©

Instituto Mamirauá realiza curso de contagem de pirarucus com pescadores da Amazônia

Escrito por

João Cunha

Publicado em

19/09/18

Método integra saberes populares e cientí­ficos para garantir pesca sustentável da espécie

Nos rios e lagos de água doce, não existe peixe de escama maior que o pirarucu. Avistar o animal, que pode chegar a 3 metros de comprimento, em natureza pode parecer tarefa fácil, mas não se engane, é preciso muita paciência e olhos treinados. Habilidades essenciais para o manejo sustentável da espécie. Foi esse o foco do “Curso de Metodologia de Contagem de Pirarucu”, realizado pelo Instituto Mamirauá entre os dias 11 e 13 de setembro no Amazonas.

Cinquenta e oito pescadores e pescadoras de sete municípios do estado fizeram o treinamento, que aconteceu na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, a 600 quilômetros da capital, Manaus.

Entre os participantes, técnicos, moradores de áreas protegidas pela legislação ambiental, indígenas da etnia Tikuna e pescadores urbanos. Pessoas de diferentes origens e realidades, unidas pela atividade da pesca do gigante pirarucu.

Contar pirarucu? Entenda esse processo e porque ele é feito

Para dar conta de um corpo tão grande, o pirarucu tem dois sistemas respiratórios: o branquial (comum entre animais aquáticos) e um respiratório, que se assemelha ao nosso. Por isso, de tempos em tempos, o peixe amazônico é obrigado a subir à superfície da água para “respirar”, movimento chamado pelos pescadores de “boiada”. Nesses momentos, é feita a contagem de pirarucu.

Contar pirarucus é um saber tradicional de pescadores na Amazônia que foi integrado à metodologia científica do manejo, desenvolvida pelo Instituto Mamirauá.

“Um dos requisitos básicos para participar do curso de metodologia é que a pessoa já tenha esse conhecimento tradicional de ir na captura, na contagem, que conheça a espécie. A ideia do curso não é ensinar as pessoas a contar o pirarucu, e sim aplicar essa habilidade à metodologia da pesquisa”, explica o técnico do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, Jonas Batista.

É a contagem que fornece a quantidade de pirarucus que existem em cada lago de pesca. Esse dado vai determinar a cota anual de pescado a ser capturado e vendido, sem prejudicar a população dos peixes.

São contabilizados pirarucus a partir de 1 metro de comprimento. Do total calculado, é retirado apenas 30% do estoque, para garantir um manejo prolongado e sustentável da espécie.

Troca de saberes na pesca

A prática de contagem aconteceu em duas áreas que estão em diferentes estágios de desenvolvimento no manejo de pirarucu. O setor Jarauá, onde, a metodologia de contagem de pirarucu foi construída pelo Instituto Mamirauá em parceria com os pescadores locais há mais de vinte anos. E Jurupari Grande, que esse ano recebeu a primeira cota de pesca de pirarucus para o manejo.

A escolha foi intencional, como aponta o técnico do Instituto Mamirauá, Ricardo Bonet. “Um dos objetivos do curso é fazer esse intercâmbio e interação entre os grupos que estão iniciando o processo de manejo e outros que estão atuando há mais tempo”.

“Valeu muito a pena esse curso, trocamos experiências de pesca, de contagem, do nosso trabalho ao longo do ano, formamos aquela dinâmica boa com quem veio de fora. A gente aprendeu muito, porque é a primeira vez que vamos fazer a pesca, enquanto outros já tem mais experiência no manejo”, diz Raimundo Nonato, presidente do acordo de pesca Jurupari Grande-Apara.

Cursos de contagem

Desde os anos 2000, o Instituto Mamirauá realiza cursos de metodologia de contagem de pirarucu para pescadores. O treinamento é conduzido por técnicos e pescadores experientes no método.

Para orientar os participantes, o Instituto Mamirauá distribui a cartilha “Contagem e Censo Populacional de Pirarucu – “Contar pirarucu não é história de pescador” (acesse a versão online aqui), publicada com apoio da Fundação Gordon and Betty Moore.

Texto: João Cunha

Últimas notícias

Feira do Caranguejo movimenta Castanhal com comercialização sustentável e valorização dos caranguejeiros

Neste último sábado (06), a praça Maria da Encarnação em Castanhal (PA) recebeu a Feira do Caranguejo,…

Instituto Mamirauá
15 de dezembro de 2025

Instituto Mamirauá
15 de dezembro de 2025

4ª edição do Curso de Multiplicadores em Manejo Comunitário de Jacarés fortalece as estratégias participativas de conservação da biodiversidade

O Instituto Mamirauá, através do projeto Entre Águas Amazônicas, realizou, entre 24 e 29 de novembro, a…

Instituto Mamirauá
11 de dezembro de 2025

Instituto Mamirauá na COP 30: ciência, cooperação e futuro para a Amazônia

A presença do Instituto Mamirauá na COP 30, realizada em Belém entre 10 e 21 de novembro…

Instituto Mamirauá
5 de dezembro de 2025

Instituto Mamirauá e parceiros para a revista Nature: Florestas saudáveis asseguram os sistemas alimentares tradicionais da carne silvestre na Amazônia

27 de novembro de 2025

Primeira estrutura flutuante para manejo de jacaré no Brasil recebe dispensa de licenciamento ambiental do Governo do Amazonas

25 de novembro de 2025

Instituto Mamirauá na COP 30. Acompanhe a nossa agenda em Belém

19 de novembro de 2025

Declaração Histórica de Mamirauá é anunciada na COP30

19 de novembro de 2025

Rede Bioamazonia lança publicação “Caminhos para a Ciência Pan-Amazônica” durante evento na COP30 

18 de novembro de 2025

Últimas notícias

Instituto Mamirauá e parceiros capacitam 50 agentes de saúde em tratamento de água, saneamento e higiene em Tefé, Amazonas

Treinamento visa fortalecer a atuação desses profissionais, principais atores da saúde pública na Amazônia, em regiões com…

Instituto Mamirauá
18 de dezembro de 2025

Instituto Mamirauá
18 de dezembro de 2025

Ministério da Saúde e Instituto Mamirauá firmam acordo para fortalecer ações de saúde indígena no Médio Solimões.

O Distrito Sanitário Especial Indígena do Médio Rio Solimões e Afluentes (DSEI-MRSA), vinculado ao Ministério da Saúde,…

Instituto Mamirauá
16 de dezembro de 2025

Mulheres do Teçume d’Amazônia celebram 25 anos de história, memória e fortalecimento comunitário 

O grupo Teçume d’Amazônia completou 25 anos reunindo artesãs, comunidades e parceiros na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã (AM). O encontro…

Instituto Mamirauá
16 de dezembro de 2025

Feira do Caranguejo movimenta Castanhal com comercialização sustentável e valorização dos caranguejeiros

15 de dezembro de 2025

4ª edição do Curso de Multiplicadores em Manejo Comunitário de Jacarés fortalece as estratégias participativas de conservação da biodiversidade

11 de dezembro de 2025

Instituto Mamirauá na COP 30: ciência, cooperação e futuro para a Amazônia

5 de dezembro de 2025

Instituto Mamirauá e parceiros para a revista Nature: Florestas saudáveis asseguram os sistemas alimentares tradicionais da carne silvestre na Amazônia

27 de novembro de 2025

Primeira estrutura flutuante para manejo de jacaré no Brasil recebe dispensa de licenciamento ambiental do Governo do Amazonas

25 de novembro de 2025