O Instituto Mamirauá é parceiro do Amazon.ia
Desde 2017, dentro de uma reserva no médio Solimões, um sistema de câmeras e microfones escuta a floresta sem parar. Chama-se Projeto Providence, e é por ele que o Instituto Mamirauá chega ao Amazon.ia.
Onde o sinal nasce
É aqui. Um mosaico de três áreas protegidas no médio Solimões, a cerca de 600 km de Manaus: as reservas de desenvolvimento sustentável Mamirauá e Amanã e a Floresta Nacional de Tefé. Deste chão alagado sai cada sinal desta página — e é em Tefé, na margem, que fica quem opera a rede.
- RDS Mamirauá
- RDS Amanã
- Flona de Tefé
- Solimões, Japurá e afluentes
- Postos de escuta · distribuição esquemática
- Limites oficiais: CNUC / MMA · rios: Natural Earth
- 1,32 mi ha Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, criada em 1990 — floresta de várzea, alagada boa parte do ano.
- 2,30 mi ha Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, criada em 1998, contígua a Mamirauá.
- 0,87 mi ha Floresta Nacional de Tefé, criada em 1989, ao sul da sede do instituto.
- 4,5 milhões De hectares protegidos no mosaico onde o instituto atua. A rede do Providence cobre pouco mais de 1 milhão deles, dentro da RDS Mamirauá. CNUC / MMA · Instituto Mamirauá
O Projeto Providence
Quem mantém aquela reserva sob observação contínua é uma parceria de dez anos entre o Instituto Mamirauá, em Tefé, e o Laboratório de Bioacústica Aplicada da Universitat Politècnica de Catalunya, dirigido por Michel André. Começou em 2016, com os primeiros testes de campo em 2017.

Enxergar e escutar
Um único módulo cobre o que nenhum sensor isolado alcança: o que passa em frente à lente, o que canta no escuro e o que se move sob a água. Cada modalidade enxerga um pedaço diferente do mesmo ecossistema.
Decidir a bordo
Redes neurais rodam dentro do próprio módulo, na floresta, classificando espécies antes de transmitir. É o que permite mandar informação, e não terabytes de áudio bruto, por rádio ou satélite.
Instalar e manter
Quem sobe na árvore, posiciona o painel solar e volta para trocar o equipamento é uma equipe baseada em Tefé. Sem presença permanente no território, uma rede assim não sobrevive a duas estações de cheia.
Virar ciência publicada
Os dados já sustentaram estudos publicados sobre o boto e sobre o peixe-boi-amazônico. A identificação das vocalizações do peixe-boi chega a 98% de acerto. O sinal vira artigo revisado por pares, não só painel.
- 20 módulos Estações de segunda geração instaladas — 60% mais baratas, 80% mais leves e dez vezes mais rápidas que as primeiras. Instituto Mamirauá, 11/2025
- +1 milhão de ha Área coberta pela rede de sensores do Providence dentro da Reserva Mamirauá. Instituto Mamirauá, 11/2025
- 10 anos De cooperação científica entre o Instituto Mamirauá e a UPC, com plano de trabalho conjunto para 2026–2028. Instituto Mamirauá, 04/2026
Numa versão ampliada, o Providence+, que acrescenta drones e DNA ambiental, o sistema foi uma das seis finalistas do XPRIZE Rainforest. E em novembro de 2025, na COP30 em Belém, o Instituto Mamirauá e a UPC coordenaram a Declaração de Mamirauá, assinada por 30 organizações. XPRIZE Instituto Mamirauá, 11/2025
De um ruído no escuro a um dado
O que um módulo do Providence capta, e o caminho que esse sinal percorre até virar informação utilizável. Cada modalidade responde a uma pergunta que as outras não alcançam.
Câmeras
Armadilhas fotográficas registram quem passa, quando e com que frequência. As térmicas veem o que a luz não alcança, e boa parte da floresta se move à noite.
Bioacústica
Acima da linha d’água, os microfones registram o coro do amanhecer, a chuva batendo no dossel e quem se move no escuro.
Hidrofones
Sob a linha d’água, ouvem o que a floresta esconde: os cliques de ecolocalização do boto e as vocalizações do peixe-boi.
Ambiente
Sensores meteorológicos registram chuva, temperatura e umidade — o contexto sem o qual um número de espécies não quer dizer nada.
Captura contínua
Estações autônomas, alimentadas por energia solar, transmitem sem interrupção de dentro da floresta.
Série que se acumula
Cada identificação entra numa série temporal. É a série, e não o registro isolado, que mostra uma população encolhendo.
Saída pela floresta
Rádio de longo alcance entre os módulos, satélite onde não há cobertura, rede celular perto das cidades. O dado sai de onde não chega estrada.

