©Ademir Reis

Instituto Mamirauá realiza curso de energia solar e tratamento de água em aldeia baniwa

Escrito por

Júlia de Freitas

Publicado em

24/12/19

Técnicos ensinaram indí­genas a confeccionar filtros de água e instalar sistema fotovoltaico na Casa de Pimenta da aldeia

Para chegar à aldeia indí­gena Canadá, é necessário mais de um dia de viagem de barco pelo rio Negro, Içana e finalmente às margens do rio Ayari, na região do Alto Rio Negro, onde está a comunidade do grupo baniwa, que compreende mais de 20 etnias que se encontram no Brasil, Colômbia e Venezuela.

A aldeia tem cerca de 200 moradores e é a aldeia polo da região: conta com igreja, posto de saúde, escola e centro comunitário que atendem indí­genas de outras comunidades da região.

Do dia 11 ao 15 de novembro, técnicos do Programa Qualidade de Vida (PQV) do Instituto Mamirauá promoveram o Curso de Multiplicadores em Tratamento Domiciliar de Água e Energia Solar Fotovoltaica.

A oficina foi promovida pelo Instituto Mamirauá, organização social fomentada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), com financiamento da Fundação Gordon e Betty Moore e em parceria com a Federação das Organizações Indígena do Rio Negro e com o Instituto Socioambiental (ISA).

Participaram do curso 120 pessoas, entre estudantes e representantes de 12 comunidades da região.

A programação foi iniciada com aula que abordou o uso sustentável de recursos naturais para conservação da biodiversidade, organização social para boa gestão de investimentos comunitário e implementação de instrumentos de gestão.

“A gente não só fala dos equipamentos, mas também mostra como eles podem gerir essas tecnologias. Tudo isso tem uma vida útil, então a manutenção e troca desses equipamentos devem ser abordados em um curso como esse”, explica o técnico Josenildo Frazão, que ministrou o curso em conjunto com o técnico Ademir Reis.

Em aula teórica sobre qualidade de água, os ministrantes atentaram aos participantes aos riscos causados pela falta de tratamento e, na parte prática, foram construí­dos cerca de 10 sistemas de tratamento de água domiciliares.

Tratamento de água barato e eficiente

Em tecnologia desenvolvida pelo Instituto Mamirauá, filtros de velas de cerâmica são adicionados a baldes e formam um sistema de tratamento domiciliar. Cada um é capaz de filtrar 20 litros de água por dia e custa cerca de R$40.

“Coloca-se a água à noite e de manhã ela já está filtrada e pronta para o consumo, que é o que essas populações precisam. A gente confeccionou junto com eles os filtros e demonstramos a eficácia”, explica o técnico.

Energia solar para produção

Na terceira parte e última parte do curso, foram abordados conceitos e aplicações de energia solar. A oficina foi finalizada com a confecção e instalação de kit didático de sistema fotovoltaico na Casa da Pimenta, local onde os comunitários realizam o processamento da conhecida pimenta baniwa.

A pimenta baniwa, ingrediente que já conquista o mercado internacional, foi tombado como patrimônio cultural do Brasil e é uma das fontes de renda das populações locais. Também são produzidos no Casa da Pimenta o tucupi, molho tradicionalmente extraí­do da mandioca, e o tucupi preto.

Apesar de sobreviverem da agricultura de subsistência e da venda de mandioca, frutas e pimenta, a diversidade de cultivos agrícolas na região é pouca.

“Por isso, eles se interessaram bastante pela parte da energia solar como forma ajudar no armazenamento dos alimentos que eles têm”, explica Josenildo.

Para Josenildo, a oficina foi importante porque os conhecimentos repassados às comunidades indígenas ajudam na hora de pressionar o poder público por melhorias. “Ainda há muito descaso e falta de conhecimento de governantes para investir, então quando eles aprendem como é possível fazer, fica mais fácil viabilizar”, finaliza.

Texto: Júlia de Freitas

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