Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Quelônios

Pesquisas sobre a biologia e a ecologia de quelônios amazônicos na região do médio rio Solimões, com foco em três espécies — a tartaruga-da-amazônia, o tracajá e a iaçá — e com a participação das comunidades tradicionais na conservação dessas espécies, consideradas vulneráveis.

Sobre o programa

O Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Quelônios desenvolve pesquisas sobre a biologia e ecologia de quelônios amazônicos na região do médio rio Solimões, focando principalmente em três espécies: a tartaruga-da-amazônia, o tracajá e a iaçá.

O programa trabalha também com a participação das comunidades tradicionais na conservação dessas espécies, que são consideradas vulneráveis.

As três espécies em foco

  • Tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa)
  • Tracajá (Podocnemis unifilis)
  • Iaçá (Podocnemis sextuberculata)
Foto da notícia de 29 de março de 2024 sobre a soltura de quelônios na Floresta Nacional de Tefé (AM)

Conheça as espécies de quelônios que estudamos

Três espécies do gênero Podocnemis concentram as pesquisas do programa. As fêmeas são maiores que os machos nas três.

Tartaruga-da-amazônia

Podocnemis expansa

É a maior tartaruga de água doce da América do Sul e pode medir até 90 cm de comprimento. Ocorre em toda a Bacia Amazônica, em rios de água branca, preta e clara. As tartarugas-da-amazônia desovam em grupos, às vezes até mais de cem animais ao mesmo tempo, na mesma praia.

Iaçá

Podocnemis sextuberculata

Pode medir entre 31 e 38 centímetros de comprimento, sendo que as fêmeas são maiores do que os machos. O macho, em alguns locais, é conhecido como janurí ou anurí. Também habita a Bacia Amazônica, em rios de água branca e, em menor quantidade, em rios de água clara. Pode desovar mais de uma vez por ano.

Tracajá

Podocnemis unifilis

Tem comprimento médio de 40 centímetros. As fêmeas também são maiores que os machos, como em tartarugas e iaçás. O macho de tracajá é conhecido como Zé Prego. Vivem em rios de água branca, clara e preta da bacia do rio Amazonas. Os tracajás também desovam em barrancos de lagos.

Medição de filhote de quelônio

Conservação

16

espécies de quelônios existem na Amazônia

12

delas já foram registradas nas Reservas Mamirauá e Amanã

3

são as únicas que desovam nas praias e barrancos de lagos: tartaruga-da-amazônia, tracajá e iaçá

Na Amazônia existem 16 espécies de quelônios, sendo que nas Reservas Mamirauá e Amanã já foram registradas 12 delas. No entanto, as únicas que desovam nas praias e barrancos de lagos são tartaruga-da-amazônia, tracajá e iaçá.

Essas espécies são também as mais apreciadas pelos ribeirinhos e, como é muito fácil capturá-las nas praias — qualquer um pode parar em uma praia e levar um ninho, ou acampar e esperar por uma fêmea —, elas acabam sendo também as mais ameaçadas.

Praia ao entardecer
Quelônio no chão da floresta

Comunidades na conservação

Desde 2009, comunidades da Floresta Nacional de Tefé vêm se organizando para proteger os ninhos de quelônios, por meio da vigilância das praias e da translocação de ninhos para locais seguros. Em 2023, o Instituto Mamirauá, por meio de seu Programa de Manejo da Fauna, iniciou uma colaboração mais estreita com o ICMBio e a UEA, visando apoiar essas práticas com base técnica, organizacional e científica.

Em janeiro e março de 2025, foram realizadas solturas de quelônios nas comunidades Cumaru (RESEX Baixo Juruá) e Bom Jesus (FLONA de Tefé), com a devolução de mais de 3 mil animais à natureza.

“Desde os anos 90, o Instituto já atua na conservação de quelônios, em projetos que começaram na Reserva Mamirauá e se expandiram por outras regiões da Amazônia. Agora, queremos fortalecer ainda mais esses sistemas, respeitando o saber tradicional e integrando a ciência e a legislação.”

Diogo Lima, coordenador do Programa de Manejo da Fauna do Instituto Mamirauá
Pessoas reunidas em praia à beira do rio
Filhote de quelônio nas mãos
Encontro em comunidade
Solturas de quelônios na Floresta Nacional de Tefé (AM) · Foto: Miguel Monteiro

Textos e fotos desta seção: notícia de 28 de abril de 2025

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