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Pesquisa avalia ecologia e potencial produtivo de óleos de andiroba e copaí­ba

Escrito por

Vanessa Eyng

Publicado em

07/03/15

Desde o segundo semestre de 2014 o Instituto Mamirauá vem desenvolvendo o projeto “Ecologia e Potencial produtivo de andiroba e copaíba nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Amanã e Mamirauá”. O Objetivo é reunir mais informações sobre as duas espécies na região para, a partir daí, pensar em possibilidades viáveis de manejo dos óleos que ambas produzem.

O projeto envolve ações de pesquisa e de extensão. No âmbito da pesquisa, busca-se compreender aspectos biológicos sobre as copaibeiras e andirobeiras, o que envolve avaliar a estrutura e a distribuição dos indivíduos, quantificar a produção de sementes de andiroba e verificar o rendimento de óleo das espécies, por exemplo. Partindo desse conhecimento, Emanuelle Raiol Pinto, pesquisadora do Instituto Mamirauá, acrescenta que a ideia é responder às seguintes questões: “Onde estão localizadas essas árvores dentro das Reservas? Qual o rendimento de óleo?  É possível aproveitar essa produção para gerar uma renda alternativa para as comunidades?”.

O primeiro passo do projeto foi realizar levantamentos sobre onde estão os extrativistas, o processo de extração e o uso dos óleos nas comunidades. Por meio de informações de relatórios produzidos anteriormente e indicações do Programa de Gestão Comunitária e de Manejo de Agroecossistemas do Instituto Mamirauá, foram mapeadas algumas comunidades que já extraem esses óleos. O óleo de andiroba é extraído das sementes e o de copaíba é retirado do tronco.Nessas comunidades, a pesquisadora aplicou questionários . “Os questionários norteiam a conversa com os comunitários. Queremos identificar o conhecimento ecológico local sobre as andirobeiras e as copaibeiras, o uso dos recursos provenientes destas espécies, o conhecimento da extração do óleo, bem como sua produção atual, verificando o interesse dos comunitários em melhorias tecnológicas para a extração e o armazenamento dos óleos de andiroba e copaíba”, afirma a pesquisadora.

Uma questão levantada pelos questionários diz respeito às práticas econômicas. A exploração dos óleos, para o nível de consumo das comunidades, não precisa ser em quantidades muito grandes e nem é voltada necessariamente para atender as demandas do mercado.”A produção do óleo é para o consumo da própria família, alguns vendem, mas na própria comunidade, ou para algum parente que encomendou e está na cidade”, conta Emanuelle.

Com essas informações em mãos e em companhia de comunitários, as áreas onde as árvores se encontram são delimitadas e depois inventariadas. “A distribuição espacial das andirobeiras é de forma agregada, essas áreas chamamos de andirobal. Já para as copaibeiras o inventário será realizado por meio do caminhamento na área apresentada como potencial pelos comunitários”, explica Emanuelle.

As ações de extensão estão programadas para o segundo semestre de 2015. “Planejamos fazer uma experimentação de extração de óleo de andiroba por meio de prensa. Estamos estudando qual o modelo de prensa é o mais adequado para o uso das comunidades, melhor adaptada à realidade, o que fazemos em colaboração com o Programa Qualidade de Vida. Para a copaíba vamos fazer uma experimentação com o trado, para tradar as árvores e fazer a retirada de óleo. Mas nesse projeto não vamos nos concentrar sobre a comercialização do produto, é só uma experimentação”, reforça Emanuelle. Para experimentar técnicas, também pretende-se promover capacitações.

No final desse ano, aproveitando o período de seca, também está planejado a implementação de um experimento de coleta de semente de andiroba.”Estamos pensando em colocar uma rede sobre a projeção da copa da árvore, para tentar captar as sementes , dessa forma será possível avaliar o potencial produtivo das árvores. Por que colocar a rede? Porque a árvore  dispersa as sementes no período de alagação, o que dificulta a  coleta “, projeta a pesquisadora.  É das sementes que se extrai o óleo de andiroba. Tradicionalmente, as sementes são cozidas, deixadas em repouso para escorrimento da água. Depois são descascadas, a massa resultante é amassada diariamente, sendo também exposta ao sol. O óleo é recolhido todos os dias. No experimento proposto, as sementes passarão por um processo de secagem, de trituração e de prensagem. O resultado desse processo, o óleo, também vai passar por análises químicas.

Tanto os questionários quanto os inventários ainda serão realizados em outras áreas, durante os dois anos previstos para essa pesquisa. Com estes resultados, pretende-se dar sequência ao tema, pesquisando também a viabilidade econômica da extração de óleos. “A gente acredita que promover atividades produtivas, que podem gerar um ganho econômico alternativo para as comunidades, por meio do  manejo sustentável dos produtos florestais não-madeireiros, seja uma importante ferramenta para a conservação e valorização da floresta em pé”, ressalta Emanuelle.

Estas ações fazem parte do projeto “Participação e Sustentabilidade: o Uso Adequado da Biodiversidade e a Redução das Emissões de Carbono nas Florestas da Amazônia Central” – BioREC – desenvolvido pelo Instituto Mamirauá com financiamento do Fundo Amazônia.

Texto: Vanessa Eyng

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