Reunião em Brasília destacou o Projeto de Cooperação Internacional para a restauração de zonas úmidas e outros ecossistemas estratégicos do Amazonas e Pará, conhecido como Mamirauá II.

Uma iniciativa coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, avança na construção de um projeto estratégico voltado à recuperação de áreas degradadas na Amazônia. A reunião, conduzida pela ministra Luciana Santos, marcou mais um passo na consolidação da proposta, que terá o financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). Participaram da reunião com a Ministra o representante da FAO no Brasil, Jorge Alberto Meza Robayo, e os diretores do Instituto Mamirauá João Valsecchi, Dávila Corrêa e Emiliano Ramalho.
Durante o encontro, a Ministra ressaltou a estrutura criada pelo ministério para fortalecer a atuação na região: “Entendemos que a estratégia para a Amazônia deve incluir a geração de conhecimento, a criação e manutenção de infraestruturas de pesquisa e a definição de ferramentas para a difusão de tecnologias para o setor produtivo e para a sociedade”.
Com a previsão de implementação em 5 anos, o projeto “Restauração de Áreas Alagáveis e outros importantes Ecossistemas Amazônicos” já passou pela etapa de validação junto a comunidades tradicionais do Amazonas e Pará, a partir de Seminário realizado em 2025 no campus do Instituto Mamirauá, em Tefé, em parceria com a FAO. Esta etapa é fundamental para a garantia da participação de instituições públicas, lideranças locais, mulheres e jovens em todas as fases de implementação. O projeto agora aguarda as etapas administrativas para o seu início.
A iniciativa tem como meta restaurar mais de 25,7 mil hectares de ecossistemas de zonas úmidas e florestas de várzea, além de evitar a emissão de cerca de 10 milhões de toneladas de CO₂. O plano estratégico tem ainda como prioridade beneficiar diretamente através de geração de renda e segurança alimentar cerca de 1,6 mil pessoas de comunidades tradicionais e indígenas.
O projeto tem como objetivo central restaurar ecossistemas de 12 áreas protegidas e terras indígenas tanto no continente quanto na costa amazônica, envolvendo os estados do Amazonas e do Pará. Para isso, aposta em inovação científica, valorização dos conhecimentos tradicionais, no fortalecimento de capacidades técnicas e na melhoria das condições institucionais para a restauração.

O diretor-geral do Instituto Mamirauá, João Valsecchi, destacou o papel estratégico do MCTI na Amazônia. “Através do Instituto Mamirauá, o MCTI promove a conservação aliada ao desenvolvimento socioeconômico da região, com base na ciência e na geração de novas tecnologias”, afirmou.
A diretora de Manejo e Desenvolvimento Social do Instituto Mamirauá, Dávila Corrêa, ressaltou a capacidade técnica acumulada pela instituição ao longo de sua trajetória: “Com experiência de quase três décadas em áreas alagáveis, manejo comunitário e monitoramento, Mamirauá lidera projeto estruturante de restauração florestal, desenvolvendo inovação técnica como estratégia de desenvolvimento territorial para aumentar a resiliência climática na Amazônia”.
Já o diretor técnico-científico do Instituto Mamirauá, Emiliano Ramalho, enfatizou o caráter estratégico da iniciativa: “O projeto é estratégico e exemplar para a Amazônia, pois não apenas apoia a restauração de ecossistemas críticos, como também promove a valorização e o fortalecimento das instituições e das populações locais responsáveis pela produção do conhecimento que sustenta soluções para o desenvolvimento sustentável da região”.
A estrutura do projeto está organizada em cinco componentes principais: melhoria do ambiente institucional para a restauração, fortalecimento de capacidades, início das ações de restauração em campo, sensibilização e gestão do conhecimento, além de monitoramento e avaliação.
Com sólida trajetória em pesquisa aplicada, conservação e manejo de recursos naturais na Amazônia, o Instituto Mamirauá — centro de pesquisa vinculado ao MCTI — articula, no desenvolvimento de seus projetos, o conhecimento científico, os saberes tradicionais e estratégias de desenvolvimento sustentável.
A iniciativa também dialoga diretamente com o Marco Estratégico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura 2022–2031, que articula a visão da Organização de um mundo sustentável no qual todas as pessoas tenham segurança alimentar, no contexto da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Nesse sentido, o projeto reforça a convergência entre restauração ambiental, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável na Amazônia, em linha com os compromissos globais estabelecidos pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
A iniciativa está alinhada a diferentes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com destaque para Fome Zero e Agricultura Sustentável, Ação Climática, Vida Terrestre, Vida na Água e Água Potável e Saneamento.