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Oficina no Instituto Mamirauá capacita pesquisadores para organização e divulgação de dados sobre a biodiversidade amazônica

Escrito por

Instituto Mamirauá

Publicado em

30/10/26

Atividade realizada em Tefé reuniu pesquisadores e especialistas para padronizar e ampliar a disponibilização de dados científicos da instituição em uma plataforma nacional de biodiversidade

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Organizar e ampliar o acesso ao conhecimento científico produzido na Amazônia foi o objetivo de uma oficina técnica realizada nos dias 27, 28 e 29, no Instituto Mamirauá, em Tefé (AM). A iniciativa busca capacitar pesquisadores para a organização e padronização de diferentes tipos de dados sobre a biodiversidade, utilizando o padrão internacional Darwin Core, que facilita o compartilhamento e a integração de informações científicas em plataformas de biodiversidade. No Brasil, os dados de biodiversidade são disponibilizados no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), plataforma vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

A atividade reuniu pesquisadores e equipes técnicas de diferentes áreas do Instituto, com foco na organização, estruturação e publicação de dados científicos. Os conjuntos de dados abordados incluíram registros das coleções científicas do Instituto Mamirauá, além de dados ecológicos provenientes de projetos de pesquisa e monitoramento da biodiversidade em campo.

O Instituto Mamirauá possui um acervo de oito coleções biológicas e desenvolve um programa de monitoramento socioecológico integrado, que reúne informações sobre as espécies e os ecossistemas na região do Médio Solimões. Os dados ecológicos são coletados seguindo protocolos padronizados, que incluem desde medições da vegetação e armadilhas para captura de insetos até câmeras fotográficas e gravadores acústicos para registro de imagens e sons, com o apoio de ferramentas de inteligência artificial para identificação de espécies.

As iniciativas de monitoramento ambiental e da biodiversidade do Instituto Mamirauá estão vinculadas ao Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD) e ao Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio), ambos do MCTI. Essas atividades também se articulam com iniciativas internacionais de monitoramento da biodiversidade, como o Projeto Providence e a iniciativa Amazon.ia, que buscam integrar tecnologias e ferramentas de inteligência artificial ao monitoramento da biodiversidade. Nesse contexto, a oficina contribuiu para a estratégia institucional de consolidação, padronização e ampliação do acesso aos bancos de dados de biodiversidade produzidos no âmbito desses programas e iniciativas.

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O diretor técnico-científico do Instituto Mamirauá, Rafael Rabelo, destaca o caráter pioneiro da iniciativa no âmbito do PELD e do PPBio, especialmente na construção de modelos e procedimentos para a padronização de dados ecológicos no formato internacional Darwin Core. A expectativa é que os modelos desenvolvidos durante a oficina possam ser utilizados como referência por outros sítios de pesquisa e monitoramento vinculados a esses programas em diferentes regiões da Amazônia e do Brasil.

“Estamos construindo modelos padronizados que poderão ser replicados em outros sítios do PELD e nas redes de pesquisa do PPBio. Isso representa um avanço importante para a integração dos dados ecológicos produzidos por diferentes grupos de pesquisa, facilitando seu compartilhamento e ampliando as possibilidades de análises científicas em escalas regionais e nacionais”, explica Rafael.

Segundo o diretor, a iniciativa também está alinhada aos princípios internacionais FAIR, que orientam a produção de dados localizáveis, acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis, e CARE, que enfatizam os benefícios coletivos, a autoridade para controlar os dados, a responsabilidade e a ética em sua gestão.

“Queremos ampliar o acesso aos dados de biodiversidade produzidos na Amazônia, mas também garantir que esse processo reconheça os direitos e os interesses das comunidades e instituições responsáveis por sua produção. A disponibilização dos dados deve promover não apenas o avanço do conhecimento científico, mas também seu uso ético e responsável”, ressalta.

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Mais visibilidade para a ciência amazônica

A capacitação foi ministrada por Clara Baringo Fonseca, gestora de dados em biodiversidade da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), instituição responsável, em parceria com outras organizações, pela gestão da plataforma do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Durante a oficina, Clara orientou os pesquisadores na organização, padronização e preparação dos conjuntos de dados para publicação na plataforma.

Segundo Clara, a iniciativa busca ampliar a visibilidade e o reconhecimento da produção científica do Instituto Mamirauá, permitindo que as informações geradas na região sejam utilizadas por pesquisadores e gestores públicos, contribuindo para a formulação de políticas ambientais e de conservação da biodiversidade.

“O objetivo do curso aqui é dar suporte ao Instituto Mamirauá, organizar os dados de pesquisa e coleções biológicas da instituição, para dar visibilidade ao Mamirauá em nível nacional e internacional e para que esses dados sejam utilizados para políticas públicas ambientais e de biodiversidade”, destaca.

Durante a oficina, os participantes trabalharam com modelos padronizados de planilhas, organização de metadados e boas práticas para a publicação de dados científicos, seguindo o padrão internacional Darwin Core. A capacitação também permitiu avançar na disponibilização de conjuntos de dados que já haviam passado pelas etapas necessárias de organização e validação.

Clara destaca que alguns desses conjuntos de dados já foram publicados na plataforma, enquanto outros continuam em fase de preparação. Os conjuntos finalizados recebem um DOI (Identificador de Objeto Digital), código permanente que permite localizar, acessar e citar os dados em trabalhos científicos, garantindo o reconhecimento de seus responsáveis.

“Conseguimos publicar vários conjuntos de dados”, afirma Clara, ressaltando que o aprendizado também contribuirá para melhorar a organização das informações desde o trabalho de campo. Com os modelos e orientações apresentados, os pesquisadores poderão estruturar suas planilhas e registros de maneira mais adequada, facilitando futuras publicações e evitando retrabalho.

De acordo com Clara, a plataforma registra mais de 30 mil acessos mensais e permite que os dados disponibilizados sejam consultados por pesquisadores no Brasil e em outros países, respeitando as licenças de uso e as condições de citação estabelecidas para cada conjunto.

Avanços na gestão e no compartilhamento de dados científicos

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A oficina representa mais um passo na consolidação de uma estratégia institucional de gestão, padronização e compartilhamento de dados científicos no Instituto Mamirauá. Além de ampliar a visibilidade do conhecimento produzido na Amazônia, a iniciativa busca fortalecer a integração entre diferentes bases de dados e redes de pesquisa, contribuindo para o avanço do conhecimento científico e para a conservação da biodiversidade.

A oficina foi organizada pelo Instituto Mamirauá, no âmbito dos programas de pesquisa e monitoramento da biodiversidade desenvolvidos pela instituição, incluindo o PELD e o PPBio, em articulação com as iniciativas mencionadas. A atividade contou ainda com o apoio da iniciativa Amazon.ia e com a colaboração técnica da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), responsável pela capacitação sobre a padronização e publicação dos dados no SiBBr.

Sobre o Instituto Mamirauá

Com sede em Tefé (AM), o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá é uma organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A instituição desenvolve pesquisas científicas e ações de manejo participativo dos recursos naturais, integrando a conservação da biodiversidade à melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas.

Fotos: Tácio Melo | Instituto Mamirauá

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