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Pesquisa demonstrou eficiência da desinfecção de água pela luz solar em comunidades ribeirinhas

Escrito por

Amanda Lelis

Publicado em

19/08/16

A falta de acesso à água potável ainda é uma realidade em grande parte das comunidades ribeirinhas no Amazonas. Nessas localidades, o armazenamento de água da chuva tem sido utilizado como uma alternativa para consumo de água com melhor qualidade. No Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovaçôes e Comunicações, uma pesquisa testou e comprovou a eficácia de um método de tratamento domiciliar de água simples e barato: o Sodis (Solar Water Disinfection).

O projeto de pesquisa foi um dos trabalhos desenvolvidos ao longo dos anos de 2015 e 2016 pela bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) do Instituto, Nayandra Carvalho. Para a pesquisa, foi montado um modelo de coleta de água da chuva que simula o modelo habitual utilizado nas comunidades da região. Foram feitos experimentos, com garrafas pet preenchidas com água, que foram expostas ao sol para desinfecção. O procedimento foi testado em duas bases de apoio, uma em madeira e outra em telha reflexiva e em duas situações: dia de céu aberto e dia de céu nublado. Foram coletadas amostras da água no momento da exposição, com 6h de exposição ao sol e após 24h para análises da qualidade da água, que avaliaram turbidez, pH, temperatura e contaminação por coliformes totais e Escherichia coli.

“Eu acredito que a divulgação desse método é importante porque, por mais que seja um método utilizado em mais de 20 países, por mais de 20 milhões de pessoas no mundo todo, ele não vem sendo popularizado no Brasil. Então, a gente acredita que criando um manual para as comunidades ou para as escolas, mais pessoas possam vir a utilizar o método, tratar água em casa e também para que diminuam as doenças de veiculação hídrica, que são doenças que acontecem com bastante frequência nessas comunidades”, disse Nayandra.

Os resultados demonstraram que, após seis horas de exposição em dia ensolarado, em todas as garrafas houve a inativação total dos microrganismos, a água atingiu 57 graus, e não houve recrescimento bacteriano posterior. As garrafas pintadas de preto alcançaram a mesma temperatura após quatro horas de exposição, potencializando a ação. A superfície de apoio que deu melhores resultados foi a madeira, que alcançou 5 graus a mais de temperatura que a superfície reflexiva. Os testes em dia nublado também deram resultado positivo, no entanto, é necessário um período mais longo de exposição.

Nayandra comentou que as comunidades ribeirinhas das Reservas Mamirauá e Amanã já possuem o hábito de coleta de água da chuva, com assessoria técnica e monitoramento da tecnologia pela equipe do Programa Qualidade de Vida, também do Instituto Mamirauá. “Esse trabalho vem divulgar como acontece o tratamento de água pelo Sodis, que é parecido com a fervura, mas com um diferencial: a energia vem do sol, que é uma fonte gratuita. As pessoas são incentivadas a tratar água em casa. O Sodis pode ser aplicado em comunidades ribeirinhas maiores, em comunidades com usuários individuais isolados, ou quando há rejeição à agua com cloro, por causa do gosto”, disse.

O projeto conta com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Cnpq) para o pagamento de bolsas de estudos.

Texto: Amanda Lelis

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