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Pesquisadores e comunitários monitoram reprodução de quelônios

Escrito por

Vanessa Eyng

Publicado em

26/08/14

Como ocorre anualmente, o nível da água está baixando na Reserva Mamirauá. As primeiras praias às margens dos rios e canais começam a aparecer e vão deixando espaço para os quelônios se reproduzirem.  As três principais espécies de quelônios da Amazônia, a iaçá (Podocnemis sextuberculata), o tracajá (Podocnemis unifilis) e a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa), desovam nestas praias.

A rotina de trabalho durante este período é intensa para os pesquisadores. Eles percorrem as praias em busca das fêmeas e quando as encontram, cada animal passa por medições biométricas, pesagem e marcação. “O mesmo acontece para o ninho: marcamos o ninho da respectiva fêmea; contamos o número os ovos; medimos a profundidade do ninho e o tamanho dos ovos; além de marcarmos a localização por pontos de GPS. Então passamos toda a temporada monitorando esses ninhos, até a época do nascimento. Nesse momento colocamos uma tela para capturar os filhotes, fazemos também a biometria e a marcação deles, para depois soltá-los”, conta Ana Júlia Lenz, pesquisadora do Instituto Mamirauá.

Os comunitários também fazem um trabalho de proteção de algumas praias ou trechos de praia durante este período. “Eles monitoram e também registram o número de ninhos e colocam uma bandeira para demarcar que aquela praia é protegida”, diz Ana Júlia.

A pesquisadora também afirma que com este tipo de trabalho é possível  “relacionar o tamanho da fêmea com o tamanho dos ovos, o tamanho da fêmea com o tamanho dos filhotes, o sucesso de eclosão, quantos ovos foram férteis, quantos filhotes nasceram, quantos morreram. Enfim, uma série de características que conseguimos avaliar através deste monitoramento”.

Encontro propõe diretrizes nacionais para a conservação de quelônios

Ana Júlia participou da reunião para elaboração do Plano de Ação Nacional para conservação dos quelônios amazônicos, que ocorreu em Brasí­lia, de 18 a 22 de agosto. Esta reunião foi promovida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).  “Nessa reunião foram estabelecidas ações que cada instituição participante irá  desenvolver para a conservação dos quelônios, em um prazo de cinco anos. Partimos do que entendemos ser as principais ameaças aos quelônios para pensar essas ações.  Uma portaria será publicada no Diário Oficial, contendo as diretrizes do plano”, contou Ana Júlia.

O Instituto Mamirauá desenvolverá ações voltadas para a pesquisa sobre quelônios, a partir de metodologias comuns para toda a Amazônia. A ideia é gerar dados comparáveis em um panorama mais amplo. “Um dos  problemas para a conservação destas espécies é que ainda faltam muitas informações biológicas e ecológicas. Daremos continuidade a um trabalho que já realizamos, colaborando com a pesquisa”, conclui a pesquisadora.

Por Vanessa Eyng

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