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Pesquisa levanta dados sobre uso de água, sanitários e gestão do lixo na cidade de Tefé (AM)

Escrito por

Vanessa Eyng

Publicado em

17/04/15

Um diagnóstico aprimorado sobre as condições de saneamento básico de uma cidade dá subsídio para futuras melhorias nas polí­ticas públicas. Em cenários de urbanização não planejada, a falta de saneamento básico é um fator de risco para a população.  Buscando construir um diagnóstico para a cidade de Tefé, o Instituto Mamirauá desenvolve desde 2014 a pesquisa “Uso da água, sanitários e gestão do lixo pelos ribeirinhos urbanos de Tefé”.

O objetivo é identificar as práticas que são utilizadas pela população, pontuando as diferenças entre as estações de cheia e seca. Arielem de Almeida,  bolsista do Programa de Iniciação Científica do Instituto Mamirauá, afirma que “essa pesquisa se torna importante para que possamos conhecer os fatores responsáveis por essa realidade e assim adquirirmos uma visão mais ampla sobre a cidade e seus problemas relacionados ao saneamento básico, para futuramente contribuir com polí­ticas de melhorias sanitárias e educação ambiental nestes locais”.

Os dados para análise foram coletados em seis bairros da cidade. Todos estão localizados na orla, áreas inundáveis, atingidas pelas variações entre o nível dos rios. “Realizamos 84 entrevistas, 14 entrevistas em cada bairro”, conta Arielem. As entrevistas feitas procuram traçar um perfil dos moradores dessas áreas, de seus hábitos de consumo, tratamento e armazenamento de água, de descarte de lixo e uso de sanitários.

As famílias entrevistadas moram em casas próprias, de palafita de madeira. “As pessoas moram nessas áreas há bastante tempo. A orla é um local mais acessível, já que eles não podem comprar um terreno mais caro em uma área mais alta da cidade, mesmo sabendo que essas áreas de orla são menos apropriadas “, afirma a bolsista. Os dados indicam que 52% das pessoas que moram nesses bairros são da cidade de Tefé. Os demais vieram de outras cidades ou do interior.

Sobre o uso da água, muitas das famílias entrevistadas afirmam que armazenam águas em baldes ou  tanques.  “Muitas vezes acontece o racionamento de água. Então elas preferem usar muitos armazenadores para não correrem o risco de ficar sem água”, mostra Arielem. Em caso de falta de água, o recurso mais fácil é a utilização da água do rio, mesmo imprópria. A bolsista acrescenta que “é importante citar que em 18 desses domicílios visitados, houve casos de doenças relacionadas à utilização da água do rio, como diarreia, coceira no corpo e nos olhos, dor no estômago”. O uso de cloro para o tratamento da água é frequente, mas condicionado à distribuição dos agentes de saúde.

A existência de vasos sanitários nas residências é majoritária. Todos as famílias entrevistadas têm o vaso dentro da residência. “Cinquenta dos domicílios alegaram possuir vaso sanitário sem descarga. Os 34 que tinham descarga, eram em residências nas áreas um pouco mais altas. Encontramos casas que possuíam fossas negras e fossas filtro também, mas normalmente as pessoas não faziam nenhum tipo de tratamento na água usada que saía das casas, que caíam diretamente no rio, na cheia, ou na terra mesmo, durante a seca “, pontua a bolsista.

O terceiro tema abordado na pesquisa trata do descarte de lixo. Arielem conta que “houve casos de pessoas que jogavam vidro e metais nos rios, o que é perigoso, principalmente porque quando seca os materiais ficam expostos nas praias. A maioria das pessoas jogava o lixo orgânico nos quintais, para os animais de criação. Os lixos de banheiro, papéis e plásticos, foram os que tiveram o maior índice de queima. Eles falam que o caminhão do lixo passa nas áreas, só que às vezes falta, e nesses casos, como algumas pessoas não querem lixo dentro da casa delas, ou elas colocam na beira da rua, queimam, ou jogam em esgotos abertos”.

Identificando essas limitações da infraestrutura da cidade, é possível contribuir para a melhoria dessas áreas. Ao avaliar o conjunto de dados da pesquisa, Arielem aponta que “podemos observar que essas pessoas estão em uma situação precária, sem saneamento básico, sem água potável, e muitas vezes são obrigadas a utilizar a água do rio. Essa realidade que elas estão vivendo, e que eu pude observar, requer que a população e as autoridades governamentais deem as mãos. Se as autoridades fizessem a parte dela e a população também fizesse sua parte, zelando pelo lugar onde vive, eles poderiam chegar a uma solução favorável para ambas as partes”.

O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica é desenvolvido pelo Instituto Mamirauá com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Texto: Vanessa Eyng

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