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Onça-preta é monitorada na Amazônia por pesquisadores do Instituto Mamirauá

Escrito por

João Cunha

Publicado em

09/04/18

Essa é a quinta onça-preta monitorada pelo instituto em quase quinze anos de pesquisas com felinos

Com o estrondoso sucesso do filme de super-herói “Pantera Negra” nos cinemas, os grandes felinos com pelagem preta estão na moda. As onça-pretas (ou melânicas) são as representantes “nacionais” desse grupo, habitando diversos biomas do país. E é da Amazônia Brasileira que chega a última notícia sobre as onças-pretas: Jacques, é a mais nova onça-pintada preta monitorada pelo Instituto Mamirauá.

O encontro com o felino aconteceu na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Localizada no estado do Amazonas, no médio curso do Rio Solimões, é na reserva onde pesquisadores do Instituto Mamirauá investigam a ecologia de onças-pintadas em ambientes de várzea, as florestas alagáveis da Amazônia.

Famoso oceanógrafo inspirou o “batismo” da onça

Jacques é um jovem macho da espécie, em boas condições físicas. Com idade estimada entre seis e oito anos, pesa por volta de 55 quilos. A inspiração para o nome Jacques veio do oceanógrafo e conservacionista francês Jacques-Yves Cousteau (1910-1997).

Preta ou pintada?

Essa é a quinta onça-preta monitorada pelo Instituto Mamirauá em mais de dez anos de pesquisas com felinos. Esse tipo de animal é um caso raro na natureza, correspondendo a uma baixa percentagem entre onças-pintadas. O melanismo acontece por uma mutação genética que causa alta concentração de melanina no pelo do animal, o pigmento que lhe dá a cor preta.

Por causa disso, há quem acredite que a onça-preta não é uma onça-pintada, mas sim outra espécie de felino. O mal-entendido é revelado quando se olha imagens noturnas do animal, registradas com câmeras infravermelho. Nelas, é possível ver as “pintas” debaixo da pelagem escura (veja em nossa galeria de fotos).

De olho nas onças-pintadas para a conservação da espécie

O Grupo de Pesquisa Ecologia e Conservação de Felinos na Amazônia realiza, todos os anos, a captura de onças-pintadas. Elas são capturadas com o uso de armadilhas de laço, instaladas em trilhas na floresta. Em sequência, os especialistas ajustam um colar de telemetria e fazem exames clínicos e coletas de material biológico para avaliar a saúde do animal.

“A captura dessa onça-pintada foi muito tranquila, é um animal que se mostrou quase dócil. O procedimento durou aproximadamente uma hora, para colocar o colar e coletar as amostras biológicas”, informa Emiliano Ramalho, líder do grupo de pesquisa em felinos do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Os colares de telemetria possuem um sistema GPS que permite acompanhar a locomoção das onças durante o ano inteiro. A partir dos dados levantados pelo monitoramento, nos últimos anos os cientistas têm descoberto novas informações sobre as onças-pintadas na Amazônia, que são importantes para a conservação da espécie.

As pesquisas com onças-pintadas do Instituto Mamirauá contam com financiamento da Fundação Gordon and Betty Moore.

Texto: João Cunha

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