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Plantar e ensinar: Instituto Mamirauá incentiva a construção de viveiros educativos na Amazônia

Escrito por

João Cunha

Publicado em

07/03/17

“Olha como estão grandes os pés de café”, fala Jucinéia Silva enquanto mostra, orgulhosa, as mudas cultivadas às dezenas no quintal. Lado a lado, estão exemplares de apuruí, batata e tucumã, que ela vai nomeando com a mesma facilidade que sabe, só de olhar, a diferença entre uma canoa de itaúba (que ela aponta como a melhor das madeiras para navegação) e uma falsificação, feita de bacuri. “Esse conhecimento das plantas e árvores que eu gostaria que os jovens daqui tivessem para não serem enganados”, diz.

Jucinéia é agricultora e professora na comunidade Ubim, às margens do Lago Amanã, no Amazonas e, no último dia 21 de fevereiro, planejou junto com membros das sete famílias do lugar e a equipe de Educação Ambiental do Instituto Mamirauá a construção de um viveiro educativo para a escola.

Espaços de produção e plantio de mudas de plantas, os viveiros vão muito além disso, estimulando o aprendizado, como conta a educadora ambiental do Instituto Mamirauá, Cláudia Barbosa. “Os viveiros podem ter efeito educativo, quando usados em parceria com os conteúdos curriculares, como o ensino da importância de conservar as espécies, tanto as frutíferas, como as madeireiras”.

Os modos de vida, atividades econômicas das comunidades ribeirinhas e a sustentabilidade são outros temas incentivados pela metodologia dos viveiros educativos, propostos no Projeto Cantinho da Ciência. Essa linha de ação é desenvolvida há anos pelo Instituto Mamirauá e conta com o financiamento do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A visita e assessoria à comunidade do Ubim deu início às atividades do calendário de 2017.

Um pé de quê? – Reunidos na sala da casa de Washington Araujo, presidente da comunidade, parte dos moradores do Ubim decidia o que plantar no novo viveiro. “É bom a gente ter de tudo um pouco, aí o que quiser a gente vai ter, mas o meu forte é a castanha”, opina Washington. Já Jucinéia prefere o assacu-roxo. O patriarca Raimundo Norberto, o “Seu Mimi”, quer uns bons pés de piquiá. Preferências de uma comunidade que leva as questões da terra até no nome. “Ubim” é um tipo de palha que foi muito utilizada pelos antigos habitantes construírem suas moradias.

Gostos à parte, aos poucos, o plano do viveiro educativo vai se formando. Cada espécie desejada tem um tempo certo para a coleta das sementes, de acordo com a disponibilidade de frutos na floresta. Algumas podem ser apanhadas agora mesmo em fevereiro, outras só a partir de maio. As que não existem no Ubim, a troca de sementes com comunidades vizinhas resolve. Todos decidem que o viveiro vai ser instalado depois da área de baixada, um cuidado que tem em vista a variação do nível da água dos rios. Latas, bacias velhas e até canoas que já saíram de circulação vão ser reaproveitadas para fazer os canteiros.

O processo vai ser acompanhado pela equipe de Educação Ambiental, uma das linhas do Programa de Gestão Comunitária (PGC) do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). A visita seguinte da equipe está marcada para próximo mês de maio, tempo de conferir a construção dos canteiros e como anda a coleta de sementes, além da entrega de alguns materiais para o viveiro. Em agosto, está programada uma terceira visita técnica, para o plantio das mudas do viveiro em áreas de floresta no entorno da comunidade do Ubim.

O conceito e o passo a passo da construção de um viveiro educativo estão reunidos nas cartilhas “Educação e ambiente: aprendendo com viveiros educativos” e “Na comunidade eu aprendo: conservando o nosso ambiente , produzidas pelo Instituto Mamirauá. As duas estão disponíveis para download gratuito em nosso site.

Texto: João Cunha

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