©

Modelo de saneamento para residências flutuantes é apresentado durante simpósio do Instituto Mamirauá

Escrito por

Amanda Lelis

Publicado em

02/07/15

Pesquisadores do Instituto Mamirauá testaram e adaptaram uma tecnologia de tratamento de esgoto adequada e viável financeiramente para residências flutuantes na Amazônia. Os resultados dessa pesquisa, realizada por quatro anos pelo Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, foram apresentados no 12º Simpósio sobre Conservação e Manejo Participativo na Amazônia (Simcon). O evento acontece até amanhã, dia 3 de julho, e está sendo transmitido ao vivo pela internet no endereço www.mamiraua.org.br/web
No ambiente de várzea, as famílias das comunidades ribeirinhas da Amazônia precisam adaptar suas moradias para viverem em conformidade com a sazonalidade dos rios. As residências flutuantes, que nada mais são que casas sobre os rios, muito comuns na região, acompanham a dinâmica fluvial de enchente, cheia, vazante e seca. No entanto, a falta de tecnologias adequadas de saneamento expõe essa população a uma série de riscos, tendo em vista a saúde e qualidade de vida das famílias, além de impactar diretamente na qualidade ambiental da região.
“A ideia dessa pesquisa é apresentar um dispositivo para que os impactos no ambiente pelo esgoto sejam minimizados, principalmente pela questão da saúde. O objetivo é tentar eliminar esses ciclos de doenças de veiculação hídrica, ou seja, reduzir a contaminação de patógenos na água, melhorando a qualidade de vida das famílias”, afirma João Paulo Borges Pedro, pesquisador do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Para chegar a um modelo adequado de tecnologia, a equipe trabalhou com o sistema de tratamento de esgoto da Pousada Flutuante Uacari, empreendimento de turismo de base comunitária localizado na Reserva Mamirauá. O sistema, que já existia na pousada e adaptado durante a pesquisa, foi avaliado e monitorado pela equipe durante três anos.
O objetivo do projeto era avaliar a viabilidade técnica e econômica dessa tecnologia social.  “Fizemos uma análise geral, detectamos os problemas, fizemos as adaptações tecnológicas necessárias e, a partir daí, começamos a monitorar”, assegura o pesquisador. O sistema é composto por um tanque séptico e filtro anaeróbio, formado por anéis de bambu, pedra britada e cacos de tijolo.
Durante o período de realização da pesquisa, foram feitas análises mensais físico-químicas e biológicas em laboratório. As coletas de amostras eram feitas na entrada e saída do sistema. A eficiência de remoção de poluentes foi analisada através da comparação de diferentes parâmetros como pH, temperatura, concentração de matéria orgânica, nitrogênio, amônia e fósforo.
“Outro foco importante do projeto era desenvolver um sistema de tratamento específico para flutuantes, que pudesse servir de modelo para outras regiões. Ou seja, estabelecer um modelo que fosse ideal, replicável a qualquer realidade de flutuante, seja na várzea ou outros ambientes alagáveis”, ressaltou o pesquisador. De acordo com João Paulo, o sistema desenvolvido se mostrou eficaz e viável técnica e economicamente, e representa um avanço para tecnologias de saneamento específicas para residências flutuantes.
De acordo com o estudo, para a pesquisa de viabilidade econômica, foram considerados os custos para instalação e manutenção do sistema e comparados com o valor de uma residência padrão e renda familiar dos moradores das Reservas Mamirauá e Amanã. O custo total do sistema representa 5% de aumento no custo de construção de um flutuante para seis pessoas, média de moradores por domicílio nas duas Reservas, o que demonstra que a tecnologia pode ser acessível para essas populações. A proposta é que o modelo possa ser transformado e aplicado como polí­tica pública para o saneamento adequado para esse público.
Simpósio
Os resultados desse trabalho foram apresentados pelo pesquisador João Paulo Pedro Borges no 12º Simcon, que pode ser acompanhado ao vivo, pela internet, no endereço: www.mamiraua.org.br/web. Também são autores do trabalho a pesquisadora em saneamento Maria Cecí­lia Gomes e o economista Leonardo Apel.
O Simpósio tem por objetivo promover a divulgação científica e o debate sobre a conservação da biodiversidade, o manejo de recursos naturais, a gestão de áreas protegidas e os modos de vida das populações locais. É um evento que promove a interação acadêmica interdisciplinar, gerando diálogo entre pesquisadores.Texto: Amanda Lelis

