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Pesquisador recebe prêmio internacional por estudos sobre uacaris na Amazônia 

Escrito por

Instituto Mamirauá

Publicado em

10/07/26

Felipe Ennes Silva foi reconhecido pela Sociedade Americana de Primatologia por suas contribuições à pesquisa e à conservação dos uacaris 

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O pesquisador do Instituto Mamirauá, Felipe Ennes Silva, recebeu um dos principais reconhecimentos internacionais destinados a jovens cientistas da área de primatologia. A American Society of Primatologists (Sociedade Americana de Primatologia) concedeu ao brasileiro o prêmio Early Career Achievement, homenagem que destaca pesquisadores com contribuições científicas relevantes nos primeiros anos após a conclusão do doutorado. 

O prêmio reconhece uma trajetória construída ao longo de mais de uma década de pesquisas dedicadas aos uacaris calvos (Cacajao spp.), primatas endêmicos da Amazônia que possuem características únicas, como a face avermelhada, a cauda curta e adaptações anatômicas relacionadas à alimentação. 

A relação de Felipe com a espécie começou em 2012, quando foi convidado pelo Instituto Mamirauá para desenvolver um projeto de pesquisa na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Antes mesmo do início dos trabalhos de campo, mergulhou na literatura científica sobre os uacaris e conheceu as pesquisas pioneiras desenvolvidas pelo fundador do Instituto Mamirauá, Márcio Ayres. 

"Quando comecei a estudar os uacaris, percebi a enorme contribuição dos trabalhos já realizados, mas também o quanto ainda havia para descobrir. No campo, fui conhecendo características únicas desses primatas e, quanto mais avançava nas pesquisas, mais intrigado eu ficava para compreender diferentes aspectos da biologia da espécie. É assim até hoje", relembra o pesquisador. 

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Os primeiros estudos aconteceram nas regiões do Paraná do Aranapú e da Boca do Mamirauá, onde trabalhou na habituação dos animais à presença de pesquisadores, etapa essencial para a realização de observações comportamentais e ecológicas de longo prazo. Foi nesse período que teve o primeiro contato direto com os uacaris. 

"Foi um período muito produtivo, tanto pela quantidade de dados coletados quanto pelo conhecimento que adquiri sobre os primatas e sobre a região. Foi ali que vi os uacaris pela primeira vez e comecei a construir essa trajetória de pesquisa", afirma. 

Ao longo de sua trajetória, Felipe ampliou significativamente o conhecimento científico sobre os uacaris. Entre suas principais contribuições estão pesquisas em genética evolutiva que ajudaram a esclarecer as relações entre diferentes populações do gênero Cacajao. Seus estudos também demonstraram como transformações históricas da paisagem amazônica, incluindo mudanças no curso de grandes rios, influenciaram a diversidade genética, a distribuição e a evolução dessas espécies. Além disso, identificaram variações genéticas associadas a adaptações específicas dos diferentes grupos de uacaris, abrindo novas perspectivas para compreender sua história evolutiva. 

O aprofundamento dessas pesquisas o levou ao doutorado em Biologia Evolutiva pela University of Salford, no Reino Unido. Durante o doutorado, sua tese foi reconhecida pela Primate Society of Great Britain (Sociedade Britânica de Primatologia) com a Napier Memorial Medal, tornando Felipe o primeiro latino-americano a receber a honraria. Atualmente, além de pesquisador associado do Instituto Mamirauá, ele é professor da New York University (NYU) e integra redes internacionais dedicadas à conservação de primatas. 

Para o pesquisador, receber o prêmio da American Society of Primatologists representa um importante reconhecimento de sua trajetória. 

"Foi muito gratificante receber essa homenagem justamente neste momento em que estou estruturando um laboratório, consolidando um grupo de pesquisa e começando a formar novos alunos. É um reconhecimento de uma caminhada que não foi linear, mas que contou com o apoio de colegas, professores, orientadores e instituições ao longo de toda a minha carreira", destaca. 

Futuras pesquisas e outras contribuições  

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Mesmo com o reconhecimento internacional, Felipe afirma que seu trabalho na Amazônia está apenas começando. A proposta agora é consolidar um grupo de pesquisa em Primatologia, integrando atividades de campo, laboratório e análises genéticas. Entre as próximas etapas estão estudos sobre a ecologia alimentar dos uacaris e a composição de seu microbioma intestinal, buscando compreender como esses animais estão respondendo aos eventos de secas extremas que têm se tornado cada vez mais frequentes na Amazônia. 

"Não temos a menor ideia de como os uacaris estão se adaptando a esses cenários. Queremos entender como as mudanças na disponibilidade de alimento influenciam a espécie e formar uma base sólida de conhecimento para orientar estratégias de conservação", explica. 

Para Felipe, a história do Instituto Mamirauá demonstra que pesquisa e conservação caminham juntas. 

"A pesquisa tem um papel fundamental para orientar ações de conservação. Precisamos conhecer profundamente as espécies, entender os desafios da Amazônia e formar novas gerações de pesquisadores. A hora de agir é agora para reduzir as chances de extinção desses primatas nas próximas décadas", conclui. 

Além das pesquisas com uacaris, Felipe participou de diversas expedições científicas em áreas pouco estudadas da Amazônia, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a distribuição, o tamanho das populações e as principais ameaças enfrentadas por diferentes espécies de primatas. Seu trabalho também envolve colaboração em iniciativas nacionais voltadas à conservação, como o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas Amazônicos e processos de avaliação do estado de conservação das espécies brasileiras. 

Com informações do Pesquisador Felipe Ennes Silva