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Professores participam de oficina de Educação Ambiental no Instituto Mamirauá

Escrito por

Amanda Lelis

Publicado em

01/06/15

Nas Reservas Mamirauá e Amanã, professores estão sendo encorajados a utilizar os espaços das comunidades como ambientes didáticos para suas aulas. Para além do uso de livros, a ideia é que a área da comunidade seja um recurso para os alunos aprenderem sobre matemática, história, ciências, e outras disciplinas, incorporando os temas da conservação do meio ambiente, dos conhecimentos sobre a biodiversidade local e os saberes tradicionais, como temas transversais de suas aulas.

Entre os dias 25 e 27 de maio,  15 professores dessas duas Unidades de Conservação participaram de uma oficina sobre viveiros educativos do projeto “Cantinho da Ciência”, realizada na sede do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), localizado em Tefé (AM). O projeto propõe promover a interação entre escola e comunidade, disseminando práticas educacionais criativas e a utilização de espaços da comunidade como ambiente educativo.

“A gente espera que essas atividades venham gerar conhecimento para os alunos, para os professores, e para os próprios manejadores florestais dessas comunidades. Um dos objetivos do projeto é essa valorização dos recursos naturais que existem nas comunidades”, enfatizou Claudia Santos, Educadora Ambiental do Instituto Mamirauá.

Durante a oficina, ministrada por educadores ambientais, pesquisadores e técnicos do Instituto Mamirauá, os professores realizaram um mapeamento da comunidade, relatando as espécies florestais encontradas na localidade, e também fizeram, junto com a equipe do Instituto, um diagnóstico, apresentando a realidade de cada escola, número de alunos, perfil das turmas, entre outras informações.

A equipe do Grupo de Pesquisa de Ecologia Florestal, do Instituto Mamirauá, ministrou parte da oficina, apresentando para os professores temas como a classificação de espécies nos diferentes ambientes amazônicos, várzea e terra firme, em diferentes períodos do ano, como cheia e seca, entre outros conteúdos.

Durante a oficina, os professores também aprenderam sobre como aplicar os conhecimentos sobre a floresta na sala de aula, conciliando com as disciplinas regulares. A equipe de Educação Ambiental do Instituto trabalhou técnicas pedagógicas e planejamento de aula, para contribuir para o desempenho dos trabalhos na comunidade.

Quatro comunidades já construíram viveiros educativos que serão utilizados para ações de educação ambiental. As comunidades Ingá, Barroso, Sítio Fortaleza (Reserva Mamirauá) e Nova Betânia (Reserva Amanã) já possuem esse novo espaço de aprendizado coletivo, para incentivar o reconhecimento e a importância do território onde vivem, estimulando o uso sustentável dos recursos naturais.

A educadora ambiental Eliane Neves destaca que “o objetivo principal do projeto é sensibilizar os professores quanto ao uso do ambiente das comunidades nas aulas. O viveiro, e o projeto como um todo, é mais um meio de aplicação de novas práticas pedagógicas. É uma forma de resgatarmos com eles o conhecimento dessas espécies que estão na vida deles, no seu cotidiano, como são importantes na vida da comunidade, a relação que eles têm com as espécies. E como podem usar esse conhecimento no ambiente de aula”

A comunidade Vista Alegre, onde vive a professora Cleidiane de Souza Barbosa, ainda não construiu o viveiro educativo, mas já planeja atividades de educação ambiental com os alunos, utilizando o espaço da comunidade. “A gente trabalha numa área de manejo, e sabe da importância desses viveiros para nossa comunidade. É muito bom a gente trabalhar a prática, porque a aprendizagem que a gente tem já é importante para nós, educadores, imagina para os alunos que a gente vai trabalhar. Estamos com o projeto de construir nosso viveiro e horta escolar. Vai beneficiar a aprendizagem para as crianças e também a replantação nas florestas”, conta a professora.

A professora Sarah Filgueiras, da comunidade Ingá, já planeja as atividades no viveiro educativo construído em conjunto pelos comunitários. ” Como na comunidade onde moramos, na zona rural, as vezes eu preciso construir uma canoa, um remo, fazer minha própria casa, eu vou na floresta para retirar a madeira. Então eu não devo só retirar, eu tenho pra mim a importância de repor para a natureza. Nas oficinas tivemos aulas teóricas e práticas e já pudemos aprender a definir algumas espécies de árvores, sementes e obter mais conhecimento quanto à germinação, colheita, duração da germinação de cada semente”, afirma.

Além dos viveiros educativos, o projeto também prevê a construção de minilaboratórios, equipados com lupas e microscópio portátil, em algumas comunidades.

Essas ações fazem parte do projeto “Participação e Sustentabilidade: o Uso Adequado da Biodiversidade e a Redução das Emissões de Carbono nas Florestas da Amazônia Central” – BioREC – desenvolvido pelo Instituto Mamirauá com financiamento do Fundo Amazônia.

Texto: Amanda Lelis, com colaboração de Aline Fidelix.

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