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Pesquisadores acompanham nascimentos de quelônios na Reserva Mamirauá

Escrito por

Augusto Rodrigues

Publicado em

23/11/11

22/11/2011 – “Os quelônios são criaturas pacíficas de tal forma que nos dão a impressão que na luta pela vida, em lugar de procurarem armas para atacar, preferiram ganhar couraças para se defender”. A descrição do comportamento paciente dos “bichos de casco” é do biólogo Eurico Santos, registrada em seu livro Anfíbios e Répteis do Brasil (1994).

O trabalho de cientistas que se dedicam ao estudo dos quelônios também é um exercício de paciência. Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, localizada na região do curso médio do rio Solimões, no estado do Amazonas, pesquisadores do projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert) acompanham desde o mês de agosto a temporada de reprodução de tartarugas-da-amazônia, tracajás e a iaçás, espécies de quelônios que utilizam as praias da Reserva para construir seus ninhos durante a época da seca. Quase quatro meses de trabalho depois, com o período de seca chegando ao fim, os cientistas já assistem aos primeiros nascimentos de filhotes.

Em duas praias e em uma área de lagos da Reserva, os cientistas avaliaram os fatores naturais que podem influenciar positiva ou negativamente no sucesso da reprodução dos quelônios. Durante a madrugada, quando as fêmeas de tartaruga-da-amazônia, tracajá e iaçá subiam às praias e margens de lagos para desovar, os pesquisadores do Aquavert precisavam estar a postos, percorrendo continuamente as praias de até cinco quilômetros, na tentativa de localizar as fêmeas que vinham desovar.

O trabalho de aproximação do quelônio durante a desova exigia muita cautela. Se o foco das lanternas assustar a fêmea antes do início da postura, ela interrompe sua busca por um local adequado para desovar e se desloca rapidamente em direção à água. Os cientistas precisavam esperar que as fêmeas terminassem a postura dos ovos, para então capturá-las: até o momento, 32 tartarugas, 13 tracajás e 66 iaçás foram capturadas para a pesquisa. As fêmeas foram pesadas, medidas e marcadas com sinais no casco e com uma etiqueta plástica, que facilitará a identificação do quelônio em uma próxima captura.

Os pesquisadores também coletaram amostras de sangue ou de tecido das fêmeas. Na atual fase do trabalho, quando os filhotes estão nascendo, esse material biológico será utilizado em testes de paternidade múltipla.  A bióloga Cássia Santos Camillo, responsável pelas pesquisas sobre quelônios no projeto Aquavert, explica que, entre os quelônios dessas espécies, é comum que vários machos fecundem uma fêmea e que ela gere filhotes de diferentes pais. “Se em um ninho vários machos fecundaram a fêmea, é sinal que a população está saudável”, diz a bióloga.

Conservação em números

25 ninhos de tartarugas, 44 de tracajás e 39 de iaçás estão sendo acompanhados desde o momento da postura dos ovos. Nesta época, de nascimentos, o trabalho de pesquisa é finalizado com a captura de filhotes para mensuração e pesagem, verificação de deformidades e coleta de amostras sanguíneas.

Nos ninhos monitorados, espera-se que aproximadamente 1875 filhotes de tartaruga, 1100 de tracajás e 585 de iaçás nasçam até meados de dezembro.

Sobre o projeto Aquavert

Na região Amazônica, as tartarugas, tracajás e iaçás são espécies tradicionalmente utilizadas pelas populações locais como fonte de alimento. Embora não estejam classificados como ameaçados de extinção pelo Ibama, as espécies constam na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza: a tartaruga-da-amazônia é classificada como dependente de programas de conservação, e tracajás e iaçás como vulneráveis.

As espécies são pesquisadas pelo projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), desenvolvido pelo Instituto Mamirauá, com o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental. Além dos quelônios, o projeto também desenvolve estudos que visam à conservação de jacarés e mamíferos aquáticos que habitam as Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã.

Texto: Augusto Rodrigues

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