Os participantes foram avaliados pelo Instituto Mamirauá, e a maioria recebeu a certificação, incluindo mulheres. A iniciativa fortalece a qualificação técnica e contribui para o manejo sustentável da espécie.

Dos 31 participantes, 23 foram aprovados no processo de certificação de contadores de pirarucu, realizado pelo Instituto Mamirauá com o financiamento do Fundo Vale, em outubro, no Amazonas. Entre os aprovados, oito são mulheres. Neste ano, o índice de aprovação foi superior a 74%. A iniciativa contribui para avaliar a precisão da contagem de pirarucu, etapa fundamental para o planejamento e a execução do manejo sustentável da espécie.
A atividade foi realizada em 12 de outubro, oportunizando a participação de representantes da Associação dos Trabalhadores Rurais de Juruá (ASTRUJ) e de comunidades assessoradas pelo Instituto Mamirauá, incluindo participantes indígenas. A avaliação prática ocorreu no território da Aldeia Boca do Jurupari, na região do rio Japurá, no Médio Solimões.
A técnica de contagem permite estimar a população de pirarucus nos lagos e contribui para a definição das cotas de pesca autorizadas. A metodologia é fundamentada em conhecimentos científicos e tradicionais e pode ser consultada na cartilha Contagem e Censo Populacional de Pirarucu, disponibilizada pelo Instituto Mamirauá para auxiliar os manejadores durante a formação e em atividades futuras.
A atividade ocorreu com apoio do projeto Sustenta.Bio, uma parceria entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Fundo Vale, iniciativa que apoia e fortalece as economias da sociobiodiversidade e a pesca artesanal em Unidades de Conservação de uso sustentável e Terras Indígenas na Amazônia. Somados ao Instituto Mamirauá, foi desenvolvido o projeto “Fortalecimento da Gestão de Recursos Naturais para Proteção e Desenvolvimento Territorial em Unidades de Conservação de Uso Sustentável da Amazônia Central”, direcionado a Associação dos Trabalhadores Rurais de Juruá (ASTRUJ), a Associação Agroextrativista de Auati-Paraná (AAPA) e a Associação dos Produtores Agroextrativistas da Flona Tefé e Entorno (APAFE).

Para Marioneide Alves, moradora da comunidade Igarapé do Branco, na Reserva Extrativista do Baixo Juruá, no município de Juruá, a capacitação também é uma oportunidade de adquirir experiência e aprimorar os conhecimentos por meio da prática em campo.
“Vim buscar mais experiência, porque não adianta fazer um curso e não botar em prática; nós mulheres precisamos desse conhecimento”, afirma Marioneide.
Para Brenda Meireles, Me. zootecnista, analista de pesquisa e desenvolvimento do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá e ponto focal do projeto Sustenta.Bio na instituição, o engajamento e a dedicação dos participantes foram fundamentais para os resultados alcançados. “Vimos um forte envolvimento dos indígenas da aldeia Boca do Jurupari e dos demais participantes, que se dedicaram e deram o seu melhor durante as atividades, contribuindo para os bons resultados da certificação”, destaca.
Para participar da certificação, primeiro, os participantes recebem a formação sobre a metodologia de contagem, que inclui uma avaliação prática em campo. Para ser aprovado na certificação, é necessário demonstrar precisão na estimativa da quantidade de pirarucus observados, respeitando uma margem de erro de até 30% para mais ou para menos em relação aos peixes contabilizados no arrasto.
Para Ana Cláudia Torres, Me. especialista em conservação dos recursos naturais, coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, a certificação representa o reconhecimento da capacidade técnica dos participantes. “A gente considera a certificação um reconhecimento do desempenho e da precisão da contagem realizada pelos contadores”, explica.
Mulheres ampliam participação no manejo

A certificação de oito mulheres em uma mesma turma destaca a ampliação da participação feminina na contagem de pirarucu e a importância da formação para o fortalecimento das comunidades envolvidas no manejo sustentável. A primeira mulher certificada nessa atividade foi Raimunda Ferreira Meireles, da comunidade Paraíso - Setor Joacaca – Acordo de Pesca do Seringa, em 2022. Desde então, a presença feminina vem ganhando espaço na qualificação técnica e na gestão dos recursos pesqueiros.
A participante Lucilene Batalha, integrante do Acordo de Pesca Marumaruá-Atapi, da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, destaca a importância de ampliar os conhecimentos e compartilhá-los com a família e a comunidade.
“Para mim, é uma honra estar aqui, levar o melhor e explicar para os meus parceiros, meus filhos e meus netos, que são o futuro do meu acordo lá da minha reserva”, conta Lucilene.
Além de reconhecer a capacidade técnica das participantes, a formação contribui para fortalecer o envolvimento das comunidades no monitoramento dos estoques pesqueiros e na continuidade do manejo sustentável.

Certificação e manejo sustentável
O processo de certificação de contadores de pirarucu teve início em 2005, sete anos após a primeira experiência de manejo em Jarauá. Atualmente, o Instituto Mamirauá é a única instituição que realiza formalmente esse tipo de certificação no Amazonas, atendendo a demandas de diferentes territórios.
A realização das avaliações depende das condições do nível da água, que precisam permitir o acesso aos lagos e a observação dos animais. Em 2024, condições hidrológicas desfavoráveis impediram a realização da atividade.
A certificação busca garantir maior precisão às estimativas populacionais e fortalecer o planejamento do manejo, contribuindo para a sustentabilidade da pesca. Além das atividades práticas, o Instituto Mamirauá promove a participação comunitária e o compartilhamento de conhecimentos fundamentais para a conservação do pirarucu na Amazônia, por meio de eventos, intercâmbios de experiências e materiais educativos, como manuais e cartilhas.
Para saber mais sobre as atividades de contagem e manejo do pirarucu, acesse a cartilha Contagem e Censo Populacional de Pirarucu, disponível para consulta no site do Instituto Mamirauá: https://mamiraua.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Cartilha-Contagem-de-Pirarucu-DIGITAL.pdf
Sobre o Instituto Mamirauá
Com sede em Tefé (AM), o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá é uma organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A instituição desenvolve pesquisas científicas e ações de manejo participativo dos recursos naturais, integrando a conservação da biodiversidade à melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas.
Fotos: Tácio Melo | Instituto Mamirauá
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