Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Quelônios
Pesquisas sobre a biologia e a ecologia de quelônios amazônicos na região do médio rio Solimões, com foco em três espécies — a tartaruga-da-amazônia, o tracajá e a iaçá — e com a participação das comunidades tradicionais na conservação dessas espécies, consideradas vulneráveis.
Sobre o programa
O Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Quelônios desenvolve pesquisas sobre a biologia e ecologia de quelônios amazônicos na região do médio rio Solimões, focando principalmente em três espécies: a tartaruga-da-amazônia, o tracajá e a iaçá.
O programa trabalha também com a participação das comunidades tradicionais na conservação dessas espécies, que são consideradas vulneráveis.
As três espécies em foco
- Tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa)
- Tracajá (Podocnemis unifilis)
- Iaçá (Podocnemis sextuberculata)
Conheça as espécies de quelônios que estudamos
Três espécies do gênero Podocnemis concentram as pesquisas do programa. As fêmeas são maiores que os machos nas três.
Tartaruga-da-amazônia
Podocnemis expansaÉ a maior tartaruga de água doce da América do Sul e pode medir até 90 cm de comprimento. Ocorre em toda a Bacia Amazônica, em rios de água branca, preta e clara. As tartarugas-da-amazônia desovam em grupos, às vezes até mais de cem animais ao mesmo tempo, na mesma praia.
Iaçá
Podocnemis sextuberculataPode medir entre 31 e 38 centímetros de comprimento, sendo que as fêmeas são maiores do que os machos. O macho, em alguns locais, é conhecido como janurí ou anurí. Também habita a Bacia Amazônica, em rios de água branca e, em menor quantidade, em rios de água clara. Pode desovar mais de uma vez por ano.
Tracajá
Podocnemis unifilisTem comprimento médio de 40 centímetros. As fêmeas também são maiores que os machos, como em tartarugas e iaçás. O macho de tracajá é conhecido como Zé Prego. Vivem em rios de água branca, clara e preta da bacia do rio Amazonas. Os tracajás também desovam em barrancos de lagos.
Conservação
espécies de quelônios existem na Amazônia
delas já foram registradas nas Reservas Mamirauá e Amanã
são as únicas que desovam nas praias e barrancos de lagos: tartaruga-da-amazônia, tracajá e iaçá
Na Amazônia existem 16 espécies de quelônios, sendo que nas Reservas Mamirauá e Amanã já foram registradas 12 delas. No entanto, as únicas que desovam nas praias e barrancos de lagos são tartaruga-da-amazônia, tracajá e iaçá.
Essas espécies são também as mais apreciadas pelos ribeirinhos e, como é muito fácil capturá-las nas praias — qualquer um pode parar em uma praia e levar um ninho, ou acampar e esperar por uma fêmea —, elas acabam sendo também as mais ameaçadas.
Comunidades na conservação
Desde 2009, comunidades da Floresta Nacional de Tefé vêm se organizando para proteger os ninhos de quelônios, por meio da vigilância das praias e da translocação de ninhos para locais seguros. Em 2023, o Instituto Mamirauá, por meio de seu Programa de Manejo da Fauna, iniciou uma colaboração mais estreita com o ICMBio e a UEA, visando apoiar essas práticas com base técnica, organizacional e científica.
Em janeiro e março de 2025, foram realizadas solturas de quelônios nas comunidades Cumaru (RESEX Baixo Juruá) e Bom Jesus (FLONA de Tefé), com a devolução de mais de 3 mil animais à natureza.
“Desde os anos 90, o Instituto já atua na conservação de quelônios, em projetos que começaram na Reserva Mamirauá e se expandiram por outras regiões da Amazônia. Agora, queremos fortalecer ainda mais esses sistemas, respeitando o saber tradicional e integrando a ciência e a legislação.”
Diogo Lima, coordenador do Programa de Manejo da Fauna do Instituto Mamirauá
Textos e fotos desta seção: notícia de 28 de abril de 2025
Publicações
Notícias e repercussões
5 notícias e repercussões