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Rafael Forte

Artigo em revista internacional reúne dados sobre o uso do espaço e movimento de onças-pintadas

09/02/2017

Amanda Lelis

Um artigo divulgado recentemente na revista científica internacional PLoS One traz os resultados do monitoramento de onças-pintadas em cinco biomas no Brasil e na Argentina. O Instituto Mamirauá, que atua como unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, participou do estudo com o monitoramento dos animais na Amazônia.  Um dos resultados apontados é que as onças-pintadas que ocupam regiões com mais atividades humanas precisam de áreas de vida maiores para sobreviver.

O pesquisador do Instituto Mamirauá, Emiliano Esterci Ramalho, é um dos autores da publicação.  Parte dos resultados das pesquisas realizadas pelo Instituto são apresentados no texto. De acordo com o pesquisador, o movimento das onças-pintadas na Reserva Mamirauá (AM) é parecido com o movimento em outras áreas alagáveis, como o pantanal. “Mas, ao mesmo tempo, o movimento das onças é diferente de áreas mais fragmentadas como a Mata Atlântica, onde elas precisam de áreas maiores para sobreviver, exatamente por conta da fragmentação do seu habitat e da redução da quantidade de pressas”, comentou.

O artigo, intitulado “Space use and movement of a Neotropical top predator: the endangered jaguar” (leia na íntegra), traz análises do monitoramento do uso do espaço e do movimento de onças. Como enfatizado por Emiliano, foi observado que os animais com maior área de vida ocupam a Mata Atlântica, região com alta densidade populacional humana e ações antropogênicas.

“Observamos que as onças que vivem em áreas com maior atividade humana têm maior área de vida e necessitam se deslocar maiores distâncias por dia”, comentou Ronaldo Gonçalves Morato, coordenador de Centro de Pesquisa do Instituto Chico Mendes de Proteção da Biodiversidade (ICMBio), também autor do artigo.

Os dados foram avaliados por indivíduos, sexo, região e qualidade do habitat. Foram monitorados quatro machos e quatro fêmeas na Amazônia, seis machos e seis fêmeas na Mata Atlântica, dois machos na Caatinga, um macho no Cerrado e nove machos e doze fêmeas no Pantanal. Todos os animais foram monitorados a partir dos dados de colares de GPS, acoplados nas onças.

Ronaldo relata que os dados da pesquisa podem contribuir para o estabelecimento de estratégias de conservação. “Esses resultados podem contribuir para análises de fatores que dificultam a movimentação destes animais, além de nos  auxiliar na identificação de área mínima necessária para mantermos populações viáveis. Desta forma, constitui em importante ferramenta de política pública”, contou.

Articulação em rede

O artigo foi produzido com a colaboração de especialistas de diversas instituições, que assinam como autores.  De acordo com Ronaldo, a participação dos pesquisadores de diferentes regiões contribuiu para a conexão dos dados. “Não seria possível fazer a comparação entre as áreas de estudo e muito menos identificar quais fatores estão afetando o movimento destes animais. Essa rede já produziu alguns resultados importantes para melhor entendemos a ecologia da onça-pintada e tem potencial para aprofundar os conhecimentos na espécie. Certamente essa melhor compreensão será muito importante para a conservação da espécie, objetivo comum de todos nós”, completou Ronaldo. 

Texto: Amanda Lelis

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