©

Projeto “Ciência Cidadã” leva o tema da migração de peixes amazônicos a escolas em Tefé, no Amazonas

Escrito por

Vanessa Eyng

Publicado em

25/09/18

   Atividades fazem parte do projeto pedagógico Bacia Amazônica: Conectividade, Migrações e Ciência Cidadã e conta com o incentivo do Instituto Mamirauá na região

Duas escolas do município de Tefé, no Amazonas, já trabalharam com o projeto pedagógico Bacia Amazônica: Conectividade, Migrações e Ciência Cidadã. Os professores da escola Colônia Ventura, do bairro Abial, e da escola Nossa Senhora das Graças, da Missão, implementaram o projeto em sala de aula durante o decorrer do mês de setembro. Foi uma oportunidade dos alunos trazerem seus conhecimentos sobre os peixes e aprenderem mais sobre a Bacia Amazônica.

Os próprios professores escolheram as atividades que iriam desenvolver e como aplicariam o material disponibilizado pelo projeto Ciência Cidadã para a Amazônia. Assim, as atividades foram múltiplas e conseguiram incluir questões locais para discutir com as crianças.

“Acreditamos que é importante os próprios professores incluírem essa discussão em sala de aula, incorporando nossa proposta de trabalho e adaptando os nossos materiais para as suas realidades. Esperamos que essa discussão sobre os peixes e a migração, tão importante para o dia a dia das crianças aqui de Tefé, continue nos próximos anos”, menciona Vanessa Eyng, analista de pesquisa do Instituto Mamirauá.

Mapas e meus locais de pesca

Os alunos do 7º ano da escola Nossa Senhora das Graças apostaram em criar seu próprio mapa. Os professores George e André, da disciplina de Geografia, propuseram para a turma trazer o nome dos peixes que eles conhecem e pescam e colocar no mapa onde essas pescas ocorrem. Ao final, construíram em conjunto uma lista com mais de 50 peixes em seu próprio mapa de pesca. Nessa escola, muitos dos alunos pescam e acompanham os familiares em viagens de pesca, e dominam muito bem o assunto.

Assaga, de 15 anos, é um desses alunos pescadores. Ele costuma ir com seu pai e seu avô para os lagos da região, para pescar de anzol, peixes lisos ou miúdos. Os lisos são os bagres e os miúdos são vários tipos de peixes de escama. Em sua maioria, esses são os peixes que realizam migrações de média e longa distância. Trazer esses temas para dentro da escola deixou Assaga animado: “Eu gostei muito de falar sobre os peixes.Eu gostei muito de mostrar no mapa a nossa região e os peixes que a gente pesca”.

Pescaria na prática

Na escola Colônia Ventura a diversão ficou por conta de uma pescaria na prática. Os alunos e alunas trouxeram seus próprios apetrechos de pesca. Nada mais explícito para mostrar como os peixes e a pesca são um tema que faz parte do dia a dia das crianças. Eles foram, junto com os professores, para um igarapé próximo. Mas a pescaria não foi muito boa: só alguns mandis caíram no anzol. Kedson, aluno de 12 anos do 6º ano, foi rápido para se justificar: “Nessa época que começa a secar os peixes saem do igarapé para o rio, aí não tem muito peixe aqui”. Foi uma aula sobre migração na prática.

Você sabia?

Curiosidades sempre chamam a atenção. E nas duas escolas saber que todos os filhotes de surubins nascem como fêmea e só alguns se tornam machos depois impressionou muita gente. Essa curiosidade está em uma pergunta do jogo de tabuleiro “Uma só Bacia” e foi a preferida entre os professores e alunos. Para a professora Ana Cristina da Silva Braga, da Colônia Ventura, o aprendizado foi conjunto.

“Os alunos ficaram muito interessados. Trabalhando esses temas em sala de aula, e trazendo informações de casa, nós aprendemos também junto com eles. Eu espero que esse trabalho não pare por aqui”, completa a professora.

Quer utilizar esses materiais também?

Os jogos, cartilhas e vídeos que fazem parte do pedagógico Bacia Amazônica: Conectividade, Migrações e Ciência Cidadã, estão disponíveis para download no site do projeto Ciência Cidadã para a Amazônia. Acesse aqui.

