©

Pesquisadores registram a maior fêmea reprodutora de jacaré-açu

Escrito por

Augusto Rodrigues

Publicado em

23/11/12

23/11/2012 – Há cinco anos, pesquisadores do Instituto Mamirauá realizam pesquisas sistemáticas sobre as espécies de jacarés que habitam nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, no noroeste do Amazonas. Entre os meses de outubro a janeiro, durante a estação seca, cientistas e seus assistentes caminham mata adentro em busca dos locais de nidificação das fêmeas de jacaré-açu e jacaretinga. Este ano, durante o monitoramento de áreas de nidificação, a equipe conseguiu capturar para análises a maior fêmea reprodutora de jacaré-açu registrada até agora.

A fêmea mediu 2,91 metros, com peso de 74 quilos. O registro foi feito no início de outubro: a equipe a encontrou na borda de um lago, perto do ninho, onde havia 32 ovos (na última temporada de reprodução, o tamanho médio das ninhadas foi de 28,6 ovos). Além de proteger o ninho, a fêmea cuidava também de filhotes, provavelmente suas crias, nascidas no ano passado.

Para o biólogo Robinson Botero-Arias, pesquisador do Instituto Mamirauá que coordena os estudos sobre jacarés do projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), o registro desta fêmea reprodutora é um sinal positivo. Segundo o biólogo, fêmeas maiores são mais velhas e, possivelmente, mais adaptadas ao ambiente, com mais chances de gerar filhotes saudáveis e protegê-los de ameaças naturais, garantindo que mais jacarés cheguem à idade reprodutiva.

“Esse dado nos ajuda a conhecer o estado da população reprodutiva. As pesquisas têm demonstrado que as populações de jacarés na Reserva Mamirauá estão maduras, estáveis e se adaptaram bem à forte pressão de caça no passado”, afirma o biólogo.

Na década de 40, o colapso da economia da borracha na Amazônia forçou moradores de áreas ribeirinhas a buscar novas alternativas econômicas. Entre as alternativas, surge o comércio de peles e, posteriormente, carne de jacarés. Em 1967, a caça de espécies silvestres foi proibida no Brasil e, com o fortalecimento do movimento ambientalista nas décadas de 1970 e 1980, a procura pelos subprodutos de jacarés diminuiu. O jacaré-açu, considerado até os anos 1990 como ameaçado de extinção, hoje é classificado por órgãos de proteção ambiental como espécie que corre baixo risco de desaparecer da natureza, mas que depende de programas de conservação.

Como funciona o monitoramento de ninhos de jacarés

As atividades de monitoramento incluem a observação de fatores ambientais do local de nidificação e algumas características do ninho, como temperatura e número de ovos.

Com o auxílio de moradores locais, os pesquisadores percorrem as bordas de lagos e canos na floresta, caminhando em áreas que permanecem alagadas durante metade do ano. O objetivo é monitorar pequenos lagos no interior da mata. Ao redor destes lagos é que as fêmeas de jacaré costumam montar os ninhos, juntando material vegetal disponível nas bordas.

Ao localizar uma fêmea protegendo um ninho, a equipe de pesquisa laça o animal e o imobiliza. Nesse momento são realizadas avaliações gerais sobre as condições físicas da fêmea, além do registro de 30 dados biométricos, que incluem peso, comprimento, e frequências cardíaca e respiratória. Os pesquisadores também coletam sangue para dosagem de glicose e hormônios, e tecido para análises genéticas. Também é feito o registro do tamanho e peso dos ovos, além da avaliação do estágio de desenvolvimento dos embriões, que é feita pela observação direta da mancha opaca, sobre o ovo. Este trabalho dura, em média, 20 minutos e a fêmea é solta imediatamente.

As pesquisas sobre jacarés nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã recebem o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental.

Texto: Augusto Rodrigues

últimas notícias

Pesquisadores e ribeirinhos se unem para monitorar o clima na Amazônia

Estação meteorológica é instalada na Floresta Nacional de Tefé como parte das ações do projeto Lagos Sentinelas […]

Bianca Darski
2 de março de 2026

Bianca Darski
2 de março de 2026

Pesquisa indica que a educação em saúde e acesso a iluminação podem reduzir mordidas de morcego-vampiro e risco de raiva na Amazônia

Projeto realizado pelo Instituto Mamirauá em comunidades tradicionais do Amazonas demonstra que o uso de lanternas solares […]

Instituto Mamirauá
24 de fevereiro de 2026

É o Dia das Mulheres na Ciência: Instituto Mamirauá fortalece equidade de gênero na Amazônia por meio da pesquisa e valorização de saberes tradicionais 

As mulheres são maioria nas universidades e pós-graduações brasileiras. No entanto, a representatividade feminina é baixa em […]

Instituto Mamirauá
11 de fevereiro de 2026

Instituto Mamirauá realiza expedição para mapeamento de riscos ambientais em 50 comunidades do Médio Solimões. 

11 de fevereiro de 2026

Nota de Falecimento – Raimundo Nonato Corrêa da Silva, “Lulu”

4 de fevereiro de 2026

Instituto Mamirauá disponibiliza novas edições de cartilhas sobre manejo do pirarucu 

31 de janeiro de 2026

Posicionamento da Iniciativa de Golfinhos de Rio da América do Sul, SARDI, sobre avaliação da saúde de golfinhos de rio 

29 de janeiro de 2026

Instituto Mamirauá e parceiros capacitam 50 agentes de saúde em tratamento de água, saneamento e higiene em Tefé, Amazonas

18 de dezembro de 2025

últimas notícias

Nova pesquisa revela o potencial de alimentos negligenciados para fortalecer a segurança alimentar no Brasil

Estudo realizado em parceria com o Instituto Mamirauá mapeia 369 espécies alimentares negligenciadas no Brasil, abrangendo plantas, […]

Instituto Mamirauá
10 de março de 2026

Instituto Mamirauá
10 de março de 2026

Pibict: Jovens fortalecem a pesquisa científica no Amazonas

Seminário confirma impacto positivo: ao longo do Programa de Iniciação Científica e Tecnológica coordenado pelo Instituto Mamirauá, […]

Instituto Mamirauá
5 de março de 2026

Lagarto de duas caudas: pesquisadoras do Instituto Mamirauá lançam história em quadrinhos sobre caso curioso em lagarto amazônico

Imagine um lagarto que, na tentativa de escapar de um predador, ao invés de perder a cauda, […]

Instituto Mamirauá
2 de março de 2026

Pesquisadores e ribeirinhos se unem para monitorar o clima na Amazônia

2 de março de 2026

Pesquisa indica que a educação em saúde e acesso a iluminação podem reduzir mordidas de morcego-vampiro e risco de raiva na Amazônia

24 de fevereiro de 2026

É o Dia das Mulheres na Ciência: Instituto Mamirauá fortalece equidade de gênero na Amazônia por meio da pesquisa e valorização de saberes tradicionais 

11 de fevereiro de 2026

Instituto Mamirauá realiza expedição para mapeamento de riscos ambientais em 50 comunidades do Médio Solimões. 

11 de fevereiro de 2026

Nota de Falecimento – Raimundo Nonato Corrêa da Silva, “Lulu”

4 de fevereiro de 2026

Secret Link