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Renda gerada com manejo de pirarucu ultrapassa R$1,6 milhão, em 2012

Escrito por

Instituto Mamirauá

Publicado em

06/04/13

Em 2012, o Instituto Mamirauá assessorou sete sistemas de manejo nas Reservas Mamirauá e Amanã, estendeu-se a 27 comunidades ribeirinhas e a três Colônias de Pescadores dos municípios vizinhos (Tefé, Alvarães e Maraã). O Programa de Manejo de Pesca capacitou mais de 400 pessoas para o uso adequado dos recursos pesqueiros, beneficiando 1.061 pescadores com o manejo.

Foram capturados 5.858 pirarucus totalizando 304.183 quilos, o que representa 99,6% da cota autorizada. Deste volume total de produção, 303.988 quilos foram comercializados. A média do peso dos pirarucus capturados foi de 52 quilos e a média do comprimento foi de 177 centímetros, sendo que 77,5% dos pirarucus apresentou tamanho igual ou superior a 165 cm.
A maior parte da produção (90,6%) foi comercializada no mercado local (Tefé, Alvarães e Maraã) e 9,4 % da produção ao mercado regional (Manaus). O preço médio pago pelo quilo do peixe foi de R$ 5,54 que resultou em R$ 1.683.726,90 de faturamento total bruto, proporcionando ao pescador um faturamento bruto médio de R$ 1.586,92.
Manejo de pirarucus completa, em 2013, 15 anos beneficiando mais de mil pessoas e gerando faturamento que ultrapassa R$ 10 milhões de reais para pescadores
2013 é um ano de comemoração para o manejo participativo de pirarucus, promovido com supervisão técnica do Instituto Mamirauá, nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, estado do Amazonas. O manejo está completando 15 anos, alcançando resultados expressivos como o benefício anual para mais de mil pessoas e, desde 1999, estima-se que mais de R$ 10 milhões de reais tenham sido gerados de renda para os manejadores.
Segundo Ana Cláudia Torres, coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, os objetivos propostos estão sendo superados: “A gente vê que os objetivos estão sendo alcançados, com a recuperação dos estoques desta espécie e a adesão dos pescadores, pois eles se tornam os guardiões deste importante recurso”. O estoque natural de pirarucus, nas áreas manejadas das Reservas Mamirauá e Amanã, aumentou em média mais de 447%, nos últimos 12 anos.
O aumento no número de pirarucus nas áreas manejadas trouxe renda para os manejadores: “Nessa área que nós trabalhamos hoje, era uma área muito escassa de pirarucu e isso com trabalho de um ano que nós tínhamos começado a proteção da área a gente começou a ver que o peixe começou a aparecer, e com dois anos que nós começamos a fazer o manejo”, disse Raimundo de Oliveira Queiroz, presidente da Colônia de Pescadores Z-23 de Alvarães.
Na década de 1990, pesquisas sobre aspectos da ecologia, biologia e pesca da espécie foram realizadas pelo Instituto Mamirauá, para subsidiar o manejo. A partir da demanda dos próprios pescadores, em trabalhar de forma legalizada, o Instituto Mamirauá encaminhou um projeto solicitando a autorização para a pesca do pirarucu dentro de um sistema de exploração sustentável experimental, ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
“Antigamente, a pesca era de uma forma ilegal, sem controle, sem conhecimento. Mas na hora que se colocou o manejo, com a pesquisa do Instituto Mamirauá dentro da Reserva, eles orientaram muito os comunitários, e os comunitários orientaram seus pescadores, as pessoas da comunidade como uma forma de educar mesmo”, analisou Marcos Cardoso, da comunidade São Raimundo do Jarauá, a primeira comunidade da Reserva Mamirauá a realizar o manejo.
Para Marcos, o futuro do manejo de pirarucu vai trazer mais renda para as comunidades: “O futuro que eu desejo para essa comunidade é que esse manejo cresça cada vez mais, que fique dando essa mesma renda que está dando hoje para os comunitários, para melhorar ainda mais a qualidade de vida dos moradores, como a gente já sente hoje”.

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