
Crédito: João Cunha
Iniciativa promovida pelo Instituto Mamirauá reuniu jovens do Pará, Amapá e Amazonas em uma semana de troca de saberes, fortalecimento de redes e conexão entre territórios amazônicos.
Entre os dias 7 e 14 de maio, o Instituto Mamirauá recebeu representantes da Rede da Rede Mães do Mangue, vindos de regiões costeiras do estado do Pará, para um intercâmbio de experiências socioambientais, que reuniu também a Associação Sementes do Araguari. A iniciativa faz parte dos projetos Entre Águas Amazônicas e Sustenta Mangue, e proporcionou uma imersão nas vivências, desafios, oportunidades e saberes das juventudes amazônicas em diferentes contextos territoriais e culturais.
Durante a semana, os participantes visitaram comunidades ribeirinhas, aldeias indígenas do Médio Solimões e participaram de oficinas comunitárias, rodas de conversa e atividades de campo. Um dos momentos mais marcantes foi a visita à comunidade Bom Jardim, no setor , que estava vivendo um processo de formação em organização comunitária. Esta oficina mobilizou as comunidades do setor, com destaque para a juventude local.
Outro ponto alto foi a visita à Terra Indígena Barreira da Missão, onde os jovens paraenses foram recebidos por juventudes das etnias Kokama, , Ticuna e em um encontro marcado pela escuta mútua e pela troca de saberes ancestrais e estratégias contemporâneas de resistência.
“Essa visita foi realmente muito importante, eu estou extremamente encantada com o Amazonas”, afirma Núbia Cristina, liderança jovem na Reserva Extrativista (Resex) Marinha Mestre Lucindo, em Marapanim (PA), e uma das participantes do intercâmbio. “É um território totalmente diferente do nosso, mas muito rico. A gente vê que as lutas pelas quais a gente luta na Rede são as mesmas daqui. Lutas por igualdade, preservação, políticas públicas que possam chegar nas comunidades.”
Visita à sede do Instituto Mamirauá e mesa sobre juventude e clima

Crédito: João Cunha
Na segunda-feira (12), os a sede do Instituto Mamirauá, em Tefé, onde puderam conhecer de perto os projetos e ações desenvolvidos na área de pesquisa e desenvolvimento socioambiental. A visita permitiu um contato direto com a estrutura técnica do Instituto e suas frentes de atuação junto a comunidades tradicionais da Amazônia.
Durante a programação, foi realizada uma mesa redonda sobre mobilização climática e os desafios enfrentados pelas juventudes amazônicas, reunindo pesquisadores e jovens do Pará, Amapá e Amazonas. A troca foi profunda e inspiradora, reforçando o papel central da juventude na luta por justiça climática e preservação dos territórios.
Sandro , coordenador do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) do Instituto Mamirauá, reforçou a importância dessa conexão direta entre os jovens e os territórios:
“A importância desse intercâmbio entre os jovens que vieram do litoral paraense, da região do Salgado e da ilha do Marajó, é fazer essa troca de experiências, conhecer a realidade, conhecer o Instituto Mamirauá para que esses jovens possam ter esse contato com a equipe do Instituto aqui in loco, em Tefé, facilitando as ações que vão ser realizadas através dos projetos Entre Águas Amazônicas e Sustenta Mangue.”
Segundo , os jovens participaram de uma oficina colaborativa de construção de um plano de ação, voltado tanto para as juventudes do Pará e Amapá quanto para aquelas do Médio Solimões, fortalecendo a perspectiva de ações conjuntas:
“Hoje nós estamos realizando uma oficina de construção de um plano de ação — de ações que o Instituto Mamirauá pode realizar com eles no Pará, mas também com jovens aqui da região. É um processo construtivo, de intercâmbio, de facilitação de saberes e desenvolvimento de capacidades de uma maneira muito rica e interessante.”
Consolidando parcerias e semeando oportunidades

Crédito: João Cunha
Além das vivências e diálogos, o intercâmbio serviu como espaço para consolidação de parcerias entre redes, comunidades e instituições, como destacou Santos, presidente da Associação das Reservas de Ativistas Marinhas -Mato Grosso. Em sua fala, ele anunciou o envio de jovens da Rede para formação no CVT do Instituto Mamirauá:
“Estamos afinando uma relação de longo prazo com o Instituto Mamirauá, preparando a juventude para assumir um papel central nos processos de transformação social e ambiental. Essa é uma oportunidade de formação pensada com e para os povos da Amazônia”, afirma.
Projetos que tornam esse intercâmbio possível
O intercâmbio integra os projetos Entre Águas Amazônicas e Sustenta Mangue, ambos desenvolvidos pelo Instituto Mamirauá e parceiros. O primeiro atua em mais de 4,8 milhões de hectares nos estados do Amazonas, Pará e Amapá, com foco na gestão participativa dos recursos naturais, fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis e valorização da biodiversidade.
Entre Águas Amazônicas conta o financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), execução do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e tem como agência a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
Já o Sustenta Mangue, com atuação na costa do Pará, busca garantir um futuro sustentável para os manguezais amazônicos por meio de capacitações técnicas, fortalecimento da governança local e monitoramento da biodiversidade.
O projeto Sustenta Mangue é financiado pela Fundação Gordon e Betty Moore.
“Foi interessante essa troca. Vieram dez pessoas do Pará e do Amapá e elas estão tendo essa interação real, visitando comunidades, conversando com jovens que participaram do processo educativo do CVT. Acreditamos que isso pode desencadear processos muito mais construtivos”, concluiu Sandro .
“Os meus dias aqui em Tefé foram bem proveitosos, conhecemos várias comunidades tradicionais e aprendemos muito com elas, a partir dessas trocas culturais. Essa experiência me mostrou o quanto é importante conservar as culturas locais, levar essa devolutiva para o meu território vai ser de grande importância”, considera Penante, moradora da Reserva Extrativista (Resex) Marinha de Soure, na Ilha do Marajó (PA).