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Com assessoria técnica, Instituto Mamirauá apoia a criação de animais em comunidades ribeirinhas do Amazonas

Escrito por

Instituto Mamirauá

Publicado em

03/10/16

O galo canta cedinho avisando que é hora de acordar: có có ri có! No quintal, corre um monte de patinhos seguindo a mãe. Lá no pasto, as vacas comem a grama e, de longe, já vem o senhor sorridente carregando um balde cheio de leite. Quem já viu alguma cena como essas?

No interior, essas são cenas comuns. Nas Reservas Amanã e Mamirauá, as famílias têm o costume de criar galinhas, patos, carneiros, porcos, bois e búfalos. A criação de animais complementa a alimentação de muitas famílias, além de gerar renda pela venda de alguns produtos, como ovos, leite e carne. Mas, para ter um alimento de qualidade, é preciso cuidar da saúde dos animais e também do ambiente em que eles vivem.

“Todos os animais precisam de cuidados com alimentação, água, e um ambiente saudável de forma geral pra garantir a saúde deles e também a qualidade dos produtos para nossa alimentação”, disse a médica veterinária e técnica do Instituto Mamirauá, Paula Araujo. De acordo com a veterinária, também é importante controlar parasitas, como vermes e carrapatos.

A equipe do Instituto Mamirauá acompanha os pequenos criadores da Reserva Amanã. Uma das ações é facilitar o acesso à vacinação de gado contra brucelose. “Algumas doenças são transmitidas dos animais para o homem, como a brucelose. Você pode ter o contágio através do contato direto com o animal, mas essa bactéria resiste bem no ambiente e no produto, como o leite, por exemplo. Ao contaminar o ambiente, a bactéria pode ser transferida para os mamíferos domésticos, o homem e também animais silvestres. Por isso a vacinação é importante”, comentou Paula.

A veterinária lembrou que nem todo leite, queijo ou carne está bom para consumo. É importante saber de onde veio o produto e se o criador cuida da saúde dos animais e da higiene, durante a extração e armazenamento dos alimentos. “Nós recomendamos que comprem queijo e leite que trazem o selo da inspeção sanitária. Que garante a qualidade na produção desses alimentos”, contou a veterinária.

Paula deu uma dica interessante para controlar verminoses na criação de galinhas: oferecer fatias do tronco da bananeira. “A gente fatia o tronco da bananeira e dá para a galinha comer. Funciona como um vermífugo muito bom. Parece uma pizza de bananeira e as galinhas adoram! Quando vermifugamos as galinhas, elas ficam mais bonitas, engordam mais rápido e não ficam doentes com facilidade”, disse.

Sem abelhas: sem floresta e sem alimento!

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Ilustração: José Augusto de Oliveira

Talvez você já tenha visto voar sobre o seu copo de suco uma abelha. Já percebeu que algumas estão sujas de pontinhos amarelos pelo corpo todo? São os grãozinhos de pólen, que as abelhas carregam de um lado ao outro. E esse passeio de flor em flor ajuda as plantas a criarem suas sementes e a floresta a se multiplicar. Por isso, as abelhas são muito importantes para a agricultura e também para a floresta.

Nas Reservas Mamirauá e Amanã, os moradores estão agindo para proteger as colmeias das abelhas e ainda conseguirem mel para consumir e vender. Os técnicos do Instituto Mamirauá fazem oficinas e acompanham os manejadores para ajudar a desenvolver essa atividade. Eles trabalham com as abelhas nativas sem ferrão da Amazônia, chamadas de jandaíras.

“O manejo ou criação das abelhas permite que as pessoas realizem o resgate das abelhas ameaçadas com a derrubada da floresta e, depois, quando adaptadas na caixa, possibilita a divisão das colmeias”, disse Jacson Rodrigues, técnico do Instituto Mamirauá.

Os produtores envolvidos com a atividade possuem caixas-colmeias em seus quintais e sítios, onde as abelhas passam a viver. Elas percorrem o ambiente, buscando pólen e néctar e ajudando que a região continue rica em árvores frutíferas e outras. Com o tempo, o número de abelhas cresce dentro da caixa. Nesse momento, os manejadores dividem a colmeia e criam uma nova caixa, para que mais abelhas vivam e produzam mais. Dessa criação, os produtores tiram mel e pólen, que fazem muito bem para a saúde e podem ser consumidos ou vendidos.

Jacson explica que “quando passam a morar nas caixas-colmeias, as abelhas continuam fazendo seus voos, de em flor em flor, carregando o pólen, aquele pózinho amarelinho das flores. Com isso, ajudam as plantas dos sítios, quintais e da floresta a produzirem frutos e sementes”.

“Nós conversamos muito sobre como as abelhas são importantes para a natureza, porque elas ajudam as árvores a darem frutos e ajudam a gente com a produção do mel, que é bom para ter em casa e acaba também sendo uma renda extra”, falou Maria Erly das Chagas de Oliveira, moradora da comunidade de São João do Ipecaçú e manejadora.

Essa notícia foi escrita originalmente para a edição especial do informativo O Macaqueiro – Kids, para a Semana Nacional da Ciência e Tecnologia (SNCT) 2016. Veja a revista completa!

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