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Projetos de manejo conservam a floresta e melhoram a vida das comunidades locais

Escrito por

Lí­sia Gusmão

Publicado em

08/03/17

Instituto Mamirauá presta assessoria técnica para 11 projetos de manejo. No caso do pirarucu, foi o caminho encontrado para a retomada da produção de forma legal e racional, que resultou em 480 toneladas de peixe em 2016. Extração de madeira da floresta também beneficia 15 comunidades da Amazônia.
Com apoio do Instituto Mamirauá, a pesca manejada de pirarucu no interior da Amazônia superou a marca de 480 toneladas em 2016. Os dados encaminhados ao Ibama incluem a participação de 1.336 pescadores das comunidades ribeirinhas localizadas nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Amanã e Mamirauá. Da cota autorizada de 14.495 peixes, foram capturados 9.027 pirarucus com peso médio de 53,3 quilos e 181,9 centímetros de comprimento.
A maior parte da produção foi comercializada em Manaus e nos municípios de Iranduba, Itacoatiara e Parintins, todos no Amazonas, somando R$ 1,938 milhão de faturamento bruto, aproximadamente. Para 2017, a expectativa é que o Ibama autorize a pesca de 13.613 pirarucus.
O manejo é feito com assessoria técnica do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Espécie vulnerável à extinção, um pirarucu grande pode pesar até 100 quilos. Com respiração branquial, torna-se perceptível aos olhos do pescador. Suas escamas vermelhas remetem à ideia do urucum vermelho. Daí o nome pirarucu.
“O manejo do pirarucu funciona como guarda-chuva. Ao iniciar o trabalho de manejo, você trabalha a legislação ambiental, o período de defeso e o tamanho mínimo das espécies. Isso pode contribuir para a conservação de grandes áreas florestais. Onde há manejo, a floresta está quase intacta”, avalia a coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Mamirauá, Ana Cláudia Torres.
O desafio agora é inserir o pirarucu na polí­tica pública de incentivo à produção e de garantia do preço mínimo. “E exigir do Estado investimentos no setor”, acrescenta Ana Cláudia.
Manejo
Além do pirarucu, o Instituto Mamirauá assessora outros 10 projetos de manejo, estratégia adotada para a conservação dos recursos naturais e a melhoria da qualidade de vida da população local.
As comunidades gerenciam os sistemas, estabelecendo normas de uso, restrições de acesso e ações de proteção. A assessoria técnica é feita com base em resultados de pesquisas, monitoramento das espécies e respeito à legislação ambiental. Só o manejo do pirarucu está implantando em 22 municípios do Amazonas. Foi o caminho encontrado para a retomada da produção de forma legal e racional.
Em 15 comunidades da Reserva Mamirauá, a extração de madeira da floresta também é feita de forma manejada, com assessoria ddo Instituto Mamirauá, e financiamento do Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES. Entre novembro de março, época da seca na floresta de várzea, as áreas de manejo são delimitadas e é feito o levantamento do estoque das espécies escolhidas para comercialização. “Também é o melhor momento para ser executada a exploração ou corte das árvores que forem escolhidas no ano anterior e licenciadas”, explica a coordenadora do Programa de Manejo Florestal do Instituto Mamirauá, Elenice Assis.
Segundo ela, no caso da madeira em tora, o transporte para o comprador é feito na cheia dos rios, entre abril e agosto. “Esse é o período em que a madeira em tora está sendo organizada em jangada com destino ao comprador, geralmente, indústrias madeireiras. “
Elenice ressalta que, do ponto de vista social, o manejo florestal complementa a renda das famílias das comunidades ribeirinhas, que podem contar com uma “fonte certa de recurso”. Nos últimos anos, a renda média obtida a partir da extração de madeira variou de R$ 2,5 mil a R$ 8 mil por família. “A madeira é um produto que tem um mercado estabelecido, seja local ou regionalmente. As famílias se planejam para o trabalho com a madeira e contam com a renda gerada nesse trabalho para adquirir bens duráveis e de valor”, afirma.
Outro aspecto não menos importante é que o manejo florestal é uma forma racional e sustentável de conservar as florestas e tudo que há nela. “Planejar o uso do recurso natural garante a conservação das espécies e oferece às gerações futuras a oportunidade de utilizar os mesmos recursos que são usados hoje.”
Texto: Lí­sia Gusmão, Ascom MCTIC

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