O Providence em campo
Instalação e manutenção dos módulos na várzea



Por que uma reserva não basta
Na Reserva da Biosfera Yasuní, no Equador, cientistas documentaram uma queda acentuada nas aves insetívoras — em floresta que parece protegida e intacta. É o tipo de mudança lenta que só uma série contínua flagra. Mas nenhuma rede local, por melhor que seja, responde às perguntas seguintes: o mesmo declínio está acontecendo em outros lugares? Outras espécies estão sendo afetadas? E o que está causando a mudança?
A Amazônia abriga biodiversidade incomparável, mas quem trabalha para entender, gerir e conservar a região carece de informação oportuna sobre como a fauna e os ecossistemas estão mudando. O monitoramento se apoia em projetos localizados, com metodologias diferentes, áreas limitadas e financiamento de curto prazo — cada um excelente dentro do próprio recorte, e mudo fora dele.
Nove anos de série contínua numa reserva de várzea são uma resposta excelente para uma pergunta pequena. Nenhuma das perguntas acima é pequena, e nenhuma delas se responde de dentro de uma reserva só.
Medir um trecho de floresta responde por aquele trecho. Medir a bacia inteira responde pelo bioma.
O caso de Yasuní é citado pelo Amazon.ia como ponto de partida da iniciativa. Global Nature Watch · Amazon.ia

Providence não está sozinho
Responder àquelas perguntas exige ler a bacia inteira com o mesmo método, no mesmo intervalo de tempo, e comparar o que se lê. Ninguém faz isso sozinho — e é para isso que existe o Amazon.ia.
Um observatório de biodiversidade pan-amazônico que junta satélites e sensores terrestres num único marco analítico, para que o dado de um ponto da floresta ganhe sentido lido ao lado dos demais. O Providence é uma das redes que alimentam esse observatório — e o Instituto Mamirauá entra na coligação por ela, ao lado da Universitat Politècnica de Catalunya. Lançamento em 2026, com apoio fundador do Bezos Earth Fund. Global Nature Watch · Amazon.ia
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- Instituições de pesquisa amazônicas
- Centros científicos da região que produzem, validam e publicam o dado.
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- Organizações de conservação
- Quem está em campo e transforma leitura de ecossistema em gestão territorial.
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- Universidades e empresas de tecnologia
- Laboratórios e times de engenharia que desenvolvem os modelos e os sensores.
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- Institutos ambientais nacionais
- Órgãos que traduzem indicador de biodiversidade em política pública.
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- Plataformas globais de dados
- Infraestrutura de processamento e distribuição aberta da informação.

