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Prontos para trabalho prático nas comunidades, jovens apresentam projetos de conclusão de curso

Escrito por

Amanda Lelis

Publicado em

31/07/15

Os estudantes do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) – Tecnologias Sociais da Amazônia do Instituto Mamirauá estão mais perto da formatura. Nos dias 29, 30 e 31 de julho, os 23 jovens do CVT apresentaram seus projetos de conclusão de curso para os colegas, orientadores, técnicos e pesquisadores do Instituto, e também para lideranças e representantes de suas organizações e comunidades tradicionais da Amazônia.

Após a apresentação do Projetos de Conclusão de Curso, a próxima etapa será a execução dos projetos em campo, nas suas comunidades e organizações de origem que os escolheram e indicaram para participar do CVT e onde agora irão implementar suas propostas. Os jovens estão no Instituto Mamirauá desde o primeiro semestre de 2014, quando iniciaram o curso Técnico em Gestão de Tecnologias Sociais no CVT. Durante esse período de aprendizado, a turma participou de módulos que intercalaram aulas formais e também atividades de campo, com o apoio de técnicos e pesquisadores do Instituto, que atua como uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Os projetos realizados pelos jovens expõem propostas de manejo ou pesquisa que oferecem alternativas para os desafios encontrados pela população rural das comunidades tradicionais da região. Os temas escolhidos pelos alunos foram: a proteção de áreas de desova de quelônios, turismo de base comunitária, agricultura familiar e manejo florestal, entre outros assuntos.

“A gente percebe que houve uma grande evolução dos estudantes. O trabalho que o CVT fez esse tempo foi de otimizar o conhecimento que os alunos já tinham, foi para oferecer ferramentas para que eles pudessem desabrochar essa missão, esse trabalho que eles pretendiam realizar nas áreas em que moram”, afirmou Sandro Augusto Regatieri, gestor do CVT.

Railene Pinto da Silva apresentou seu projeto de pesquisa e intervenção, que visa identificar o potencial produtivo do óleo de copaíba na comunidade em que vive, Bela Conquista, localizada na Reserva Extrativista Catuá-Ipixuna. A jovem, durante a apresentação, destacou a tradicional utilização do óleo de copaíba no Amazonas, para fins medicinais e cosméticos e também como tinta e combustível. “Esse não é um trabalho que está sendo iniciado por mim. Desde 2014, a comunidade vem se mobilizando e recebendo orientações para o uso sustentável desse recurso. Com o projeto, vamos enfrentar os problemas e dificuldades citados pelos moradores”, comentou.

A aluna ressaltou em sua apresentação que o manejo de produtos florestais não madeireiros tem sido considerado como uma alternativa para a conservação de produtos florestais e para a promoção de benefí­cios econômicos para os moradores. De acordo com a jovem, as atividades em campo do seu projeto contemplam um inventário florestal, com o mapeamento das áreas que apresentam copaibeiras, identificação das árvores com placas de alumínio e marcação do ponto em GPS, coleta botânica para identificação posterior em laboratório, até a extração e coleta do óleo.

Outro projeto apresentado foi do aluno Luiz Carvalho Seabra, da comunidade Costa da Ilha, localizada no município de Fonte Boa. O jovem visa realizar um diagnóstico do perfil e da viabilidade para a implantação de manejo florestal comunitário no setor Maiana, os setores são áreas da divisão polí­tica na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

O aluno destacou que, mesmo tendo a pesca como uma atividade muito forte na região, a demanda do diagnóstico foi feita pelos comunitários, para que fosse avaliada a viabilidade do manejo florestal como mais uma alternativa de renda para os moradores.

Todos os alunos do CVT tiveram seus projetos de conclusão de curso orientados por pesquisadores e técnicos do Instituto Mamirauá e por técnicos parceiros, como é o caso de analistas do ICMBio. Durante os próximos quatro meses, os jovens retornam para as suas comunidades e organizações para a execução do projeto na prática. Em dezembro, na sede do Instituto, serão apresentados os resultados finais dos trabalhos para uma banca avaliadora, formada por especialistas nos temas escolhidos pelos jovens.

Veja a lista com todos os projetos.

Texto: Amanda Lelis

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