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No segundo dia de simpósio, palestras demonstram resultados consolidados de pesquisas

Escrito por

Instituto Mamirauá

Publicado em

02/07/15

No segundo dia do Simpósio sobre Conservação e Manejo Participativo na Amazônia (Simcon), as iniciativas para conservação da bacia Amazônica tiveram destaque entre as apresentações. O evento, que está na 12ª edição, é realizado anualmente pelo Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em Tefé (AM), e contou com a participação de cerca de 300 pessoas.

No período da manhã, o pesquisador Emiliano Esterci Ramalho ministrou a palestra “As onças d’água”, apresentando os resultados dos trabalhos realizadas pelo Grupo de Pesquisa Ecologia e Conservação de Felinos na Amazônia, do Instituto Mamirauá. Em sua apresentação, ele destacou a importância do desenvolvimento de pesquisas visando a conservação dos grandes felinos, pois são espécies que possuem, em geral, baixas densidades naturais, necessitam de alta demanda alimentar, de grandes áreas de vida, desempenham baixa fecundidade, além de apresentarem potencial ameaça aos seres humanos, características que intensificam a vulnerabilidade desses animais.

Emiliano também enfatiza que o Brasil representa 60% da área de distribuição da onça-pintada e por isso o país e especificamente a Amazônia necessitam ser foco das pesquisas e dos trabalhos visando a conservação da espécie. “É importante entender o contexto social e considerar os atores envolvidos para solucionar a problemática de conservação da onça-pintada”, afirmou o pesquisador, enfatizando a importância de se ponderar a coexistência entre as comunidades ribeirinhas e animais silvestres nas regiões amazônicas.

Durante a apresentação, Emiliano falou sobre os resultados da pesquisa do Instituto, que demonstrou que nas florestas inundáveis da Amazônia, durante o período da cheia, as onças-pintadas permanecem em cima das árvores cerca de três meses por ano. Não há registros de que esse tipo de comportamento ocorra em outras partes do mundo.

Na parte da tarde, o diretor da Wildlife Conservation Society (WCS), Carlos César Durigan, apresentou o projeto SNAP – Grupo de Trabalho Amazônia Ocidental. Durigan enfatizou, durante sua apresentação, que a WCS trabalha com projetos com foco na “manutenção da conectividade desse vasto, interligado e dinâmico sistema de água doce, base de sustentação para o bem-estar humano e para a vida selvagem”.

Durigan citou as três principais linhas de preocupação para a criação dessa iniciativa: a pesca na região, reforçada pelas ameaças da sobrepesca e a falta de instruções normativas rígidas para a atividade; as grandes frentes voltadas aos projetos de infraestrutura, como é o caso da exploração mineral, de petróleo e gás, e também hidrelétricas que afetam as bacias hidrográficas; e as mudanças climáticas e seus efeitos na região.

O pesquisador comentou que as iniciativas de conservação das paisagens aquáticas devem atender à larga dimensão da bacia Amazônica. “Não podemos falar da Amazônia sem considerar a conectividade hídrica geográfica e regional. É necessário trabalhar estratégias de manejo integrado de bacia hidrográfica”, reforçou. Entre os objetivos do projeto, a equipe propõe consolidar uma base de informação e dados sobre esses ambientes, como a restituição de habitats, qualidade da água, distribuição espacial e temporal das águas e padrões de uso.

Uso sustentável dos recursos naturais

A relação de uso dos recursos naturais pelas populações amazônicas também foi tema de destaque no segundo dia do Simpósio. Entre as apresentações orais, esteve a pesquisadora do Instituto Mamirauá, Fernanda Viana, falando sobre o uso da floresta e o manejo de agroecossistemas na agricultura migratória em terra firme na Reserva Amanã (AM). Essas ações fazem parte do projeto “Participação e Sustentabilidade: o Uso Adequado da Biodiversidade e a Redução das Emissões de Carbono nas Florestas da Amazônia Central” – BioREC – desenvolvido pelo Instituto Mamirauá com financiamento do Fundo Amazônia.

Em seguida, a pesquisadora Isabel Sousa, apresentou as diferentes concepções de territorialidade e gestão do complexo de lagos Jarauá, na Reserva Mamirauá. Citando, por exemplo, as atividades de geração de renda para a população, como a pesca manejada de pirarucu e a organização da Associação de Produtores do Jarauá para realização dessa e de outras atividades. A pesquisa é realizada em parceria com a Universidade Federal do Pará e com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A arqueologia também foi foco das exposições, com três pesquisas apresentadas. Entre os temas, os trabalhos tratavam dos contextos de ocupação humana nas várzeas do Solimões e a análise de estilo e iconografias de urnas funerárias encontradas no Sítio Tauary, localizado na Reserva Mamirauá (AM). O Simpósio continua até o dia 03 de julho na sede do Instituto Mamirauá, em Tefé (AM). O evento reúne especialistas para apresentação de trabalhos, palestras e minicursos. O simpósio é transmitido ao vivo pela internet, e pode ser acompanhado no endereço: www.mamiraua.org.br/web.

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