
Criado para aproximar estudantes da produção científica e contribuir para a formação de novos pesquisadores, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) do Instituto Mamirauá oferece aos jovens da região Norte a oportunidade de desenvolver pesquisas com acompanhamento de orientadores e conhecer, na prática, diferentes etapas da ciência. Em Tefé (AM), o programa já tem mais de duas décadas de trajetória e busca também fortalecer a produção de conhecimento sobre a Amazônia a partir do próprio território.
Ao longo de 12 meses, os bolsistas participam de capacitações, desenvolvem pesquisas e apresentam os resultados em seminários. As bolsas contemplam áreas como ciências biológicas, ciências sociais, arqueologia, manejo de recursos e inovação. Nos últimos anos, o programa reúne, em média, de 20 a 25 estudantes por ciclo e já formou ou apoiou mais de 500 alunos.
“Eles viram protagonistas dos seus projetos e é muito satisfatório ver essa evolução deles”, destaca Hilda Chávez, pesquisadora do Instituto Mamirauá e coordenadora do PIBIC.
A experiência também tem reflexos na trajetória acadêmica dos estudantes. Segundo a coordenação, mais de 70% dos bolsistas dão continuidade à formação acadêmica. Alguns participam de publicações científicas, recebem reconhecimento em eventos de iniciação científica e, posteriormente, seguem atuando em pesquisas ou passam a integrar o próprio Instituto Mamirauá. As bolsas são destinadas a estudantes do ensino médio e do ensino superior, nas modalidades Júnior e Sênior.
“Nesse mês, que ocorreu a apresentação final da bolsa, ficamos mais uma vez surpresos com o desempenho dos bolsistas e a contribuição de suas pesquisas para a região, que incluem espécies que não haviam sido identificadas, plantas que não sabíamos que existiam na região do Médio Solimões, entre outras”, explica Jean Quadros, Analista de pesquisa e desenvolvimento do Instituto Mamirauá e vicecoordenador do PIBIC.
A atuação dos jovens em seus territórios
Além da formação científica, o programa contribui para aproximar o Instituto da população local. Os estudantes também levam para suas comunidades conhecimentos e experiências adquiridos durante as pesquisas, ampliando a compreensão sobre a ciência produzida na região.


“O programa PIBIC, além da formação e do fomento para os estudantes, também insere ciência e pesquisa no território desses bolsistas, que acabam integrando esse conhecimento junto do Instituto”, afirma Hilda.
Esse conhecimento também ganha significado dentro das comunidades indígenas. Hiago Marques Cruz, indígena da etnia Cambeba, da aldeia Jaquiri, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, desenvolveu a pesquisa “Fauna parasitária de Osteoglossum bicirrhosum (Aruanã) provenientes da pesca artesanal no Médio Solimões”. Para ele, levar os resultados da pesquisa para sua comunidade é uma forma de ampliar o conhecimento sobre um recurso importante para a população.
“Esse conhecimento é importante para mim como indígena também, porque há muita ausência de conhecimento na questão da pesquisa. Levar esse novo olhar em relação à pesquisa e também sobre a fauna parasitária para as comunidades, para a minha aldeia, é fundamental, já que a gente utiliza o Aruanã como recurso fundamental na pesca artesanal e também para a nossa alimentação”, afirma Hiago Marques.
Ao incentivar a participação de jovens da região na produção científica, o PIBIC fortalece uma rede de conhecimento que conecta formação acadêmica, pesquisa e território, contribuindo para que novas gerações também sejam protagonistas na construção do conhecimento sobre a Amazônia.
Para Yasmim Salgado, bolsista do programa, pesquisar a diversidade de borboletas frugívoras em áreas de mangue na Reserva Extrativista Marinha de Soure, no Pará, é também uma forma de valorizar o território onde vive. “Acredito que a ciência também pode e deve ser feita dentro da nossa própria realidade. Para mim, pesquisar o território é também uma forma de valorizá-lo e mostrar a importância de sua conservação. Quero continuar aprendendo, pesquisando e contribuindo para que a ciência produzida na minha região tenha cada vez mais reconhecimento”, afirma.
Fotos: Tácio Melo e Acervo PIBIC
Texto: Tácio Melo | Instituto Mamirauá