Instituto Mamirauá forma 17 multiplicadores de práticas sustentáveis entre moradores de reservas do Amazonas

Publicado em: 14 de dezembro de 2018

Após uma semana apresentando seus planos de trabalho de campo finalizados, os alunos da segunda turma do Centro Vocacional Tecnológico do Instituto Mamirauá receberam seus certificados de conclusão de curso

“Esse curso eu levei para o acordo de pesca (Jurupari-Apara) e vi que eles abraçaram a causa. Eu estou muito feliz de ser um aluno CVT. Estamos terminando nosso curso, mas para mim não acaba aqui”, afirma Adriano Ribeiro Ferreira, pescador e agente ambiental voluntário da comunidade Tapiira, na reserva Mamirauá. Adriano é um dos 17 alunos da turma 2017-2018 do Curso Livre em Gestão de Tecnologias Sociais no Centro Vocacional Tecnológico (CVT) do Instituto Mamirauá, a se formarem na última sexta-feira (14) em cerimônia realizada na sede no instituto, em Tefé, estado do Amazonas.

O CVT é um projeto do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) que cria espaços de ensino técnico e profissionalizante. No Instituto Mamirauá, uma unidade de pesquisa do MCTIC, o CVT capacita moradores das comunidades de reservas do Médio Solimões, estado do Amazonas, que tenham interesse em se tornarem agentes para o desenvolvimento sustentável da região e melhoria na qualidade de vida de seus habitantes. Os alunos selecionados pelo instituto são indicados pelas próprias comunidades de origem.

O Mamirauá oferece aulas e oficinas que permeiam as suas áreas de atuação. Os temas vão do processo de gestão comunitária e a implementação de tecnologias sociais, como a energia solar, até o manejo dos recursos naturais presentes nas reservas, como os recursos madeireiros, a pesca e o desenvolvimento de agroecossistemas produtores de alimento. 

“Foi um ano de muitos desafios, tivemos que nos desdobrar para apoiar duas turmas. Uma que estava realizando um plano de trabalho nas comunidades e outra que estava aqui, realizando atividades didáticas junto a professores e técnicos”, explica Sandro Augusto Regatieri, gestor do CVT do Instituto Mamirauá. O ano de 2018 foi o primeiro em que duas turmas simultâneas foram geridas pelo instituto.

Além disso, o projeto sofreu com a perda de Ismael Gomes da Silva, um dos seus estudantes. “Logo no início do ano, ele adoeceu e acabou falecendo. Fica a saudade, mas a turma conseguiu superar a dor e se reinventar”, relata Sandro.

Conquistas e aprendizado

O ano de 2018 do CVT foi marcado pela expansão de sua atuação na região. “Fomos para áreas onde o instituto não tinha tanta presença, como terras indígenas e regiões como o Médio Juruá, a reserva Uacari, a Resex Médio Juruá e a reserva Catuá-Ipixuna”, lembra o professor. “Tivemos professores muito bons aqui de Tefé dando aulas para a gente. Foi interessante porque os estudantes avaliaram de forma muito positiva”.

Segundo Sandro, a experiência adquirida com a primeira turma, que se formou em 2016, fez com que os técnicos e pesquisadores do Mamirauá, que lecionam para os alunos do CVT, tivessem condições para orientá-los de forma cada vez mais eficiente. “A nossa experiência fez com pudéssemos criar planos melhor construídos, mais abrangentes, focados nas atividades e nas missões pelas quais os estudantes foram indicados para cá por suas organizações”.

Dos 22 estudantes inscritos inicialmente no curso, 17 voltaram de suas comunidades com seus ‘planos de trabalho’ – trabalho de campo orientado pelo instituto – finalizados. Boa parte dos alunos já assume papéis de liderança em suas comunidades. Adriano Ribeiro hoje é o Primeiro Secretário da Comunidade Tapiira. “Estou muito feliz de ter o privilégio desse conhecimento. Hoje tenho uma visão muito ampla de organização”.

O pescador revela que já começou a realizar um projeto de educação ambiental nas escolas de sua região. “Estamos com esse trabalho de educação ambiental tendo muito sucesso. O Mamirauá nos deu o material didático para que possamos trabalhar com as crianças, professores, agentes de saúde. Tenho muito orgulho de dizer que hoje sou um agente ambiental voluntário e estou muito motivado a continuar, estar sempre na frente do grupo, como parte da organização”.

A formatura, que aconteceu na tarde desta sexta-feira (14), contou com a presença de José Albino Batalha de Freitas, vice-presidente da Associação dos Moradores e Usuários da Reserva Mamirauá (AMURMAM), e Francisco Tavares dos Santos, representante do setor Lago Amanã da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã. Após emocionantes discursos e agradecimentos, os 17 formandos receberam seus certificados e foram convidados a um coquetel.

Adriano exalta a importância do CVT para o desenvolvimento sustentável das comunidades em reservas do Médio Solimões. “Nós precisamos do conhecimento sobre o manejo dos recursos. Hoje, nós podemos trabalhar com o recurso natural de forma organizada, controlada. As ferramentas adquiridas aqui no CVT são para a minha vida, para que possamos melhorar cada vez mais a nossa organização”.

Texto: Bernardo Oliveira

 

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