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Em pauta, os modos de vida das populações amazônicas

Escrito por

Eunice Venturi

Publicado em

09/06/11

 09/06/2011 – A história resgatada através dos sítios arqueológicos. Comunidades que pedem o reconhecimento indígena. As novas gerações que não querem mais viver na roça. O modo de vida das populações amazônicas dominou o tema das discussões, no segundo dia do VIII Seminário Anual de Pesquisa, promovido pelo Instituto Mamirauá. Rafael Barbi, pesquisador do Instituto Mamirauá, apresentou os resultados parciais de suas pesquisas com comunidades indígenas. “A presença de povos indígenas no Médio Solimões é caracterizado por aqueles que mantiveram sua língua e suas singularidades e por aqueles que tiveram seu reconhecimento no século XX”, explicou.
A economia doméstica de 46 comunidades foi apresentada por Nelissa Peralta e o resultado final permitiu analisar algumas estratégias de transferência de renda e de compensação ambiental. “Até pouco tempo a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento social eram vistos com antagonismo. O modelo de reserva de desenvolvimento sustentável prometeu unir o desenvolvimento social e a sustentabilidade”, analisou. Ao final do dia, o projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert) foi apresentado ao público do evento. O Aquavert tem o objetivo de consolidar estratégias e propor novas ações para a conservação das espécies de jacarés, quelônios e mamíferos aquáticos que habitam as várzeas e igapós das Reservas Mamirauá e Amanã. O projeto é patrocinado pela Petrobras, através do Programa Petrobras Ambiental.

Mesa redonda
No dia dedicado aos resultados das pesquisas sociais, uma mesa redonda encerrou os trabalhos. “Polí­ticas públicas, gestão de territórios e os direitos das populações tradicionais” foram discutidas pelo doutor em desenvolvimento sustentável José Benatti (UFPA), pela socióloga Iara Vasco (ICMBio), e pelas antropólogas Isabel Social (IDSM) e Edna Alencar (UFPAIDSM). Isabel Sousa iniciou o debate com um questionamento: “Terras indígenas e Reservas de Desenvolvimento Sustentável: é possível fazer gestão compartilhada?”, em referência às comunidades da Reserva Mamirauá que, a partir de 2004, passaram a requerer pedido para transformarem-se em comunidade indígenas.
Iara Vasco, do ICMBio, levou aos participantes algumas experiências da instituição que procura estabelecer um diálogo entre terras indígenas e unidades de conservação. “A sobreposição de terras indígenas sempre foi tratada como uma situação de conflito, uma disputa, um acirramento e isso acaba perdendo de vista o conjunto de benefí­cios que você pode estabelecer entre essas áreas”, disse acrescendo que a convivência conflituosa inviabiliza resultados positivos. “Tanto para o desenvolvimento sustentável das comunidades como para a conservação da biodiversidade, porque você estaciona, você paralisa o trabalho”, afirmou.
Em seguida, o jurista José Benatti abordou a gestão da territorialidade e opinou: “É possível sim fazer gestão compartilhada entre terras indígenas e unidades de conservação. Entretanto, o poder público precisa rever seus pressupostos e criar novas diretrizes para ajudar a sociedade a resolver seus problemas”. O VIII Seminário Anual de Pesquisa se encerra nesta sexta, com a premiação do concurso de fotografias e dos melhores trabalhos apresentados, além do lançamento do livro “Memórias de Mamirauá”, de autoria de Edna Alencar.
por Eunice Venturi

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