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Primeira turma de estudantes do Centro Vocacional Tecnológico do Instituto Mamirauá comemora formatura

Escrito por

Instituto Mamirauá

Publicado em

05/02/16

Com o certificado nas mãos, os 20 estudantes do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) – Tecnologias Sociais da Amazônia retornam para suas comunidades comemorando. Foi realizada na quinta-feira, 04 de fevereiro, a cerimônia de formatura da primeira turma do curso CVT, iniciativa do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Carlos de Carvalho Gonçalves, de 26 anos, é um dos formandos do curso. Morador da comunidade Costa da Ilha II, no município de Fonte Boa (AM), comemorou os resultados da conclusão do curso. “No CVT, eu aprendi mais do que esperava, aprendi que o valor de uma pessoa não vem de qualidade, vem de acreditar em si mesmo. Eu saio dizendo que eu sou capaz do que eu posso fazer. Hoje eu vejo que o meu aprendizado e minha formação facilitou várias coisas, as portas estão abertas pra gente como não estavam dois anos atrás”, comentou.

Sandro Regatieri, supervisor do CVT, destaca que a proposta pedagógica do curso teve ênfase em projetos desenvolvidos a partir das demandas e experiências que os estudantes buscavam e da abordagem prática, momento em que os estudantes aplicavam o aprendizado em campo. Em dois anos, a turma aprendeu sobre energias renováveis, sistemas agroflorestais, gestão comunitária, manejo de pesca, manejo florestal, entre outros temas.

“Essa primeira turma foi uma prova de que é possível que o Instituto Mamirauá desenvolva cursos de longa duração, apostando na capacidade dos jovens comunitários e no poder das associações, incentivando e incluindo esses jovens nos processos de gestão delas mesmas. Esses jovens, capacitados pelo CVT, são a possibilidade de sustentabilidade das associações”, reforçou Sandro.

Durante a cerimônia de entrega dos certificados, o técnico do ICMBio, Rafael Rossato, comentou sobre a importância da formação de lideranças que contribuam para o desenvolvimento das comunidades ribeirinhas da região. “A renovação de lideranças nas unidades de conservação sempre foi um gargalo, essa iniciativa atinge esse gargalo para a gestão dessas áreas e associações. Os estudantes agora têm um potencial para fortalecer as associações e as comunidades que os indicaram para esse curso”, disse Rafael Rossato.

Sandreani Palheta, outra formanda do CVT, representou os colegas, lendo um discurso de agradecimento na cerimônia. “Representando os estudantes da primeira turma, numa retrospectiva desses dois anos, quero dizer o quanto foi gratificante aprender, compartilhar conhecimentos, trocar experiência. Lembro lá no começo, quando iniciamos o curso, chegamos ansiosos de como seria essa caminhada”, disse.

A inciativa é uma unidade de ensino e de profissionalização, voltado para a difusão do acesso ao conhecimento científico e tecnológico e conhecimentos práticos. A diretora de Manejo e Desenvolvimento do Instituto Mamirauá, Isabel Sousa, reforçou o papel do CVT para a transferência de gestão dos projetos implementados pelo Instituto.

“A proposta do CVT está dentro das nossas estratégias de transferência de gestão dos projetos de manejo de recursos naturais e de tecnologias sociais que o Instituto desenvolve. Essa é a primeira turma, as lideranças das comunidades precisam ser renovadas, os projetos precisam ter continuidade e contamos com esses estudantes”, ressaltou Isabel.

Também participaram da cerimônia de formatura representantes de instituições que contribuíram para a realização do curso. Compondo a mesa estavam Raimundo Queiróz, presidente da Colônia de Pesca Z-23, Assunta Araújo, representando a Secretaria de Educação de Tefé, instituição pública que cedeu professores para o curso do CVT, Jossineide Queiróz, representando o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas e Rafael Rossato, do ICMBio.

Com os certificados em mãos, os jovens retornam para suas comunidades para aplicar o conhecimento adquirido. “Com a minha chegada de retorno à comunidade, a gente vê que eles acreditam na gente. Por eu ter novas ferramentas que eu vim buscar aqui no CVT. Eu não tinha noção de como precisava ser o trabalho numa associação, hoje faço parte da organização da gestão da comunidade e isso me ajudou muito a ter mais compromisso e responsabilidade com o meu trabalho. É mais um sonho realizado. O meu aprendizado e a minha vida no CVT ajudou muito a minha comunidade, não só a minha comunidade, mas a minha caminhada daqui pra frente”, completou o formando Carlos Carvalho.

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