do próximo ano, a estrutura deve ser testada com o processamento de tambaqui, em agosto, e pirarucu, entre setembro e outubro. 

“O projeto é uma tecnologia social por desenvolver processos participativos e de cocriação de conhecimentos. Este projeto tem como base a organização de pescadoras e pescadores para manejo sustentável do pirarucu, com potencial de reaplicação em 31 áreas protegidas e de acordos de pesca, contribuindo para a conservação de 120 mil quilômetros quadrados”, afirmou Dávila. O piloto da estrutura é financiado pelo CNPq, MCTIC e MDS. 

Edição: Eunice Venturi 

Bernardo Oliveira

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