O projeto Ciência Cidadã para a Amazônia é resultado do trabalho associado da Wildlife Conservation Society (WCS) e atualmente é composto pelo Laboratório de Ornitologia de Cornell, Florida International University, Conservify, Instituto Mamirauá, Instituto del Bien Común, San Diego Zoo Global, Fab Lab Perú, Ecoporé, Sapopema, Universidad San Francisco of Quito, Rainforest Expeditions, Fundação Universidade Federal de Rondônia, Institut de Recherche pour le Développement, Universidad de Ingeniería y Tecnología, Instituto Sinchi, ACEER, CINCIA, ProNaturaleza, Instituto de Investigaciones de la Amazonía Peruana, Institute for Global Environmental Strategies, Earth Innovation Institute, FAUNAGUA, e Fundación Omacha.

O Ciência Cidadã também colabora com redes como a Iniciativa Águas Amazônicas, o Projeto Amazon Fish, Rios Vivos Andinos, Amazon Dams Network e International Rivers. O projeto é possível graças ao generoso apoio da Fundação Gordon e Betty Moore.

Texto: Vanessa Eyng

últimas notícias

Pesquisadores e ribeirinhos se unem para monitorar o clima na Amazônia

Estação meteorológica é instalada na Floresta Nacional de Tefé como parte das ações do projeto Lagos Sentinelas […]

Bianca Darski
2 de março de 2026

Bianca Darski
2 de março de 2026

Pesquisa indica que a educação em saúde e acesso a iluminação podem reduzir mordidas de morcego-vampiro e risco de raiva na Amazônia

Projeto realizado pelo Instituto Mamirauá em comunidades tradicionais do Amazonas demonstra que o uso de lanternas solares […]

Instituto Mamirauá
24 de fevereiro de 2026

É o Dia das Mulheres na Ciência: Instituto Mamirauá fortalece equidade de gênero na Amazônia por meio da pesquisa e valorização de saberes tradicionais 

As mulheres são maioria nas universidades e pós-graduações brasileiras. No entanto, a representatividade feminina é baixa em […]

Instituto Mamirauá
11 de fevereiro de 2026

Instituto Mamirauá realiza expedição para mapeamento de riscos ambientais em 50 comunidades do Médio Solimões. 

11 de fevereiro de 2026

Nota de Falecimento – Raimundo Nonato Corrêa da Silva, “Lulu”

4 de fevereiro de 2026

Instituto Mamirauá disponibiliza novas edições de cartilhas sobre manejo do pirarucu 

31 de janeiro de 2026

Posicionamento da Iniciativa de Golfinhos de Rio da América do Sul, SARDI, sobre avaliação da saúde de golfinhos de rio 

29 de janeiro de 2026

Instituto Mamirauá e parceiros capacitam 50 agentes de saúde em tratamento de água, saneamento e higiene em Tefé, Amazonas

18 de dezembro de 2025

últimas notícias

Nova pesquisa revela o potencial de alimentos negligenciados para fortalecer a segurança alimentar no Brasil

Estudo realizado em parceria com o Instituto Mamirauá mapeia 369 espécies alimentares negligenciadas no Brasil, abrangendo plantas, […]

Instituto Mamirauá
10 de março de 2026

Instituto Mamirauá
10 de março de 2026

Pibict: Jovens fortalecem a pesquisa científica no Amazonas

Seminário confirma impacto positivo: ao longo do Programa de Iniciação Científica e Tecnológica coordenado pelo Instituto Mamirauá, […]

Instituto Mamirauá
5 de março de 2026

Lagarto de duas caudas: pesquisadoras do Instituto Mamirauá lançam história em quadrinhos sobre caso curioso em lagarto amazônico

Imagine um lagarto que, na tentativa de escapar de um predador, ao invés de perder a cauda, […]

Instituto Mamirauá
2 de março de 2026

Pesquisadores e ribeirinhos se unem para monitorar o clima na Amazônia

2 de março de 2026

Pesquisa indica que a educação em saúde e acesso a iluminação podem reduzir mordidas de morcego-vampiro e risco de raiva na Amazônia

24 de fevereiro de 2026

É o Dia das Mulheres na Ciência: Instituto Mamirauá fortalece equidade de gênero na Amazônia por meio da pesquisa e valorização de saberes tradicionais 

11 de fevereiro de 2026

Instituto Mamirauá realiza expedição para mapeamento de riscos ambientais em 50 comunidades do Médio Solimões. 

11 de fevereiro de 2026

Nota de Falecimento – Raimundo Nonato Corrêa da Silva, “Lulu”

4 de fevereiro de 2026

Secret Link