Pesquisadores compartilharam experiências do Médio Solimões relacionadas ao monitoramento participativo, produção de conhecimento e popularização da ciência em evento no Peru

A conservação dos ecossistemas aquáticos amazônicos depende da integração entre pesquisa científica, conhecimento local e cooperação entre instituições de diferentes países. Com esse objetivo, pesquisadores do Instituto Mamirauá participaram da Segunda Semana Águas Amazônicas, realizada entre os dias 6 e 9 de julho, em Iquitos, no Peru. O evento abriu espaço para discussões sobre monitoramento participativo, produção de conhecimento e estratégias para a conservação dos ecossistemas de água doce da Bacia Amazônica.
Durante o encontro, o Instituto Mamirauá apresentou iniciativas desenvolvidas na Amazônia brasileira, com destaque para ações voltadas ao monitoramento participativo dos ecossistemas aquáticos. Entre elas, esteve a apresentação da proposta do Índice de Integridade Ambiental dos Ecossistemas Aquáticos Amazônicos, desenvolvida no âmbito do projeto SAWA (Support the Amazon Waters Alliance). As discussões evidenciaram como o desenvolvimento de ferramentas integradas e o fortalecimento do monitoramento participativo podem ampliar o conhecimento sobre os ecossistemas aquáticos da Bacia Amazônica e subsidiar estratégias de conservação.

O pesquisador Ayan Fleischmann, líder do Grupo de Pesquisa em Geociências e Dinâmicas Ambientais na Amazônia do Instituto Mamirauá, participou da apresentação técnica do índice e das discussões sobre estratégias de monitoramento participativo. Na atividade, pesquisadores, pescadores e representantes de diferentes instituições que integram a Aliança Águas Amazônicas discutiram os indicadores que compõem a ferramenta e contribuíram para o aprimoramento colaborativo de sua metodologia.
"O Índice de Integridade Ambiental é uma ferramenta inovadora porque reúne informações ambientais, ecológicas e sociais para oferecer uma visão integrada e atualizada dos ecossistemas aquáticos amazônicos em escala de bacia. Ao combinar dados como temperatura da água, níveis dos rios, desmatamento, distribuição de espécies e organização territorial, buscamos compreender de forma mais ampla o estado desses ecossistemas e subsidiar futuras estratégias de monitoramento e gestão", explica Ayan Fleischmann.
Segundo o pesquisador, a cooperação entre instituições de diferentes países amazônicos fortalece o intercâmbio de conhecimentos e o desenvolvimento de metodologias voltadas ao monitoramento dos ecossistemas aquáticos.
"A Amazônia é formada por diferentes realidades ecológicas e culturais. O intercâmbio de conhecimentos entre instituições de países amazônicos nos permite desenvolver métodos de monitoramento participativo que possam ser adaptados e replicados em diferentes regiões da bacia, respeitando as especificidades de cada território", afirma.
As discussões sobre o Índice de Integridade Ambiental dialogaram com outras iniciativas apresentadas pelo Instituto durante o evento. Entre elas esteve o projeto Lagos Sentinelas da Amazônia, apresentado na Feira de Iniciativas da Aliança Águas Amazônicas por Ayan Fleischmann e pelo analista de Pesquisa e Desenvolvimento Igor Hister Lourenço. A iniciativa promove o monitoramento participativo da qualidade da água e de variáveis ambientais e climáticas em lagos amazônicos, integrando conhecimento científico e local para ampliar a compreensão sobre os ecossistemas aquáticos da região.

A participação do Instituto também incluiu a apresentação do trabalho Ciência para todas e todos: Popularização da Ciência no Médio Solimões, desenvolvido pelo Núcleo de Popularização da Ciência, Tecnologia e Inovação do Instituto Mamirauá. A iniciativa reúne ações de divulgação científica, produção de materiais educativos e atividades participativas sobre biodiversidade, mudanças climáticas, equidade de gênero e educação alimentar e nutricional na Amazônia.
Além de Ayan Fleischmann e Igor Hister Lourenço, representaram o Instituto Mamirauá no encontro Alexandre Hercos, vice-presidente da Aliança Águas Amazônicas e pesquisador do Instituto Mamirauá, e Bianca Darski Silva, analista de Pesquisa e Desenvolvimento do Núcleo de Popularização da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Para Alexandre Hercos, a participação do Instituto em uma rede que reúne organizações de diferentes países amazônicos amplia as possibilidades de cooperação, fortalece projetos de pesquisa e contribui para o desenvolvimento de estratégias conjuntas de conservação.
"A Aliança Águas Amazônicas vem se consolidando como uma importante rede de pesquisa voltada à conservação dos ecossistemas aquáticos amazônicos. Esse trabalho conjunto permite desenvolver projetos em uma escala que dificilmente seria alcançada por uma única instituição e fortalece ações estratégicas, como o desenvolvimento do Índice de Integridade Ambiental, iniciativas voltadas à conservação de espécies migratórias e o intercâmbio de conhecimentos entre pesquisadores e comunidades locais", destaca Alexandre Hercos.
Durante a Semana Águas Amazônicas, a equipe da Universidad San Francisco de Quito (USFQ) também apresentou resultados desenvolvidos no Equador no âmbito do projeto SAWA. O trabalho SAWA: Muestreo e instrumentación de sitios piloto para el monitoreo abordou o desenvolvimento participativo de sistemas de monitoramento de ecossistemas de água doce nas sub-bacias Napo-Tiputini, envolvendo a capacitação de comunidades e o diagnóstico participativo dos ambientes aquáticos.
Sobre o projeto SAWA e a Aliança Águas Amazônicas
O projeto SAWA (Support the Amazon Waters Alliance) é desenvolvido pelo Instituto Mamirauá e pela Universidad San Francisco de Quito (USFQ), no âmbito da Aliança Águas Amazônicas, com apoio da Wildlife Conservation Society (WCS) e da Fundação Gordon e Betty Moore. A iniciativa busca fortalecer a compreensão sobre o estado dos ecossistemas de água doce amazônicos por meio do desenvolvimento de ferramentas científicas, processos participativos e estratégias de compartilhamento de conhecimento.
Entre suas frentes de atuação estão o desenvolvimento do Índice de Integridade Ambiental dos Ecossistemas Aquáticos Amazônicos, o fortalecimento do monitoramento participativo e o intercâmbio de conhecimentos entre pesquisadores, comunidades, organizações de conservação e demais atores envolvidos na gestão dos sistemas socioecológicos amazônicos.
A Aliança Águas Amazônicas é uma coalizão formada por 30 organizações da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Estados Unidos, França e Peru, dedicada à conservação da integridade e da conectividade dos ecossistemas aquáticos da Bacia Amazônica e dos serviços ecossistêmicos associados.
Texto: Bianca Darski / Instituto Mamirauá
Fotos: Bianca Darski