Projeto Providence Dez anos de parceria

O Instituto Mamirauá é parceiro do Amazon.ia

  • Hidrofones
  • Bioacústica
  • Armadilhas fotográficas
  • Câmeras térmicas
  • Inteligência artificial

Desde 2017, dentro de uma reserva no médio Solimões, um sistema de câmeras e microfones escuta a floresta sem parar. Chama-se Projeto Providence, e é por ele que o Instituto Mamirauá chega ao Amazon.ia.

01 — Território

Onde o sinal nasce

É aqui. Um mosaico de três áreas protegidas no médio Solimões, a cerca de 600 km de Manaus: as reservas de desenvolvimento sustentável Mamirauá e Amanã e a Floresta Nacional de Tefé. Deste chão alagado sai cada sinal desta página — e é em Tefé, na margem, que fica quem opera a rede.

Mapa das três áreas protegidas onde o Instituto Mamirauá atua Limites oficiais da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã e da Floresta Nacional de Tefé, sobre a rede de rios do médio Solimões, com a cidade de Tefé assinalada. Polígonos do Cadastro Nacional de Unidades de Conservação do Ministério do Meio Ambiente. Rio Solimões Rio Japurá Tefé sede do Instituto Mamirauá RDS Mamirauá RDS Amanã Flona de Tefé
  • RDS Mamirauá
  • RDS Amanã
  • Flona de Tefé
  • Solimões, Japurá e afluentes
  • Postos de escuta · distribuição esquemática
  • Limites oficiais: CNUC / MMA · rios: Natural Earth
  • 1,32 mi ha Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, criada em 1990 — floresta de várzea, alagada boa parte do ano.
  • 2,30 mi ha Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, criada em 1998, contígua a Mamirauá.
  • 0,87 mi ha Floresta Nacional de Tefé, criada em 1989, ao sul da sede do instituto.
  • 4,5 milhões De hectares protegidos no mosaico onde o instituto atua. A rede do Providence cobre pouco mais de 1 milhão deles, dentro da RDS Mamirauá. CNUC / MMA · Instituto Mamirauá
02 — O projeto Em parceria com a Universitat Politècnica de Catalunya

O Projeto Providence

Quem mantém aquela reserva sob observação contínua é uma parceria de dez anos entre o Instituto Mamirauá, em Tefé, e o Laboratório de Bioacústica Aplicada da Universitat Politècnica de Catalunya, dirigido por Michel André. Começou em 2016, com os primeiros testes de campo em 2017.

Pesquisador no topo de uma árvore seca instalando uma estação com painel solar, dossel verde ao fundo.
Legenda a definir · crédito.
01

Enxergar e escutar

Um único módulo cobre o que nenhum sensor isolado alcança: o que passa em frente à lente, o que canta no escuro e o que se move sob a água. Cada modalidade enxerga um pedaço diferente do mesmo ecossistema.

02

Decidir a bordo

Redes neurais rodam dentro do próprio módulo, na floresta, classificando espécies antes de transmitir. É o que permite mandar informação, e não terabytes de áudio bruto, por rádio ou satélite.

03

Instalar e manter

Quem sobe na árvore, posiciona o painel solar e volta para trocar o equipamento é uma equipe baseada em Tefé. Sem presença permanente no território, uma rede assim não sobrevive a duas estações de cheia.

04

Virar ciência publicada

Os dados já sustentaram estudos publicados sobre o boto e sobre o peixe-boi-amazônico. A identificação das vocalizações do peixe-boi chega a 98% de acerto. O sinal vira artigo revisado por pares, não só painel.

  • 20 módulos Estações de segunda geração instaladas — 60% mais baratas, 80% mais leves e dez vezes mais rápidas que as primeiras. Instituto Mamirauá, 11/2025
  • +1 milhão de ha Área coberta pela rede de sensores do Providence dentro da Reserva Mamirauá. Instituto Mamirauá, 11/2025
  • 10 anos De cooperação científica entre o Instituto Mamirauá e a UPC, com plano de trabalho conjunto para 2026–2028. Instituto Mamirauá, 04/2026

Numa versão ampliada, o Providence+, que acrescenta drones e DNA ambiental, o sistema foi uma das seis finalistas do XPRIZE Rainforest. E em novembro de 2025, na COP30 em Belém, o Instituto Mamirauá e a UPC coordenaram a Declaração de Mamirauá, assinada por 30 organizações. XPRIZE Instituto Mamirauá, 11/2025

03 — Método

De um ruído no escuro a um dado

O que um módulo do Providence capta, e o caminho que esse sinal percorre até virar informação utilizável. Cada modalidade responde a uma pergunta que as outras não alcançam.

