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Pesquisa analisa condições de pesca para viabilizar manejo de aruanãs no estado do Amazonas

Escrito por

Eunice Venturi

Publicado em

17/05/13

Duas horas remando, entre árvores, cipós e a escuridão do interior da selva. Esse foi o cenário que sete pescadores de Maraã (AM) e a equipe do Grupo de Pesquisa Ecologia e Biologia de Peixes do Instituto Mamirauá enfrentaram nas noites da última semana, na Reserva Mamirauá. O objetivo da expedição foi chegar ao Lago do Itaúba e analisar as condições para o manejo de filhotes de aruanãs. Foi a terceira viagem para a Reserva Mamirauá, no município de Maraã, que fica a 640 quilômetros de Manaus.

Segundo a bióloga Danielle Pedrociane, a pesquisa está avaliando o estoque de aruanãs filhotes e adultos, visando à exploração dos peixes dentro de um sistema de manejo sustentável, que garanta a conservação da espécie e outra fonte de renda para os pescadores. É o que deseja Paulo Gonçalves, pescador e membro da Colônia Z-32 de Maraã: “Eu espero que a gente consiga buscar esse manejo, assim como a gente conseguiu o manejo do pirarucu, pois o manejo de aruanãs vai beneficiar mais de 700 famílias. Trabalhando a gente chega lá”. Em janeiro, o Instituto Mamirauá apresentou à colônia o projeto de pesquisa, que foi uma solicitação dos próprios pescadores. Agora eles participam da coleta de dados do projeto.
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O trabalho que Paulo se refere é o esforço que vem sendo feito com as expedições de campo, que precisam ocorrer à noite, quando os olhos da sulamba, como também é conhecido o aruanã, refletem fortemente ao feixe de luz. A avistagem é possível, porque o aruanã nada próximo à superfície. A amostragem da pesquisa envolve sete lagos na Reserva Mamirauá. O Lago do Itaúba, na última semana, apresenta condições desfavoráveis para o manejo, em função da distância e dificuldades de acesso, diferentemente dos outros lagos. Além disso, muito embora haja relato da disponibilidade de filhotes em maio, constatou-se que este período não é adequado para coleta dos peixes, pois poucos foram avistados em função do nível d água estar elevado.

A pesca ilegal
Aruanãs têm interesse comercial e ornamental e o manejo também poderá amenizar a pressão sobre os estoques pesqueiros, em decorrência da pesca ilegal e da ausência de uma legislação eficiente. No caso da pesca comercial, uma portaria do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) determina que os aruanãs sejam capturados com tamanho mínimo de 40 centímetros. “No entanto, estudos nas Reservas Mamirauá e Purus indicam que um aruanã só se reproduz quando alcança o tamanho entre 52 e 60 centímetros, ou seja, se ele for capturado com tamanho inferior a esta média, provavelmente não terá reproduzido uma única vez”, afirmou Danielle.
Com os aruanãs, para fins ornamentais, o problema é a venda da pesca ilegal, que é um crime ambiental, para outros países da América do Sul, como o Peru e a Colômbia. Danielle compara: “Um pescador que pescou ilegalmente um aruanã vai vendê-lo, para fins ornamentais, entre 0,50 e 1 real. Se o peixe for manejado, o preço para o pescador pode chegar até cinco reais”. A pesquisa já identificou que o macho guarda aproximadamente 160 alevinos na boca. “Essa estratégia se chama cuidado parental, quando os machos cuidam dos filhotes até que eles sejam capazes de se alimentarem sozinhos”, disse Danielle.
Pesquisando métodos de pesca mais sustentáveis
Na opinião da pesquisadora, a proposta de manejo também vai propor novos hábitos de pesca aos manejadores: “Para pegar os filhotes e vendê-los no mercado de ornamentais, os pescadores arpoam o aruanã, ou seja, ele acaba morrendo. E para retirar os filhotes da boca não é necessário que o pai seja morto, podendo ser capturado com um puçá (uma espécie de peneira)”. Com o tempo, poderá haver declínio da população de indivíduos machos, comprometendo a reprodução do ano seguinte, se eles não forem preservados com a mudança do apetrecho de pesca. Para isso, a pesquisa também vai testar um novo método de captura de filhotes que não resulte na morte do macho, pois eles são responsáveis por cuidar dos filhotes. O estudo deve ser concluído em 2014.
Texto: Eunice Venturi

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