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Pesquisa registra dados sobre reprodução do jacaré-açu em ambiente natural

Escrito por

Augusto Rodrigues

Publicado em

28/06/12

As populações de jacaré-açu diminuíram drasticamente na Pan-Amazônia nas décadas de 1960 e 1970, quando a pele do animal era utilizada pela indústria. Hoje, mais de três décadas após a proibição da caça comercial, a espécie corre baixo risco de desaparecer da natureza, mas depende de programas de conservação, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).

A formulação de polí­ticas para a conservação do jacaré-açu passa pelo desenvolvimento de pesquisas sobre a ecologia reprodutiva e distribuição populacional da espécie. Em 2011, pesquisadores do Instituto Mamirauá acompanharam a temporada de reprodução do jacaré-açu na área onde estão registradas as maiores concentrações da espécie, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no noroeste do Amazonas.

A pesquisa, que faz parte do projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), foi realizada em 46 corpos d’água (lagos, lagoas, furos, ressacas e igarapés) da Reserva Mamirauá, onde foram encontrados 214 ninhos de jacaré-açu e nove ninhos de jacaretinga. Foram abertos 51 ninhos de jacaré-açu (23,8% do total encontrado) para a coleta de parâmetros biométricos. Também foram capturadas 15 fêmeas de jacaré-açu, para biometria e marcação.

O tamanho médio das ninhadas foi de 28,6 ovos. O comprimento médio dos ovos foi de 82,03 mm, com diâmetro médio de 50,07 mm e massa de 121,8 g. O comprimento das fêmeas de jacaré-açu capturadas variou de 2,34 a 2,83 m, com peso médio de 56,3 kg. Segundo o biólogo Robinson Botero-Arias, responsável pela pesquisa, foi possível relacionar a massa das fêmeas ao número de ovos nos ninhos: quanto mais pesada a fêmea, mais ovos ela é capaz de colocar.

Houve registros de predação em 76 ninhos (35,5%), sendo o homem o maior predador, seguido por onça-pintada, lagarto jacuraru e macaco-prego.

“Do total de ninhos de jacaré-açu, 88,3% foram encontrados em pequenos lagos. No entanto, encontramos ninhos em outros ambientes como canos e ressacas, os quais estão mais vulneráveis às variações hidrológicas. Este resultado sugere que, em locais com grande abundancia, o jacaré-açu pode ser mais generalista na escolha do local de nidificação”, diz Botero-Arias.

Eventos cientí­ficos

Os resultados da pesquisa sobre ecologia de nifidicação de jacaré-açu foram apresentados durante a 49ª Reunião Anual da Associação de Biologia Tropical e Conservação (ATBC, na sigla em inglês), realizada entre os dias 18 e 22 de junho, em Bonito, Mato Groso do Sul.

No mês passado, o biólogo Robinson Botero-Arias apresentou os resultados da pesquisa durante o 21º Encontro do Grupo de Especialistas em Crocodilianos da União Internacional para a Conservação da Natureza, ocorrido em Manila, capital das Filipinas.

Na edição anterior do evento, realizada em 2010, em Manaus, o biólogo recebeu o troféu “Castillo’s Conservation Prize”, prêmio entregue a cada dois anos pelo Grupo de Especialistas em Crocodilianos a um membro da comunidade científica e acadêmica que se destaque em seus esforços à conservação dos jacarés.

No encontro realizado nas Filipinas, o pesquisador do Instituto Mamirauá entregou o troféu para o biólogo norte-americano Matthew H. Shirley, do Departamento de Ecologia e Conservação de Vida Silvestre da Universidade da Flórida.

As pesquisas do Instituto Mamirauá sobre jacarés recebem o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental.

Texto: Augusto Rodrigues

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