Câmeras

Armadilhas fotográficas registram quem passa, quando e com que frequência. As térmicas veem o que a luz não alcança, e boa parte da floresta se move à noite.

Bioacústica

Acima da linha d’água, os microfones registram o coro do amanhecer, a chuva batendo no dossel e quem se move no escuro.

Hidrofones

Sob a linha d’água, ouvem o que a floresta esconde: os cliques de ecolocalização do boto e as vocalizações do peixe-boi.

Ambiente

Sensores meteorológicos registram chuva, temperatura e umidade — o contexto sem o qual um número de espécies não quer dizer nada.

Captura contínua

Estações autônomas, alimentadas por energia solar, transmitem sem interrupção de dentro da floresta.

Série que se acumula

Cada identificação entra numa série temporal. É a série, e não o registro isolado, que mostra uma população encolhendo.

Saída pela floresta

Rádio de longo alcance entre os módulos, satélite onde não há cobertura, rede celular perto das cidades. O dado sai de onde não chega estrada.

Estação com painel solar erguida acima do dossel, com o horizonte da floresta ao fundo.
Legenda a definir · crédito.

O Providence em campo

Instalação e manutenção dos módulos na várzea
Pesquisador sobre galhos em área alagada coberta por vegetação flutuante, ao lado de um painel solar.
Vista zenital de duas canoas carregadas atracadas junto à árvore que sustenta o painel solar.
Vista zenital ampla do igapó, com barcos entre o dossel e a estação no topo da árvore.
Estação com painel solar sobre a copa, com um igarapé de água barrenta ao fundo.
04 — O problema

Por que uma reserva não basta

Na Reserva da Biosfera Yasuní, no Equador, cientistas documentaram uma queda acentuada nas aves insetívoras — em floresta que parece protegida e intacta. É o tipo de mudança lenta que só uma série contínua flagra. Mas nenhuma rede local, por melhor que seja, responde às perguntas seguintes: o mesmo declínio está acontecendo em outros lugares? Outras espécies estão sendo afetadas? E o que está causando a mudança?

A Amazônia abriga biodiversidade incomparável, mas quem trabalha para entender, gerir e conservar a região carece de informação oportuna sobre como a fauna e os ecossistemas estão mudando. O monitoramento se apoia em projetos localizados, com metodologias diferentes, áreas limitadas e financiamento de curto prazo — cada um excelente dentro do próprio recorte, e mudo fora dele.

Nove anos de série contínua numa reserva de várzea são uma resposta excelente para uma pergunta pequena. Nenhuma das perguntas acima é pequena, e nenhuma delas se responde de dentro de uma reserva só.

Medir um trecho de floresta responde por aquele trecho. Medir a bacia inteira responde pelo bioma.

O caso de Yasuní é citado pelo Amazon.ia como ponto de partida da iniciativa. Global Nature Watch · Amazon.ia

Vista zenital da copa de uma árvore isolada com o painel solar, junto à margem do rio.
Legenda a definir · crédito.
05 — A escala Amazon.ia

Providence não está sozinho

Responder àquelas perguntas exige ler a bacia inteira com o mesmo método, no mesmo intervalo de tempo, e comparar o que se lê. Ninguém faz isso sozinho — e é para isso que existe o Amazon.ia.

