Seminário apresenta projetos de pesquisa de jovens pesquisadores do Instituto Mamirauá

Publicado em: 25 de julho de 2019

O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) do Instituto Mamirauá visa contribuir com a formação de jovens cientistas brasileiros

O Seminário final dos Pibic Sênior do Instituto Mamirauá reuniu jovens pesquisadores do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) para as apresentações finais de seus trabalhos de pesquisa, orientados por pesquisadores da instituição. O evento aconteceu no dia 19 de julho, na sede do instituto em Tefé, no Amazonas.

O Pibic Sênior tem o objetivo de apresentar a jovens universitários o universo da pesquisa científica e capacitá-los para que, se assim escolherem, sigam carreiras como pesquisadores. O programa já recebeu mais de 300 alunos da cidade de Tefé e região.

Zineide da Silva, que compôs o quadro de apresentações, conta que seu ano como pesquisadora Pibic a ajudou e tomar a decisão de seguir na vida acadêmica. “Depois deste ano, coloquei na cabeça que farei mestrado para seguir na pesquisa”, relata.

No total, cinco apresentações foram realizadas durante o seminário. Confira os trabalhos abaixo:

Composição da dieta e o papel de dispersor de sementes de guaribas-vermelhos (Alouatta seniculus juara) nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Amanã e Mamirauá.

A dispersão de sementes é um dos principais serviços ecológicos prestados pela fauna a um ecossistema. O estudo realizado por Alisson Nogueira procurou entender qual é o potencial dos guaribas-vermelhos como dispersores de sementes nas reservas Mamirauá e Amanã.

A pesquisa analisou 45 indivíduos e foram encontradas sementes menores na dieta dos espécimes provenientes da Reserva Mamirauá, área de florestas de várzea localizada no Amazonas. Notou-se também a preferência por folhas e frutos entre os guaribas-vermelhos e um consumo maior de sementes por fêmeas, possivelmente associado ao período reprodutivo.

Conhecer os hábitos alimentares da espécie e seu papel na dispersão de sementes facilita o desenvolvimento de estratégias de conservação para os guaribas-vermelhos e para as espécies vegetais consumidas por esses animais.

Saneamento na RDS Mamirauá e RDS Amanã: uso da análise de conteúdo para analisar a visão dos moradores sobre tecnologias de esgotamento sanitário

Direito fundamental do ser humano, o acesso ao saneamento básico adequado ainda é um assunto problemático para comunidades ribeirinhas das reservas Mamirauá e Amanã. O estudo realizado por Alessandra Silva procurou entender como essa população se relaciona com a questão.

Em entrevistas com comunitários, um “buraco” foi a estrutura mais citada pelos entrevistados como banheiro, seguido por “vaso sanitário”. Quando perguntados para onde vai o esgoto, o destino mais citado foi o “pau da gata” – um banheiro a céu aberto -, seguido pela “água”, geralmente de um rio. Se descobriu também que essas estruturas são, no geral, construídas pelas próprias famílias que as utilizam. Ainda segundo o estudo, o papel higiênico utilizado é geralmente queimado ou enterrado.

A pesquisa aponta a dificuldade em se manter estruturas de esgotamento sanitário adequadas na região, especialmente nas áreas que passam parte do ano alagadas, e a importância de políticas públicas que atendam às necessidades da região. 

Monitoramento da comercialização pesqueira da Piracatinga (Calophysus macropterus) em Tefé, Médio Solimões

A pesca da piracatinga é, atualmente, proibida por estar associada à matança de botos e jacarés, utilizados como isca para o peixe. A espécie não é muito consumida no Amazonas, mas é valorizada pela culinária da vizinha Colômbia, principal destino da piracatinga pescada ilegalmente.

A pesquisa de Yara Monteiro analisou mais de 1.300 notas fiscais da colônia de pescadores Z4 de Tefé, no Amazonas, e não encontrou registros da venda da espécie. Ainda assim, Yara ouviu relatos de pescadores afirmando que a pesca da piracatinga ainda acontece, o que indica a necessidade de uma investigação mais aprofundada.

Caracterização dos consumidores finais de madeira em Tefé-AM

De autoria de Vitor da Costa, a pesquisa procurou entender quem são os consumidores finais de madeira na cidade de Tefé, no Amazonas, como ela é utilizada e qual é a percepção desses consumidores em relação ao manejo de espécies madeireiras – a extração legalizada e de impacto reduzido de madeira assessorada pelo Instituto Mamirauá na região.

Para o estudo, foram realizadas 236 entrevistas nos 20 bairros oficiais da cidade de Tefé. Descobriu-se que 81% dos entrevistados já adquiriu madeira para si. Quando perguntados sobre como haviam conseguido a madeira, a resposta mais comum foi por meio de conhecidos que sabiam de madeira à venda.

Notou-se também que 50% da madeira adquirida por essas pessoas era utilizada na construção civil. Quando questionados sobre a renda pessoal, a maioria dos entrevistados afirmou que recebia um salário mínimo. O estudo apontou ainda que 85% das pessoas selecionadas para entrevista não sabia da existência do manejo e nem da comercialização de madeira manejada na cidade.

Caracterização do uso madeireiro tradicional da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, Amazonas, Brasil

O estudo de Zineide da Silva procurou entender como acontece a utilização de recursos madeireiros explorados de forma tradicional dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá pela população ribeirinha local.

A pesquisa analisou o uso de 6.686 m³ de madeira extraída de forma tradicional na reserva. Segundo a análise, 40% da madeira utilizada foi para a construção de flutuantes, enquanto 30% se destinou à construção de casas e 5% de embarcações.

O trabalho concluiu que a madeira extraída de forma tradicional, não manejada, na Reserva Mamirauá contribui para o autoabastecimento das comunidades locais.

Texto: Bernardo Oliveira


Seminário final dos Pibic Sênior do Instituto Mamirauá. Foto: Bernardo Oliveira
Seminário final dos Pibic Sênior do Instituto Mamirauá. Foto: Bernardo Oliveira
Seminário final dos Pibic Sênior do Instituto Mamirauá. Foto: Bernardo Oliveira

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