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Soluções de comunitários para os impactos da seca no Médio Solimões

Escrito por

Grupo de Pesquisa em Geociências e Dinâmicas Ambientais na Amazônia

Publicado em

25/09/24

O Instituto Mamirauá, em parceria com a Central das Associações de Moradores e Usuários da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã (CAMURA) e a Federação dos Manejadores e Manejadoras de Pirarucu da Região de Mamirauá (FEMAPAM), lançou um documento com recomendações para gestores acerca dos impactos da seca na região do Médio Solimões, interior do estado do Amazonas. O documento foi produzido a partir de dois eventos, chamados de Oficinas Pré-Seca, realizados em agosto na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, município de Maraã. 

Se em 2023 a seca gerou impactos sem precedentes nas populações ribeirinhas e ecossistemas aquáticos de toda a Amazônia, a chegada antecipada de uma nova seca extrema em 2024 evidencia a necessidade de adoção de soluções urgentes para lidar com os impactos da crise climática. Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, localizada na região do Médio Solimões, as consequências foram imensas, afetando a população ribeirinha em grande escala e em diversos aspectos. Dificuldades ao acesso à água, aos alimentos e à saúde, o escoamento das produções, foram alguns dos inúmeros impactos da estiagem que afetaram diretamente as comunidades da Reserva Amanã.

Tendo em vista essa problemática, o Instituto Mamirauá, em parceria com a Central das Associações de Moradores e Usuários da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã (CAMURA) e a Federação dos Manejadores e Manejadoras de Pirarucu da Região de Mamirauá (FEMAPAM), realizaram duas Oficinas Pré-Seca entre os dias 01 e 02 de agosto de 2024. O intuito foi debater e refletir sobre as possíveis ações que possam amenizar os impactos da seca severa deste ano, assim como na eventualidade de secas futuras. 

Desta forma, 51 lideranças comunitárias de seis setores da reserva se reuniram e propuseram 24 soluções para diminuir esses impactos. As soluções abordam problemáticas como o acesso à água, infraestrutura, produção agrícola e pesqueira, saúde, alimentação e educação durante estiagens. Dentre as ações propostas pelos comunitários, estão a capacitação dos comunitários para tratamento emergencial de água do rio, a distribuição de uma bomba d’água tipo sapo para cada comunidade, a perfuração de poços artesianos em comunidades de terra firme (idealmente 70 metros de profundidade). Também entre as recomendações está a disponibilização, com antecedência, da cota de combustível fornecido por órgãos da administração pública para o período da seca, para ser usado no gerador de luz, a disponibilização de canoas de alumínio de 9 a 10 metros de comprimento, a solicitação de apoio do Exército e/ou Marinha (helicóptero e/ou lancha) para deslocar pessoas em estado grave de saúde e adaptação do calendário escolar para o período da seca.

O documento “Secas na Reserva Amanã: Soluções de comunitários para a crise climática no Médio Solimões – Orientações para gestores públicos” não contém apenas reflexões e propostas para enfrentamento da crise climática na Amazônia central, mas principalmente dá voz aos ribeirinhos, para que estes sejam os protagonistas das respostas e adaptações à emergência climática que continuará afetando a região pelos próximos anos.

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Texto: Grupo de Pesquisa em Geociências e Dinâmicas Ambientais na Amazônia

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