Produção de mel: Projeto REMANSO inicia ações no Amazonas para fortalecer meliponicultores do Médio Solimões

Iniciativa já levou seis comunidades ribeirinhas para o II Congresso Amazonense de Meliponicultura, promovendo intercâmbio de experiências e acesso a novos conhecimentos para fortalecer a cadeia produtiva do mel de abelhas nativas sem ferrão.

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O fortalecimento da meliponicultura no Médio Solimões está entre as ações do projeto REMANSO (Rede de Manejo da Sociobiodiversidade), desenvolvido pelo Instituto Mamirauá, com recursos do Fundo Amazônia e gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A iniciativa busca ampliar os conhecimentos técnicos dos produtores, melhorar a qualidade dos produtos e criar oportunidades para a regularização da comercialização do mel e de outros produtos das abelhas nativas sem ferrão, contribuindo para a geração de renda e o uso sustentável da biodiversidade amazônica.

Uma das primeiras atividades voltadas ao fortalecimento dessa cadeia produtiva foi a participação de 12 meliponicultores da Floresta Nacional de Tefé (FLONA Tefé) e entorno no II Congresso Amazonense de Meliponicultura, realizado de 22 a 25 de julho de 2026, em Manaus. A caravana contou também com três analistas do Instituto Mamirauá, totalizando 15 participantes.

Para Fernanda Viana, coordenadora do Programa de Manejo de Agroecossistemas (PMA) do Instituto Mamirauá, a chegada do projeto REMANSO à região representa uma oportunidade de fortalecer a cadeia produtiva da meliponicultura, ampliar as possibilidades de regularização dos produtos das abelhas nativas, facilitar o acesso aos mercados e incentivar os meliponicultores das comunidades a diversificar a produção, investindo em produtos como pólen e própolis, além do mel que já coletam.

“Sabemos que o mel é um produto consumido no mundo inteiro. Ter, na nossa região, a oportunidade de fortalecer e apoiar a estruturação da cadeia da meliponicultura na região do Médio Solimões é uma grande oportunidade para dar visibilidade à atividade, apoiar a regularização dos meliponicultores e seus produtos, valorizar o trabalho e gerar novas perspectivas de renda para as comunidades.”

A atividade reuniu representantes de seis comunidades: Monte Moriá, São Francisco do Arraia, Quilombo São Francisco do Bauana, Bom Jesus e Estirão do Curumitá, da região da FLONA Tefé e seu entorno, e a comunidade Missão, localizada na Boca de Tefé. A participação proporcionou contato com outros meliponicultores e profissionais que atuam com abelhas nativas há anos na Amazônia, além de oportunizar aos participantes o contato com pesquisas, tecnologias sociais e experiências relacionadas ao manejo de abelhas sem ferrão, à conservação da biodiversidade e ao desenvolvimento da atividade como alternativa econômica sustentável.

Conhecimento técnico e novas oportunidades

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Durante o congresso, os participantes acompanharam palestras, painéis temáticos, oficinas e apresentações científicas sobre temas como organização e gestão de meliponários, boas práticas de produção e conservação do mel, regularização da atividade e valorização dos produtos das abelhas sem ferrão.

A programação também incluiu uma oficina sobre produção e maturação do mel e visitas técnicas ao Instituto Federal do Amazonas (IFAM), Campus Zona Leste de Manaus, onde os participantes conheceram procedimentos laboratoriais para análise da qualidade dos produtos das abelhas e os requisitos técnicos e sanitários para o processamento e a comercialização. Os meliponicultores também conheceram um espaço de comercialização dos produtos. Outra atividade ocorreu no Meliponário Alvorecer, na zona rural de Manaus, com demonstrações de técnicas de manejo, alimentação suplementar e divisão de colônias.

O intercâmbio permitiu identificar conhecimentos que poderão ser incorporados às próximas ações de assessoria técnica e capacitações que serão realizadas pelo Instituto Mamirauá junto aos meliponicultores da região. Entre as possibilidades estão o aprimoramento das práticas de manejo, o planejamento dos meliponários e das áreas de criação de abelhas, melhorias no processo de beneficiamento, na qualidade do mel, na sua regularização e na valorização comercial dos produtos.

Fortalecimento da cadeia produtiva

No âmbito do REMANSO, as ações de meliponicultura são desenvolvidas com a Associação de Moradores e Produtores Agroextrativistas da FLONA de Tefé e Entorno (APAFE), que representa o grupo de meliponicultores contemplado pelo projeto. A proposta prevê fortalecer a articulação entre produtores da FLONA e outros produtores da região, organizações comunitárias e mercados locais e regionais.

Para José Edson, meliponicultor da comunidade São Francisco do Arraia, localizada na FLONA de Tefé, a participação no intercâmbio representou uma oportunidade de aprimorar as práticas de manejo e ampliar os conhecimentos sobre a atividade.

“Trabalho com a comunidade há 14 anos na meliponicultura, e a renda que conseguimos com a atividade já ajuda a pagar nossas dívidas. Com a participação nessa atividade, pude aprender mais com outras pessoas e adquirir conhecimentos que compartilhei com a comunidade”, relatou.

Entre as iniciativas previstas estão o acompanhamento técnico, o incentivo às boas práticas de colheita, manuseio e armazenamento do mel e do pólen, o aprimoramento de práticas de beneficiamento, o levantamento de informações sobre a produção, o apoio à regularização dos meliponários e seus produtos, a melhoria dos produtos e a identificação de oportunidades de comercialização. O projeto também prevê treinamentos e assessoria técnica para meliponicultores e a realização de um Encontro Regional com criadores de abelhas e profissionais da meliponicultura da região do Médio Solimões para compartilhar experiências e discutir estratégias para o desenvolvimento da atividade.

Sobre o projeto REMANSO

O REMANSO é uma iniciativa do Instituto Mamirauá voltada ao fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis e inclusivas na Amazônia. Além da meliponicultura, o projeto contempla as cadeias do manejo sustentável do pirarucu, do manejo sustentável do jacaré e dos recursos florestais madeireiros, com ações de assessoria técnica, capacitação, gestão dos negócios e ampliação do acesso a mercados.

A iniciativa conta com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e busca fortalecer as organizações comunitárias, ampliar a autonomia dos produtores e contribuir para a conservação da sociobiodiversidade amazônica.

Em parceria com o Instituto Mamirauá, as iniciativas também estão vinculadas a ações dos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC); e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Escrito por

Instituto Mamirauá

Publicado em

03/11/26