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Pesquisa registra a ocorrência de três espécies de tartarugas em áreas protegidas do Amazonas

Escrito por

Instituto Mamirauá

Publicado em

27/01/16

Foi divulgada recentemente, em publicações científicas, a confirmação do aumento da distribuição geográfica de três espécies de quelônios em duas unidades de conservação do Amazonas. A ocorrência dos animais era desconhecida para a Amazônia Central. O registro foi possível com a realização de expedições pela equipe de pesquisadores e técnicos do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação.

Os registros de ocorrência foram na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, no município de Maraã e na Reserva Extrativista do Rio Jutaí, no município de mesmo nome. As três espécies, identificadas no Amazonas, são conhecidas na região Amazônica como Perema ou Lalá. Em outras regiões, são conhecidas como Jabuti-machado (Platemys platycephala platycephala), e Cágado-cabeça-de-sapo (Mesoclemmys raniceps e Mesoclemmys heliostemma).

As publicações estão disponíveis para acesso e download gratuito no portal ZenScientist na seção da revista Herpetological Review. A revista científica internacional Norte-americana, tem como foco publicações sobre herpetologia, ramo da zoologia dedicado ao estudo dos répteis e anfíbios. A revista é publicada pela Society for study of Amphibians and Reptiles.

De acordo com Thaís Morcatty, pesquisadora do Instituto Mamirauá e uma das autoras das publicações, conhecer a área de distribuição das espécies é importante para a tomada de decisões sobre a conservação das áreas onde ocorrem e para o desenvolvimento de novos estudos.

“Novos registros chamam a atenção para o pouco que sabemos sobre essas espécies, incitando novos estudos e indicando novas áreas onde eles poderão ser desenvolvidos. Adicionalmente, a riqueza e a composição das espécies em determinado local definem se ele necessita regras para conservação ou não, por exemplo, para a criação de unidades de conservação ou autorização para atividades econômicas”, contou Thaís.

A pesquisadora também ressalta que o comércio ilegal de animais silvestres como animais de estimação pode ser uma das ameaças a essas espécies. “A principal ameaça conhecida para estas três espécies é a perda de habitat por atividades humanas, como desmatamento, expansão urbana e mineração. Outra importante ameaça que pode afetar as populações de quelônios é retirada de indivíduos para abastecimento do mercado de pet, onde são vendidas como animal de estimação. Devido à falta de estudos, ainda não sabemos o impacto dessa atividade na maioria dos quelônios brasileiros”, disse.

Histórico

“Desses três aumentos de distribuição, o mais importante é referente à Mesoclemmys heliostemma. Agora nós preenchemos a região central da Amazônia, onde sua distribuição era totalmente desconhecida”, afirmou a pesquisadora.

Por muitos anos os pesquisadores pensavam que a ocorrência dessa espécie estava restrita a uma pequena área entre o norte do Equador e Peru e sul da Venezuela. Em 2012, com uma revisão da coleção de museus, a espécie foi confirmada nos estados do Pará, Amazonas, Mato Grosso e Rondônia e Acre. Mas a região central do amazonas permaneceu desconhecida, sendo que o registro mais próximo à Reserva Amanã e Jutaí, estão a cerca de 400km, na Venezuela. Thais afirma que o novo registro preenche uma lacuna de 1,8 milhões de quilômetros sem registros anteriores.

“Estas descobertas quanto à distribuição geográfica de quelônios tão raros salientam a importância do Instituto Mamirauá e suas pesquisas na região central da Amazônia, que ainda é uma área onde se tem muito mais a descobrir. Além disso, ressaltam a importância das nossas expedições para lugares nunca estudados, para novos trabalhos”, comentou a pesquisadora.

Thaís reforça que as três espécies são amazônicas, semiaquáticas, predadoras, de comportamento noturno, e ocorrentes em terra firme. “As três espécies são cágados, ou seja, estão adaptadas tanto ao ambiente terrestre quanto aquático, possuindo patas com membranas interdigitais. Essas membranas são semelhantes às membranas do pato, que contribui para natação”, disse Thaís.

Acesse as publicações na íntegra, na seção “Geographic Distribution“, da Herpetological Review:

Mesoclemmys heliostemma e Mesoclemmys raniceps

Platemys platicephala

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