Últimas notícias

Feira do Caranguejo movimenta Castanhal com comercialização sustentável e valorização dos caranguejeiros

Neste último sábado (06), a praça Maria da Encarnação em Castanhal (PA) recebeu a Feira do Caranguejo,…

Instituto Mamirauá
15 de dezembro de 2025

Instituto Mamirauá
15 de dezembro de 2025

4ª edição do Curso de Multiplicadores em Manejo Comunitário de Jacarés fortalece as estratégias participativas de conservação da biodiversidade

O Instituto Mamirauá, através do projeto Entre Águas Amazônicas, realizou, entre 24 e 29 de novembro, a…

Instituto Mamirauá
11 de dezembro de 2025

Instituto Mamirauá na COP 30: ciência, cooperação e futuro para a Amazônia

A presença do Instituto Mamirauá na COP 30, realizada em Belém entre 10 e 21 de novembro…

Instituto Mamirauá
5 de dezembro de 2025

Instituto Mamirauá e parceiros para a revista Nature: Florestas saudáveis asseguram os sistemas alimentares tradicionais da carne silvestre na Amazônia

27 de novembro de 2025

Primeira estrutura flutuante para manejo de jacaré no Brasil recebe dispensa de licenciamento ambiental do Governo do Amazonas

25 de novembro de 2025

Instituto Mamirauá na COP 30. Acompanhe a nossa agenda em Belém

19 de novembro de 2025

Declaração Histórica de Mamirauá é anunciada na COP30

19 de novembro de 2025

Rede Bioamazonia lança publicação “Caminhos para a Ciência Pan-Amazônica” durante evento na COP30 

18 de novembro de 2025

Últimas notícias

Instituto Mamirauá e parceiros capacitam 50 agentes de saúde em tratamento de água, saneamento e higiene em Tefé, Amazonas

Treinamento visa fortalecer a atuação desses profissionais, principais atores da saúde pública na Amazônia, em regiões com…

Instituto Mamirauá
18 de dezembro de 2025

Instituto Mamirauá
18 de dezembro de 2025

Ministério da Saúde e Instituto Mamirauá firmam acordo para fortalecer ações de saúde indígena no Médio Solimões.

O Distrito Sanitário Especial Indígena do Médio Rio Solimões e Afluentes (DSEI-MRSA), vinculado ao Ministério da Saúde,…

Instituto Mamirauá
16 de dezembro de 2025

Mulheres do Teçume d’Amazônia celebram 25 anos de história, memória e fortalecimento comunitário 

O grupo Teçume d’Amazônia completou 25 anos reunindo artesãs, comunidades e parceiros na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã (AM). O encontro…

Instituto Mamirauá
16 de dezembro de 2025

Feira do Caranguejo movimenta Castanhal com comercialização sustentável e valorização dos caranguejeiros

15 de dezembro de 2025

4ª edição do Curso de Multiplicadores em Manejo Comunitário de Jacarés fortalece as estratégias participativas de conservação da biodiversidade

11 de dezembro de 2025

Instituto Mamirauá na COP 30: ciência, cooperação e futuro para a Amazônia

5 de dezembro de 2025

Instituto Mamirauá e parceiros para a revista Nature: Florestas saudáveis asseguram os sistemas alimentares tradicionais da carne silvestre na Amazônia

27 de novembro de 2025

Primeira estrutura flutuante para manejo de jacaré no Brasil recebe dispensa de licenciamento ambiental do Governo do Amazonas

25 de novembro de 2025