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Pescadores artesanais de caranguejo participam de curso de manejo no Pará

Escrito por

Amanda Lelis

Publicado em

16/05/17

O caranguejo é peça chave na culinária paraense. O crustáceo dos mangues movimenta a economia da região e gera renda para os pescadores tradicionais. Para que o manejo aconteça de forma sustentável, neste ano, já foram realizados três cursos de extensão pesqueira no estado. Cerca de 250 pescadores artesanais de caranguejo de 13 diferentes comunidades de Reservas Extrativistas (Resex) Marinhas do Pará participaram das atividades para o manejo do caranguejo-uçá.

Esta é 69ª edição do curso. Desde o início, já foram beneficiados com as capacitações 2.700 pescadores de 20 diferentes municípios.  A iniciativa é realizada em parceria pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Pará (Sedap), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Mamirauá, e conta com o financiamento da Fundação Moore.

“A extração do caranguejo representa, no aspecto social, o trabalho de mais de 15 mil pescadores de caranguejo em Resexs no Pará. É uma das principais atividades, pois possibilita ocupação e gera renda todos os dias”, afirmou Patrick Passos, que é sociólogo na Sedap e um dos responsáveis pelos cursos.

Neste ano, participaram dos cursos 121 pescadores da Resex Cuinarana, localizada no município de Magalhães Barata; 71 pescadores da Resex Mocapajuba, município de São Caetano de Odivelas; e 57 pescadores da Resex Mestre Lucindo, município de Marapanim. As três Reservas fazem parte do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), do Governo Federal, que visa fortalecer o Sistema Nacional de Unidades de Conservação na Amazônia.

Patrick ressalta que a Resex Mocapajuba é referência no estado pela qualidade e quantidade de extração diária de caranguejo. De acordo com o sociólogo, o relatório sobre exportação de caranguejo, divulgado em 2016 pelo governo do estado do Pará, apontou que 60% da produção comercializada do Pará para outros estados brasileiros, naquele ano, eram provenientes dessa região.

O curso é demandado pelas associações de usuários de cada Resex. Patrick reforça que a expansão deste conhecimento entre diferentes grupos de pescadores artesanais contribui para

internalização e fortalecimento do método de manejo do caranguejo entre os manejadores. “É importante pela manutenção da vida, pela valorização da identidade cultural dos povos da Maré e pela fixação do homem à terra, dentro de condições que ele conhece e sabe administrar cotidianamente. Que é o contato com ecossistema manguezal, seus mistérios, encantos, saberes e sabores. O homem da beira do rio desenvolveu habilidades e capacidades que o diferenciam dos demais”, disse.

Histórico

O projeto existe desde 2010. O Instituto Mamirauá – unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – passou a apoiar formalmente a iniciativa em 2013, para a realização de cursos de extensão pesqueira sobre o transporte sustentável do caranguejo. A iniciativa surgiu a partir da proibição da comercialização da carne de caranguejo pelo Ministério Público do Pará em 2008, em função de questões higiênicas e sanitárias. Desde então, foram desenvolvidas pesquisas científicas para identificar um método de transporte do animal vivo para comercialização.

Em 2015, foi lançado o Protocolo de Manejo do caranguejo-uçá: o método de embalagem para o transporte sustentável. A publicação, com as orientações para o manejo sustentável, está disponível para consulta e download gratuitos no site do Instituto Mamirauá.

De acordo com Patrick, a comercialização de caranguejo-uçá (Ucides cordatus) acontece diariamente no estado. São extraídos entre 12 e 15 milhões de indivíduos por ano. “O que demonstra o esforço de pesca, a grandeza de uma cadeia extrativista e o volume de interesses envolvidos”, ressaltou o sociólogo. Entre os meses de janeiro e abril é o defeso da espécie, período em que sua extração e comercialização são proibidos.

“A pesca do caranguejo é importante para mais de 125 mil pessoas no litoral do Pará, representa um traço da cultura local, está presente no artesanato, na expressão popular das letras de música do carimbó, na culinária cabocla e na vida dos moradores que degustam em Belém”, reforçou Patrick.

Texto: Amanda Lelis

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