©Adriano Gambarini

Pesquisadores realizam captura científica de botos-vermelhos na cidade de Tefé para monitorar população ameaçada

Escrito por

Instituto Mamirauá

Publicado em

27/08/24

Após a mortandade de botos sem precedentes que ocorreu no Amazonas durante a seca de 2023, onde 209 animais foram encontrados mortos, 178 deles sendo botos-vermelhos, pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá promoveram uma campanha de captura para avaliar a saúde da população e adaptar transmissores para maior precisão quanto ao uso de habitat e deslocamentos durante este período. A seca severa observada no ano anterior aqueceu a água do Lago Tefé a ponto de chegar a 40,9°C, fator determinante na causa de morte dos botos.

Para preparar ações mitigadoras para novos eventos extremos, a captura científica desses animais é fundamental para coletar amostras de sangue e secreções de mucosas, além de adaptar microchips e tags satelitais. Os microchips possibilitam a identificação dos indivíduos capturados, enquanto as tags coletam informações sobre localização do animal associadas a profundidade e temperatura. Estes dados permitem aos pesquisadores detectar se há agentes infecciosos, contaminantes ou biotoxinas nos indivíduos de vida livre e acompanhar a movimentação dos animais em seu habitat natural.

Segundo Miriam Marmontel, líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá, “essa captura é importante para definir parâmetros de saúde dos animais no Lago Tefé como uma preparação para o que pode acontecer nas próximas semanas. Todas as condições ambientais levam a acreditar que pode ocorrer um novo evento de mortandade no lago. Os parâmetros ambientais mais importantes do ano passado, baixa profundidade e alta temperatura da água, estão se intensificando. Podemos observar uma redução do nível da água na ordem de 30 cm por dia, praias já estão aparecendo. Por enquanto, a temperatura ainda segue dentro do padrão, chegando a 30°C, e o comportamento dos animais segue normal. Contudo, os fatores observados já são um alerta amarelo para a ocorrência de uma nova mortandade”.

A população de botos (vermelhos e tucuxis) do Lago Tefé diminuiu em cerca de 15% devido à mortandade de 2023, de acordo com estimativas do grupo de pesquisa. Com um ciclo reprodutivo lento, ambas as espécies são especialmente vulneráveis a ameaças. Os dados coletados permitirão avaliar a resiliência dos indivíduos a um novo impacto climático e reagir de forma mais rápida, antes que a situação se intensifique.

Além dos esforços de captura, o grupo de pesquisa também mantém um monitoramento contínuo da população de botos do Lago Tefé, com estimativas populacionais, monitoramento de carcaças, comportamental e acústico e fotoidentificação dos indivíduos, além de produzir protocolos para ações pré-, durante e pós-emergência. Uma articulação entre instituições parceiras foi fortalecida caso volte a ocorrer uma nova emergência envolvendo mortes de botos na região. A captura científica no Lago Tefé foi realizada pelo Instituto Mamirauá em colaboração com a Associação R3 Animal e a National Marine Mammal Foundation, e com apoio financeiro da WWF-Brasil.

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