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Pesquisa reforça que área protegida no Amazonas contribui para manutenção de populações de primatas

Escrito por

Amanda Lelis

Publicado em

23/03/17

Uma pesquisa realizada no Instituto Mamirauá monitorou populações de quatro espécies de primatas durante quatro anos em uma unidade de conservação do Amazonas. O resultado, sugerido pelos pesquisadores, foi de que a delimitação de áreas protegidas pode contribuir para a estabilidade ou o aumento destas populações. Estes resultados serão apresentados, por meio de pôster, em evento internacional no departamento de zoologia da Universidade de Cambridge (Reino Unido), a Student Conference on Conservation Science, entre 28 e 30 de março.

O monitoramento foi realizado entre 2009 e 2013 na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas. Os pesquisadores amostraram a área de quatro setores administrativos da unidade de conservação: os setores Mamirauá, Ingá, Liberdade e Jarauá. Foram monitoradas duas espécies de primatas endêmicas da região, o macaco-de-cheiro-da-cabeça-preta (Saimiri vanzolinii) e o uacari-branco (Cacajao calvus), e duas outras espécies, o macaco-prego (Sapajus macrocephalus) e o guariba (Alouatta juara). Todas as espécies apresentaram uma tendência de aumento populacional durante o período analisado, com exceção do uacari, do qual a população se manteve estável.

“Sugerimos no trabalho que a reserva está sendo efetiva na proteção dessas espécies pois, apesar de possuírem algum grau de ameaça, sendo vulneráveis à extinção ou suscetíveis à caça, suas populações parecem estar aumentando. Isso pode estar relacionado a diversos fatores, inclusive a eficácia da delimitação e gestão da reserva, que direta ou indiretamente diminui as pressões de ameaça às espécies”, comentou Rafael Rabelo, um dos autores do trabalho e pesquisador associado do Instituto Mamirauá – que atua como uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Durante a realização do projeto, a equipe de pesquisadores percorria trilhas a uma velocidade constante, registrando os animais avistados. Com base nos dados registrados, foi calculada uma taxa de avistamento. Essa taxa equivale a uma medida de abundância e densidade populacional da espécie em cada trilha, e foi comparada entre os anos amostrados, explicou Rafael.

Conferência

O evento reúne estudantes, com foco em ciência da conservação, de diversas localidades para apresentações de pôsteres, palestras oficinas, entre outras atividades. Rafael ressalta que a oportunidade de apresentar os resultados da pesquisa para este público é importante por dar visibilidade aos resultados positivos obtidos e por valorizar o modelo de Reserva de Desenvolvimento Sustentável, que conciliam a conservação do ecossistema local com o uso dos recursos naturais pelas populações tradicionais que a habitam.

“Essa é uma das maiores conferências sobre conservação, sendo a maior dedicada a conservacionistas em início de carreira. É uma ótima oportunidade de conhecer as experiências e os desafios de jovens conservacionistas de todos os lugares do mundo, conhecer pesquisadores renomados e fortalecer o networking”, comentou o pesquisador.

Além de Rafael Rabelo, também são autores da pesquisa: Fernanda Paim, Louise Melo e Ivan Junqueira, vinculados ao Grupo de Pesquisa em Ecologia de Vertebrados Terrestres do Instituto Mamirauá e Fernanda Roos, do Programa Macacos Urbanos, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Texto: Amanda Lelis

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