Quem mais está nessa
Estes são os nomes por trás daquelas cinco categorias — a coligação inteira, como o próprio Amazon.ia a publica.
Lista de parceiros do Amazon.ia
- ALFA
- Andes Amazon Fund
- Arizona State University (Asner Lab)
- Bezos Earth Fund
- Conservación Amazónica (ACCA)
- Cornell Lab of Ornithology
- George Mason University (Luther Lab)
- Global Nature Watch
- INPA
- Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá
- Instituto Humboldt
- International Barcode of Life (iBOL)
- Massachusetts Institute of Technology (Beery Lab)
- Microsoft AI for Good Lab
- Planet Labs
- Smithsonian ForestGEO
- Tiputini Biodiversity Station
- Universidad San Francisco de Quito (Rivas Lab)
- Universitat Politècnica de Catalunya
- University of Guelph
- Wildlife Conservation Society Bolivia
- Wildlife Insights
- WildMon
- World Resources Institute
Lista publicada pelo próprio Amazon.ia e sujeita a atualização. Global Nature Watch · Amazon.ia
Onde o sinal reaparece
O que sai de um módulo na várzea não termina num disco rígido em Tefé. O Amazon.ia é publicado dentro do Global Nature Watch — plataforma global de acesso aberto a dados de natureza — e o Horizon é a interface por onde ele se consulta. Somado à leitura de satélite e ao que os demais parceiros trazem, o sinal reaparece ali, aberto para quem quiser ler.
Horizon
A plataforma orientada por inteligência artificial do Global Nature Watch, hoje em versão de pré-visualização. É por ela que a inteligência de biodiversidade do Amazon.ia chega a governos, comunidades, pesquisadores e organizações de conservação — inclusive de volta a quem instalou o sensor.
Para quem o dado serve
A meta do Amazon.ia é tornar a inteligência de biodiversidade tão acessível e acionável quanto o monitoramento de desmatamento já é hoje. Não se trata de coletar mais dados, e sim de transformar o que já existe em decisão.
Ao construir infraestrutura de propriedade local e capacidade analítica na própria região, a iniciativa mantém o controle da informação dentro da Amazônia. Um instituto sediado em Tefé, operando com a UPC a rede que instalou em casa, é a forma concreta disso.
Um alerta que chega a tempo
Receber o aviso de que a diversidade de mamíferos caiu bruscamente em um trecho da área protegida — e investigar a causa enquanto ainda há o que fazer.
Provar que a floresta volta
Demonstrar, com dado próprio e ao longo do tempo, que a diversidade de aves está se recuperando na área degradada que a comunidade restaurou.
Política guiada por indicador
Acompanhar se os indicadores de biodiversidade melhoram no conjunto das áreas protegidas e usar isso para orientar política pública e investimento.
Exemplos de uso descritos pelo próprio Amazon.ia. Global Nature Watch · Amazon.ia
Começa numa árvore, termina num bioma
Um módulo preso a uma samaumeira no médio Solimões não muda a Amazônia sozinho. Somado ao que as outras redes da coligação medem, lido junto com a visão de satélite, ele passa a fazer parte de uma resposta do tamanho do bioma. É esse o caminho que o Instituto Mamirauá percorre dentro do Amazon.ia.
Fontes dos números
Todo número desta página vem de fonte pública e nomeada. Onde a fonte não existe, o número não entrou.
- 1Global Nature Watch — Amazon.ia · Inteligencia Ambiental (atualizado em julho de 2026). Descrição da iniciativa, parceiros, casos de uso e o caso de Yasuní.
- 2Instituto Mamirauá — A primeira reserva do mundo monitorada em tempo real (10/11/2025). Módulos de 2ª geração e área coberta.
- 3Instituto Mamirauá — Uma década de cooperação científica internacional (29/04/2026). Dez anos de parceria com a UPC e plano 2026–2028.
- 4Instituto Mamirauá — Começaram os testes da tecnologia Providence na Amazônia (07/04/2017). Início dos testes de campo e transmissão por rádio.
- 5Erbs et al. (2025), Remote Sensing in Ecology and Conservation — Amazonian manatee critical habitat revealed by AI-based passive acoustic techniques. Precisão de até 98% na identificação das vocalizações do peixe-boi.
- 6XPRIZE — XPRIZE Rainforest. A equipe Providence+ foi uma das seis finalistas; não figura entre as premiadas.
- 7Instituto Mamirauá — Declaração de Mamirauá anunciada na COP30 (11/2025). Trinta organizações signatárias.
- 8SEMA-AM — RDS Mamirauá, CNUC/MMA e Áreas de atuação do Instituto Mamirauá. Áreas, atos legais e localização — inclusive a distância a Manaus e a Floresta Nacional de Tefé.
- 9SEMA-AM — RDS Amanã e CNUC/MMA. Área e ato legal.
- 10Instituto Mamirauá — Reserva Amanã reconhecida como sítio Ramsar. Corredor contíguo Mamirauá–Amanã–Jaú.
- 11Limites geográficos do mapa: CNUC / MMA — Unidades de Conservação (SIRGAS 2000). Rede hidrográfica: Natural Earth 10m.