©

Pesquisa identifica locais de ocorrência de peixes-boi no Amapá

Escrito por

Lilian Wiczneski

Publicado em

28/06/13

Um trabalho de conclusão de curso (TCC) de Bacharelado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) analisou sete Unidades de Conservação no estado, mapeando a presença de duas espécies: o peixe-boi-da-Amazônia e o peixe-boi marinho. A pesquisa, da então estudante Daiane Almeida Barbosa, durou quatro anos, com visitas a 56 comunidades e 396 moradores entrevistados. A pesquisa foi financiada pelo Projeto Aquavert, que é desenvolvido pelo Instituto Mamirauá com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental.
“Nesse período verificou-se que as áreas da Reserva Biológica do Parazinho, Estação Ecológica de Maracá-Jipioca e Parque Nacional do Cabo Orange foram as regiões onde tivemos relatos mais frequentes da ocorrência dos animais”, revela Daiane. “Nas demais unidades de conservação também obtivemos relatos, porém em número menor”, completa. Por muitas vezes, ambas as espécies estudadas foram observadas na mesma área. “Essa constatação pode indicar a existência de híbridos, se tornando um fator de ameaça para essas espécies na região”, explica a pesquisadora.
Coleta e análise de dados
Muitos moradores também mencionaram capturas intencionais (com arpão) e acidentais (através de redes de espera) dos peixes-boi. “Embora a captura acidental tenha poucas menções, ela também merece atenção. A maioria das pessoas percebe o peixe-boi como alimento, mas alguns já o veem como um animal ameaçado de extinção e que precisa da nossa proteção”, analisa Daiane.
Daiane conta que as duas espécies observadas correm risco de extinção devido justamente à caça intensa. “Em consequência disso, houve uma redução populacional dessas espécies nas áreas de distribuição. E apesar de existirem leis que proíbam a caça ao peixe-boi, esses animais continuam sendo caçados atualmente”, explica. “A caça de subsistência é uma ameaça à sobrevivência dos peixes-boi e se não for combatida por meio de trabalhos de sensibilização aos moradores ribeirinhos, pode sim levar os animais à extinção”.
Viabilização da pesquisa
O tema abordado por Daiane no TCC (que contou com a orientação de Danielle Lima, do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá, e também de Cláudia Silva, do laboratório de mamíferos do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá – IEPA) surgiu a partir de uma iniciativa de pesquisa entre o IEPA e Instituições de outros Estados, como o Instituto Mamirauá. “Era uma pesquisa na região costeira da Amazônia, que incluía essas unidades de conservação e a coleta de informações sobre as espécies de mamíferos aquáticos”, relembra Daiane. “Infelizmente, essa iniciativa não recebeu recursos financeiros esperados naquela época. Porém, surgiu a oportunidade da continuidade na coleta de informações e parte desses dados se transformou no meu TCC”. A pesquisa teve ainda apoio do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA), Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amapá (SEMA-AP) e Instituto Chico Mendes (ICMBio).
Texto: Lilian Wiczneski

últimas notícias

Pesquisa indica que a educação em saúde e acesso a iluminação podem reduzir mordidas de morcego-vampiro e risco de raiva na Amazônia

Projeto realizado pelo Instituto Mamirauá em comunidades tradicionais do Amazonas demonstra que o uso de lanternas solares […]

Instituto Mamirauá
24 de fevereiro de 2026

Instituto Mamirauá
24 de fevereiro de 2026

É o Dia das Mulheres na Ciência: Instituto Mamirauá fortalece equidade de gênero na Amazônia por meio da pesquisa e valorização de saberes tradicionais 

As mulheres são maioria nas universidades e pós-graduações brasileiras. No entanto, a representatividade feminina é baixa em […]

Instituto Mamirauá
11 de fevereiro de 2026

Instituto Mamirauá realiza expedição para mapeamento de riscos ambientais em 50 comunidades do Médio Solimões. 

No dia 20 de janeiro, a “Expedição de Mapeamento de Riscos e Desastres no Médio Solimões” partiu […]

Tácio Melo
11 de fevereiro de 2026

Nota de Falecimento – Raimundo Nonato Corrêa da Silva, “Lulu”

4 de fevereiro de 2026

Instituto Mamirauá disponibiliza novas edições de cartilhas sobre manejo do pirarucu 

31 de janeiro de 2026

Posicionamento da Iniciativa de Golfinhos de Rio da América do Sul, SARDI, sobre avaliação da saúde de golfinhos de rio 

29 de janeiro de 2026

Instituto Mamirauá e parceiros capacitam 50 agentes de saúde em tratamento de água, saneamento e higiene em Tefé, Amazonas

18 de dezembro de 2025

Ministério da Saúde e Instituto Mamirauá firmam acordo para fortalecer ações de saúde indígena no Médio Solimões.

16 de dezembro de 2025

últimas notícias

Pibict: Jovens fortalecem a pesquisa científica no Amazonas

Seminário confirma impacto positivo: ao longo do Programa de Iniciação Científica e Tecnológica coordenado pelo Instituto Mamirauá, […]

Instituto Mamirauá
5 de março de 2026

Instituto Mamirauá
5 de março de 2026

Lagarto de duas caudas: pesquisadoras do Instituto Mamirauá lançam história em quadrinhos sobre caso curioso em lagarto amazônico

Imagine um lagarto que, na tentativa de escapar de um predador, ao invés de perder a cauda, […]

Instituto Mamirauá
2 de março de 2026

Pesquisadores e ribeirinhos se unem para monitorar o clima na Amazônia

Estação meteorológica é instalada na Floresta Nacional de Tefé como parte das ações do projeto Lagos Sentinelas […]

Bianca Darski
2 de março de 2026

Pesquisa indica que a educação em saúde e acesso a iluminação podem reduzir mordidas de morcego-vampiro e risco de raiva na Amazônia

24 de fevereiro de 2026

É o Dia das Mulheres na Ciência: Instituto Mamirauá fortalece equidade de gênero na Amazônia por meio da pesquisa e valorização de saberes tradicionais 

11 de fevereiro de 2026

Instituto Mamirauá realiza expedição para mapeamento de riscos ambientais em 50 comunidades do Médio Solimões. 

11 de fevereiro de 2026

Nota de Falecimento – Raimundo Nonato Corrêa da Silva, “Lulu”

4 de fevereiro de 2026

Instituto Mamirauá disponibiliza novas edições de cartilhas sobre manejo do pirarucu 

31 de janeiro de 2026