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Pesquisador Alberto Elfes recebe homenagem póstuma

Escrito por

Instituto Mamirauá

Publicado em

07/07/20

Pesquisador era parceiro do Instituto Mamirauá e participou da missão precursora do Projeto Providence, em 2016

Via Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer – CTI

Alberto Elfes, pesquisador reconhecido mundialmente por seus trabalhos na área de sistemas autônomos, faleceu no dia 04 de julho em Brisbane, na Austrália. Elfes teve importante papel na história e no desenvolvimento de duas importantes áreas de atuação do CTI Renato Archer: robótica e manufatura aditiva.  Como forma de homenagem póstuma aos 45 anos de dedicação à pesquisa, à gestão de pessoas e às relações interpessoais criada por entre os laboratórios de pesquisa que Elfes trabalhou no Brasil e em diversos países, resgatamos um pouco da trajetória desse excelente pesquisador.

Nascido em Maceió, filho de alemães, Alberto Elfes cursou Engenharia Eletrônica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em 1975. Este primeiro ingresso na academia foi o passaporte para uma série de títulos e conquistas ao longo da sua carreira científica, na área da robótica e automação. Elfes tornou-se mestre em Ciência de Computação pelo ITA, em 1980, doutor em Electrical And Computer Engineering pela Carnegie Mellon University (1989) e fez o pós-doutorado pela Universidade de Ulm (2001).

Em 1994, Alberto Elfes assumiu o cargo de diretor no Instituto de Automação do CTI Renato Archer e foi responsável por liderar o Projeto Aurora, que teve como objetivo desenvolver um dirigível autônomo para monitoramento ambiental. O projeto, pioneiro no mundo, resultou na construção do primeiro veículo aéreo não-tripulado a alcançar voo no Brasil. Em uma reportagem para o jornal “O Estado de São Paulo” em 2011, Elfes conta que o Aurora surgiu da necessidade de “escolher bons projetos para recuperar o entusiasmo do pessoal.  Do projeto, além da construção do dirigível, uma série de artigos e outros estudos pioneiros sobre o tema foram publicados pela equipe, fazendo com que o CTI se destacasse na área de dirigíveis autônomos na época. O crescimento da área no CTI foi tão intenso e inédito que, anos depois, sua equipe de pesquisadores da Nasa utilizavam o conhecimento gerados pelo CTI nas pesquisas do órgão norte americano.

Além da área da robótica e automação, Elfes também foi um grande incentivador da criação do primeiro laboratório de tecnologias tridimensionais do CTI, em 1999. O diretor do CTI, Jorge Silva, conta que Alberto apoiou e moveu esforços para aquisição da SLS 2000, a primeira máquina de impressão 3D adquirida pelo CTI Renato Archer. O equipamento foi o responsável pelo desenvolvimento de uma nova área de atual do CTI e por fazer com que a instituição se tornasse, até os dias de hoje, uma referência na tecnologia de impressão aditiva.

Após concluir um período de pesquisa na Universidade de Ulm, em 2001, Elfes foi convidado a integrar a equipe de pesquisadores do Jet Propulsion Lab (JPL) da Nasa. Durante os 10 anos que permaneceu na instituição, o pesquisador desenvolveu projetos e sistemas robóticos, tais como dirigíveis autônomos para missões aéreas em Vênus, Titã (um satélite de Saturno), os gigantes gasosos (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) e até mesmo Marte. Além disso, nos EUA o pesquisador também desenvolveu barcos robóticos – úteis para estudos oceanográficos e fluviais na Terra – e, por fim, veículos robóticos para ambientes extremamente difíceis de serem explorados como as florestas tropicais, por exemplo.

Depois de 10 anos na NASA, Elfes se mudou para Brisbane, na Austrália. Lá, até seus últimos dias, liderou o Grupo de Pesquisa em Robótica e Sistemas Autônomos (RASG) e era o responsável pela coordenação e planejamento estratégico das pesquisas do RASG.

Mesmo morando no exterior, Alberto continuou a colaborar com o desenvolvimento tecnológico de projetos de monitoramento da biodiversidade brasileira. Em 2016, o pesquisador participou de uma missão amazônica nas reservas do Instituto Mamirauá. A missão foi precursora do Projeto Providence que desenvolve tecnologias de monitoramento da biodiversidade em tempo real. Elfes era um conhecedor da Amazônia, já que anos atrás, também havia participado do Projeto Piatã, uma parceria entre o INPA e a Petrobrás para monitorar e preservar a biodiversidade brasileira.

Em sua carreira, Alberto colecionou títulos, projetos e prêmios acadêmicos. Seu perfil no “ResearchGate” aponta que mais de 7151 pesquisadores citaram os estudos de Elfes em papers e outros trabalhos cientí­ficos. Dentre todos os seus feitos, destaca-se particularmente a criação do conceito de grade de ocupação para navegação robótica, método muito utilizado pelas gerações de roboticistas que o seguiram.

Nas mensagens abaixo, colegas de profissão e amigos homenageiam o pesquisador. As declarações mostram que, além do legado científico, o Dr. Alberto também conquistou respeito e admiração de todos pela forma amistosa, ética e amável em que tratava todos os que estavam ao seu redor.

A família de Alberto está organizando um memorial virtual que reúne mensagens, fotos e outras lembranças do pesquisador. Participe deixando sua homenagem em: https://www.gatheringus.com/memorial/alberto-elfes/4268.

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