Povos indígenas e comunidades locais da amazônia, cientistas e parceiros globais se unem em um marco para o monitoramento da biodiversidade
Belém, Brasil — [15/11/25]

Em um momento histórico para a conservação da Amazônia, povos indígenas, instituições científicas amazônicas, ONGs, governos e parceiros internacionais anunciaram, durante a COP30, a Declaração de Mamirauá — um compromisso inovador e coletivo para transformar a forma como a biodiversidade é monitorada, governada e protegida em toda a Bacia Amazônica.
A Declaração reúne vozes e instituições que nunca antes se alinharam sob uma estrutura unificada. Pela primeira vez, uma visão compartilhada ancorada na liderança Indígena, excelência científica e cooperação regional foi formalmente adotada — um marco que muitos consideram há muito esperado para a floresta tropical mais vital do mundo.
Até agora, 30 organizações — incluindo The Sense of Silence Foundation, WCS, WWF, Panthera, Fundação Alana, Imazon, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Museu Paraense Emílio Goeldi, New York University, Lobelia, Wildlife Insights, e XPRIZE — já assinaram a Declaração, com instituições adicionais comprometidas a se juntarem a esta aliança crescente.
“A Declaração de Mamirauá marca um ponto de virada”, disse Emiliano Ramalho, Diretor Técnico- Científico do Instituto Mamirauá.
“Ela reflete uma nova era de colaboração — ética, inclusiva e enraizada no conhecimento e nos direitos dos povos que protegem a Amazônia por milênios”, afirma Michel André, Diretor do Laboratório de Bioacústica Aplicada da UPC, e embaixador internacional do Instituto Mamirauá. Salienta ainda que “com esta declaração histórica pretendemos fornecer uma resposta unificada e rápida às exigências internacionais para a conservação da Amazônia”.
Uma Estrutura Transformadora para o Monitoramento da Biodiversidade
Guiados pelos princípios de governança participativa, parcerias equitativas, dados abertos éticos (FAIR, CARE, TRUST), inovação tecnológica, transparência e Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI), os signatários se comprometem com uma abordagem colaborativa, inclusiva e orientada pela ciência, a fim de contribuir com a proteção e regeneração da Amazônia para as futuras gerações através de:
- Criação de uma aliança sem precedentes unindo governos amazônicos, instituições científicas, Povos Indígenas e Comunidades Locais (PICLs), ONGs e o setor privado para salvaguardar a biodiversidade amazônica.
- Resposta a ameaças urgentes como desmatamento, mudanças climáticas e uso insustentável de recursos, estabelecendo um esforço coordenado de monitoramento transfronteiriço.
- Afirmação da importância ecológica global da Bacia Amazônica para a regulação climática, armazenamento de carbono, biodiversidade e patrimônio cultural.
- Reconhecimento dos direitos Indígenas, equidade intergeracional, sensibilidade de gênero e o valor do conhecimento tradicional combinado com a ciência moderna.
- Apelo a um sistema padronizado, interoperável e adaptativo de monitoramento da biodiversidade que permita a tomada de decisão baseada em evidências em toda a região.
- Baseando-se em estruturas internacionais: CBD, Acordo de Paris, Estrutura Global de Biodiversidade Kunming-Montreal e compromissos regionais como a Declaração de Belém e a OTCA.
Embora independente de qualquer projeto ou instituição individual, a Declaração compreende o papel crescente da ciência e da tecnologia quando implementadas de forma ética e colaborativa.
Um Novo Capítulo para a Conservação da Amazônia
O evento na COP30, apoiado pela Fundação XPRIZE, culminou na assinatura formal da Declaração de Mamirauá — um compromisso coletivo, onde muitos esperam e acreditam que possa se torne um pilar fundamental para a governança colaborativa da biodiversidade em toda a Bacia Amazônica nas próximas décadas.
“Este é um momento histórico”, disse Pedro Hartung, CEO da Fundação Alana e apoiador da Declaração. “Pela primeira vez, a Amazônia tem um roteiro compartilhado para o monitoramento da biodiversidade — criado pelas próprias pessoas e instituições que a administram”.
Sobre o Instituto Mamirauá
O Instituto Mamirauá de Desenvolvimento Sustentável é uma organização líder de pesquisa e conservação sediada na Amazônia, dedicada à ciência da biodiversidade, gestão baseada na comunidade e desenvolvimento sustentável.
Sobre o Laboratório de Bioacústica Aplicada (UPC)
O Laboratório de Bioacústica Aplicada (LAB) na Universidade Politécnica da Catalunha (UPC-BarcelonaTech) é um centro de pesquisa líder dedicado a estudar como as atividades humanas impactam os ecossistemas terrestres e aquáticos através do som. Combinando engenharia de ponta, ecologia e inteligência artificial, o LAB desenvolve tecnologias avançadas de monitoramento acústico em tempo real usadas mundialmente para proteger a biodiversidade, particularmente na Amazônia. Seu trabalho abrange ambientes marinhos, florestas tropicais e regiões polares, apoiando a conservação baseada na ciência, políticas e gestão sustentável de habitats naturais.
XPRIZE
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Contato de Mídia
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