©Julia A. Rantigueri

É o Dia das Mulheres na Ciência: Instituto Mamirauá fortalece equidade de gênero na Amazônia por meio da pesquisa e valorização de saberes tradicionais 

Escrito por

Instituto Mamirauá

Publicado em

11/02/26

As mulheres são maioria nas universidades e pós-graduações brasileiras. No entanto, a representatividade feminina é baixa em cargos de liderança, sobretudo em áreas como ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Este cenário desigual tende a ser acentuado na região Norte que, de acordo com o Censo 2022 de Educação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), concentra os menores índices de frequência escolar. 

O Instituto Mamirauá desenvolve um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da equidade de gênero na ciência, na inovação e na gestão socioambiental da Amazônia. As iniciativas envolvem programas institucionais, linhas de pesquisa, ações de extensão e projetos de inovação que valorizam tanto a produção científica quanto os saberes tradicionais, com foco no protagonismo das mulheres na Amazônia. 

As ações são desenvolvidas em diferentes frentes de atuação do Instituto Mamirauá, com destaque para as atividades do Programa Mulheres na Ciência e Inovação na Amazônia, do Grupo de Pesquisa Territorialidades e Governança Socioambiental na Amazônia e Programa de Qualidade de Vida. 

Programa Mulheres na Ciência e Inovação na Amazônia 

Uma ação estratégica do Instituto Mamirauá é o Programa Mulheres na Ciência e Inovação na Amazônia, coordenado por Heloisa Corrêa Pereira e desenvolvido em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O programa tem como objetivo fomentar e fortalecer a participação feminina no Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, especialmente em regiões historicamente sub-representadas, como a região Norte do Brasil. 

A iniciativa se materializa por meio de bolsas específicas para mulheres, linhas de financiamento exclusivas, reserva de vagas em chamadas de pesquisa e apoio a projetos liderados por pesquisadoras. As ações abrangem diferentes níveis de formação, desde estudantes do ensino médio até mestrado e doutorado, com destaque para a modalidade Jovem Cientista, voltada à formação de jovens mulheres amazônidas. 

“Na Amazônia, fazer ciência sendo mulher envolve desafios adicionais, ligados ao território, à desigualdade de oportunidades e à invisibilidade histórica. O Programa Mulheres na Ciência do Instituto Mamirauá atua justamente para reduzir essas barreiras e ampliar o acesso, a permanência e protagonismo feminino na ciência e na inovação”, aponta Heloísa Pereira. 

O programa teve início em 2022 e atua principalmente no Amazonas, com destaque para os municípios de Tefé e Maraã, além de ações no Pará e alcance nacional. Até o ano de 2025, mais de 30 mulheres pesquisadoras estiveram diretamente envolvidas, além de 29 bolsas de pesquisa concedidas. Dentre as áreas de pesquisa, está a cultura material, gestão de recursos naturais e conservação de áreas protegidas e mudanças climáticas na Amazônia. 

Um dos produtos da iniciativa é a revista O Macaqueiro Kids – Meninas e mulheres na ciência, lançada em 2024, voltada à educação científica de crianças e à valorização da presença feminina na ciência desde a infância. Já em 2025, foi publicado o Álbum de Memórias e Histórias do Grupo de Mulheres do Teçume d’Amazônia em comemoração aos 25 anos do grupo e como resultado da pesquisa de iniciação científica também fomentada pelo programa. 

Pesquisa científica e gênero na Amazônia 

No campo da pesquisa, o Grupo de Pesquisa Territorialidades e Governança Socioambiental na Amazônia, liderado por Heloisa Corrêa Pereira, desenvolve uma agenda institucional contínua dedicada à compreensão das relações de gênero, trabalho e ambiente em contextos amazônicos. 

A linha de pesquisa “Gênero, trabalho e ambiente” orienta projetos científicos e ações de extensão, com foco na participação das mulheres em espaços de tomada de decisão, no acesso a recursos naturais, na organização sociopolítica e nas dinâmicas produtivas em territórios amazônicos. A agenda incorpora recortes interseccionais de raça, etnia e pertencimento sociocultural, considerando a diversidade das mulheres amazônicas, incluindo populações tradicionais e ribeirinhas. 

A produção de conhecimento busca dar base a políticas públicas, apoiar processos de tomada de decisão institucional e contribuir para práticas mais equitativas na ciência e na gestão socioambiental. 

Valorização das parteiras tradicionais 

Uma das iniciativas consolidadas do Instituto Mamirauá é a ação de valorização das parteiras tradicionais do Amazonas, no âmbito do Programa de Qualidade de Vida, o qual é coordenado por Maria Cecília Rosinski Lima Gomes. Desenvolvida de forma contínua desde o ano 2000, a iniciativa promove a integração entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais, fortalecendo a atuação das parteiras no cuidado com a saúde da mulher em territórios amazônicos. 

As atividades incluem encontros de troca de saberes, capacitações, fortalecimento da organização social e incidência política. Entre os principais resultados estão a atualização do banco de dados de parteiras tradicionais do estado do Amazonas, o qual conta atualmente com cerca de 1.300 registros e a produção do Guia das Parteiras Tradicionais na Amazônia, em parceria com o Instituto Leônidas & Maria Deane - Fiocruz Amazônia. 

Compromisso com a equidade 

A equidade de gênero, aliada à ciência, aos saberes tradicionais e ao empreendedorismo, é um compromisso do Instituto Mamirauá. Para concretizá-lo, a instituição fortalece a participação das mulheres na ciência, reconhecendo esse eixo como essencial para o desenvolvimento sustentável da região.  

“O Instituto Mamirauá está estruturado em três pilares que integram a ciência, comunidades e justiça social: a pesquisa científica conectada às demandas da realidade local como passo essencial para a equidade de gênero; a extensão comunitária voltada à gestão participativa e à coprodução de soluções em áreas protegidas; e uma gestão institucional baseada na ética, com compromisso de tolerância zero a assédio, discriminação e violência contra as mulheres”, destaca Dávila Côrrea, Diretora de Manejo de Recursos Naturais e Desenvolvimento Social do Instituto Mamirauá. 

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