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Pesquisa indica que atividade turística na Reserva Mamirauá não afeta população de primatas

Escrito por

Instituto Mamirauá

Publicado em

27/03/13

O Instituto Mamirauá lançou, na última semana, a sexta edição da Revista Uakari, uma publicação científica que reúne artigos com resultados de pesquisas conduzidas na Amazônia. Nesta edição, todos os artigos são relacionados às pesquisas sobre turismo de base comunitária. Com o título “A atividade de ecoturismo na RDS Mamirauá afeta os primatas?”, a bióloga Fernanda Paim, pesquisadora do Instituto Mamirauá, apresentou os resultados sobre o monitoramento de primatas nas trilhas da Pousada Flutuante Uacari.

“O objetivo deste trabalho foi investigar se a densidade das populações de primatas tem sido afetada nas diferentes categorias de uso das trilhas, como consequência das atividades ecoturísticas promovidas pela Pousada Uacari. Foram percorridas duas trilhas de uso mínimo (baixa frequência de visitação de turistas) e duas de uso intenso (alta frequência de visitação de turistas)”, afirmou a pesquisadora.
As espécies monitoradas foram guariba, macaco-prego, macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta e uacari-branco. Ao longo do período monitorado, que ocorreu entre 2007 e 2010, foram obtidos 1448 registros de grupos (ou unidades sociais) nos 811,2 quilômetros percorridos. Com exceção do macaco-de-cheiro-comum, todas as espécies foram registradas nas quatro trilhas. Macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta foi a espécie que apresentou a maior densidade geral em todos os anos, seguida por guariba, macaco-prego e uacari-branco. Apesar das densidades das quatro espécies variarem entre os anos, elas não apresentam uma tendência ao longo do estudo.
Segundo a pesquisadora, o fato de não terem sido encontradas diferenças significativas na densidade de uacari branco e macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta ao longo do estudo pode sugerir que as atividades promovidas pela Pousada Uacari não estão afetando estas espécies. “No entanto, guariba e macaco-prego apresentaram maiores densidades nas trilhas de uso intenso, indicando a possibilidade de habituação desses primatas à presença humana em decorrência da visitação dos turistas. É provável que esse processo constante de visitação nas trilhas de uso intenso aumente a detectabilidade de indivíduos dessas duas espécies, já que os mesmos não fogem dos observadores”, concluiu.
A pesquisa analisou ainda a frequência de visitantes, considerada adequada. Os turistas também recebem orientações, como não se aproximar demasiadamente dos animais, e não oferecer alimentos a eles, como em outras experiências de turismo. A versão digital da revista pode ser acessada em www.uakari.org.br.

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