Um observatório de biodiversidade pan-amazônico que junta satélites e sensores terrestres num único marco analítico, para que o dado de um ponto da floresta ganhe sentido lido ao lado dos demais. O Providence é uma das redes que alimentam esse observatório — e o Instituto Mamirauá entra na coligação por ela, ao lado da Universitat Politècnica de Catalunya. Lançamento em 2026, com apoio fundador do Bezos Earth Fund. Global Nature Watch · Amazon.ia

  • Instituições de pesquisa amazônicas
    Centros científicos da região que produzem, validam e publicam o dado.
  • Organizações de conservação
    Quem está em campo e transforma leitura de ecossistema em gestão territorial.
  • Universidades e empresas de tecnologia
    Laboratórios e times de engenharia que desenvolvem os modelos e os sensores.
  • Institutos ambientais nacionais
    Órgãos que traduzem indicador de biodiversidade em política pública.
  • Plataformas globais de dados
    Infraestrutura de processamento e distribuição aberta da informação.
Vista aérea da várzea alagada com uma estação de monitoramento do Providence em primeiro plano.
Legenda a definir · crédito do fotógrafo.
06 — A coligação

Quem mais está nessa

Estes são os nomes por trás daquelas cinco categorias — a coligação inteira, como o próprio Amazon.ia a publica.

Lista de parceiros do Amazon.ia

  • ALFA
  • Andes Amazon Fund
  • Arizona State University (Asner Lab)
  • Bezos Earth Fund
  • Conservación Amazónica (ACCA)
  • Cornell Lab of Ornithology
  • George Mason University (Luther Lab)
  • Global Nature Watch
  • INPA
  • Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá
  • Instituto Humboldt
  • International Barcode of Life (iBOL)
  • Massachusetts Institute of Technology (Beery Lab)
  • Microsoft AI for Good Lab
  • Planet Labs
  • Smithsonian ForestGEO
  • Tiputini Biodiversity Station
  • Universidad San Francisco de Quito (Rivas Lab)
  • Universitat Politècnica de Catalunya
  • University of Guelph
  • Wildlife Conservation Society Bolivia
  • Wildlife Insights
  • WildMon
  • World Resources Institute

Lista publicada pelo próprio Amazon.ia e sujeita a atualização. Global Nature Watch · Amazon.ia

07 — A plataforma

Onde o sinal reaparece

O que sai de um módulo na várzea não termina num disco rígido em Tefé. O Amazon.ia é publicado dentro do Global Nature Watch — plataforma global de acesso aberto a dados de natureza — e o Horizon é a interface por onde ele se consulta. Somado à leitura de satélite e ao que os demais parceiros trazem, o sinal reaparece ali, aberto para quem quiser ler.

Horizon

A plataforma orientada por inteligência artificial do Global Nature Watch, hoje em versão de pré-visualização. É por ela que a inteligência de biodiversidade do Amazon.ia chega a governos, comunidades, pesquisadores e organizações de conservação — inclusive de volta a quem instalou o sensor.

08 — Acesso

Para quem o dado serve

A meta do Amazon.ia é tornar a inteligência de biodiversidade tão acessível e acionável quanto o monitoramento de desmatamento já é hoje. Não se trata de coletar mais dados, e sim de transformar o que já existe em decisão.

Ao construir infraestrutura de propriedade local e capacidade analítica na própria região, a iniciativa mantém o controle da informação dentro da Amazônia. Um instituto sediado em Tefé, operando com a UPC a rede que instalou em casa, é a forma concreta disso.

Gestor de unidade de conservação

Um alerta que chega a tempo

Receber o aviso de que a diversidade de mamíferos caiu bruscamente em um trecho da área protegida — e investigar a causa enquanto ainda há o que fazer.

Comunidade indígena

Provar que a floresta volta

Demonstrar, com dado próprio e ao longo do tempo, que a diversidade de aves está se recuperando na área degradada que a comunidade restaurou.

Agência ambiental nacional

Política guiada por indicador

Acompanhar se os indicadores de biodiversidade melhoram no conjunto das áreas protegidas e usar isso para orientar política pública e investimento.

Exemplos de uso descritos pelo próprio Amazon.ia. Global Nature Watch · Amazon.ia

09 — Continue

Começa numa árvore, termina num bioma

Um módulo preso a uma samaumeira no médio Solimões não muda a Amazônia sozinho. Somado ao que as outras redes da coligação medem, lido junto com a visão de satélite, ele passa a fazer parte de uma resposta do tamanho do bioma. É esse o caminho que o Instituto Mamirauá percorre dentro do Amazon.ia.

Fontes dos números

Todo número desta página vem de fonte pública e nomeada. Onde a fonte não existe, o número não entrou.