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Nova espécie de primata é descoberta na Amazônia brasileira

Escrito por

Amanda Lelis

Publicado em

09/03/15

Uma faixa grisalha na testa, costeletas e garganta em cor ocre e uma cauda cor de fogo. Essas são algumas características do novo primata descoberto na região da Amazônia brasileira. Do gênero Callicebus, popularmente reconhecido como Zogue-zogue, o pequeno primata foi apelidado de Rabo de Fogo. O estudo, que teve início em 2011 com a descoberta da espécie, foi divulgado recentemente com a publicação da sua descrição.

A publicação na revista científica Papéis Avulsos de Zoologia, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), traz a descrição completa da nova espécie de primata que foi nomeada Callicebus miltoni, em homenagem ao Dr. Milton Thiago de Mello em reconhecimento a sua contribuição ao desenvolvimento da primatologia. Callicebus é um dos gêneros de primatas neotropicais mais diverso em número de espécies, com 31 reconhecidas atualmente.

A distribuição geográfica da espécie recém-descoberta é o interflúvio dos rios Roosevelt e Aripuanã, nos estados do Mato Grosso e Amazonas. “Os rios são importantes barreiras para a dispersão dos zogue-zogues da Amazônia. Este é um dos fatores que interfere na diversidade do número de espécies desse gênero. Esse número tende a aumentar tanto devido às novas descobertas, quanto às revisões taxonômicas em andamento que consideram parâmetros morfológicos e moleculares”, ressalta Felipe Ennes, pesquisador do Instituto Mamirauá e um dos autores do estudo.

A publicação é um trabalho conjunto dos pesquisadores Felipe Ennes, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, Júlio César Dalponte, do Instituto para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais (Pró-Carnívoros) e de José de Souza e Silva Júnior, conhecido como Cazuza, coordenador de Zoologia do Museu Paraense Emílio Goeldi.

O esforço para a descrição do Zogue-zogue Rabo de fogo teve início em 2011, quando Júlio Dalponte realizou a expedição Guariba-Rosevelt e percorreu extensas áreas ao longo desse rio, até que se deparou com a espécie, e notou características diferenciadas dos outros zogue-zogues da região. Na época, um espécime coletado para fins cientí­ficos comparativos foi analisado no Museu Emílio Goeldi e reconhecido como uma nova espécie pelo primatólogo Dr. José de Souza e Silva Júnior. A partir daí, deu-se início aos esforços para identificação do animal.

Cazuza foi aluno do Dr. Milton Thiago de Melo e idealizador do nome científico da nova espécie. “Tenho imensa admiração e respeito pelo professor Milton, que continua com a sua disposição para realizações, sendo atualmente o presidente da Academia Brasileira de Medicina Veterinária. Uma das suas obras mais admiráveis foi a formação da grande maioria dos primatólogos atualmente coordenando grupos de pesquisa no Brasil e em outros países através dos cursos de especialização em Primatologia, oferecidos pela Universidade de Brasí­lia e a Sociedade Brasileira de Primatologia”, enfatizou.

O pesquisador Felipe Ennes realizou a amostragem na região de confluência dos rios Roosevelt-Aripuanã e Guariba-Aripuanã, no sul do Amazonas. “Além da coleta de outros indivíduos para comparação (parátipos) também me empenhei nos registros do limite norte da distribuição da espécie. Enquanto Dalponte registrava a distribuição da a espécie na região sul, próximo às cabeceiras do Roosevelt e Aripuanã, no Mato Grosso. Este esforço em conjunto possibilitou a descrição formal da espécie pelo taxonomista Cazuza”, reforçou o pesquisador.

De acordo com Felipe, a identificação dessa nova espécie é uma importante contribuição para o conhecimento científico da biodiversidade amazônica. “A falta de conhecimento é uma ameaça tão grande quanto a perda de habitat, a caça e outros fatores. Esse é um animal recém-descoberto que já podemos considerar em situação de vulnerabilidade. Ele ocorre em uma área de ávido desmatamento com o avanço da agropecuária na região do Mato Grosso e Rondônia”, afirmou.

A identificação da nova espécie foi possível em razão da parceria entre o Instituto Mamirauá e as instituições: World Wildlife Fund Brazil, Conservation Leadership Programme, Conservation International, Idea Wild, International Primatological Society, Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, e o Museu Paraense Emílio Goeldi.

Texto: Amanda Lelis

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